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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Notícias Soltas

*Petróleo. Tribunal aceita providência cautelar contra furo ao largo de Aljezur

*EUA. Monsanto condenada por causar cancro a jardineiro

*Hospital de Santa Maria. Urgência de Otorrinolaringologia em rotura, garante sindicato

*Emprego. Segurança Social vai contratar 200 trabalhadores

*Noruega. Ministro demite-se após visita ao Irão


*"Esses fanáticos dos direitos dos animais não sabem nada de natureza"



Esta É A Frase

Nos últimos tempos, o PSD passa mais tempo a dar cabo do PSD do que é natural, apesar de ser o PSD, famoso pela querela e o dramalhão. Uma doença atacou os dirigentes e candidatos a dirigentes. Esta doença tem manifestações exógenas e exóticas do género verbal. Entre elas, uma propensão para manifestar disponibilidade. Estou disponível. Faz lembrar a famosa frase de Marco Paulo quando a internet começou a dominar o mundo e a fazer vender canções. Então e a internet, Marco Paulo? O que pensa disso? “Se a internet me quiser, estou disponível.”

Clara Ferreira Alves, Expresso 

O Estado Em Que Se Encontra O Sector Dos Transportes Em Porugal

Tirando as autoestradas (e isso resulta do facto de muitas autoestradas não terem trafego suficiente que as justifiquem – o que significa que se investiu muitos recursos em ativos de baixa eficiência), parece que todos os outros setores estão numa situação muito difícil.
A ferrovia é o caos que se vê. Muitos comboios parados e com horários suprimidos. Viagens mais prolongadas. Greves. E no comboio urbano uma situação muito difícil na linha de Sintra, mas explosiva na linha de Cascais. A linha de Cascais é neste momento um risco elevado para quem nela circula. A isto junta-se o caos no metropolitano de Lisboa, com atrasos, permanentemente cheio, tornando-se um problema nas horas de ponta de manha e tarde.
O aeroporto de Lisboa apresenta falhas ao nível do tempo que se demora a embarcar/desembarcar. Isto resulta do elevado crescimento dos últimos anos. Do novo aeroporto no Montijo há apenas ainda boas intenções e projetos, mas, ao fim destes anos todos, a Força Aérea ainda nem sequer saiu de lá. Pior, ainda nem sequer se sabe para onde vai a Força Aérea.
Naturalmente, isto envolve dois dos ministros mais incompetentes deste governo (Defesa e Transportes, que junto com o da Educação, Saúde, Ensino Superior. Ambiente e Administração Interna compõem o lote de piores ministros deste governo).
A TAP, onde o Estado recuperou 50% do capital sem que se perceba a razão estratégica e os contornos do negócio, tem cada vez mais atrasos e uma ponte aérea Lisboa-Porto que simplesmente é caótica nos horários.
Nos portos, não vemos qualquer avanço, sem que se perceba qual a visão estratégica para o conjunto dos portos nacionais e para o único porto de águas profundas (Sines).
Tudo isto ocorre não porque não haja recursos. Naturalmente, os recursos são escassos e haverá restrições. Mas o que existe é uma má alocação de recursos. Por uma razão simples. Nunca a nível politico se definiu para o médio e longo prazo uma visão estratégica para o setor dos transportes.
Joaquim Miranda Tavares, ECO 

Não Somos Apenas O Que Pensamos Ser

                                                                                  AquaSixioCyril Rolando                                                                                     
"Não somos apenas o que pensamos ser. Somos
mais: somos também o que lembramos e aquilo
de que nos esquecemos. Somos as palavras
que trocamos, os enganos que cometemos,
os impulsos a que cedemos sem querer"

Sigmund Freud

domingo, 12 de agosto de 2018

Notícias Soltas

*Mais de 200 bombeiros combatem chamas na Sertã, em Castelo Branco








Lisboa, Hoje, É O Destino

Hoje Lisboa é o destino da moda e o melhor destino do Mundo. Os ‘liners’ repletos de turistas sobem o Tejo com um perfil imperial. Os aviões são manchas negras no Sol. Entrar em Lisboa é regressar a parte de uma Europa remota e esquecida, um estranho aglomerado onde se cruza o Norte de África com o Médio Oriente, o Islão com a Cristandade, Roma com Cartago e a Grécia. Lisboa resulta num lugar exótico, um exotismo cosmopolita à maneira do Cairo antes da Primavera Árabe. É fácil imaginar Agatha Christie nas ruas de Lisboa como se fossem as ruas de Aleppo, na Síria, no início do século XX, e a escrever “Crime no Expresso do Oriente” no quarto 203 do Hotel Baron.

Nas estatísticas, Lisboa recebe por ano entre 4,5 e 6 milhões de turistas, tem um ratio de 9 turistas por cada residente e exibe uma densidade de 300 turistas/km2. 

A última vez que Lisboa conheceu um tão grande afluxo de gente foi em 1940, quando os judeus da Europa encontraram na cidade o último portão aberto do imenso campo de concentração do Continente. Estima-se que entre 1940 e 1941 cerca de 100.000 pessoas conseguiram chegar ao purgatório pacífico garantido pela neutralidade portuguesa na II Guerra Mundial. Nesses dias varridos da memória nacional, a Baixa repleta de gente era o centro cosmopolita da cidade, com os cafés cheios em que língua mais falada era o alemão e o eléctrico 28 subia para a zona da Estrela alimentado pela energia eléctrica do polaco que se falava a bordo. Encalhado no extremo da Europa, Saint-Exupéry referia-se a Lisboa como um “paraíso claro e triste” que “sorria com um sorriso um pouco pálido”. A Guerra acabou, tudo passou, nada ficou.

(Excertos do artigo de Carlos Marques Almeida, ECO)

A Visão É ...

"A visão é o tacto do espírito." 

Fernando Pessoa 

sábado, 11 de agosto de 2018

Notícias Soltas

*Tabu de Marcelo: diz que não faz mais campanhas “se Deus quiser”; e recandidatura “está nas mãos de Deus”



O Combate Aos Incêndios Não Se Faz Sem Populações Nem Contra As Populações.Faz-se Com As Populações

A ordem é clara: não perder uma vida humana, custe o custar, arda o que arder. Não pode haver vítimas mortais!
E esta ordem foi dada pelo comando - claramente pelo poder político, com o primeiro-ministro à cabeça e com o natural assentimento do Presidente da República - e foi rigorosamente cumprida pela cadeia de comandados.
Com evidente excesso de zelo.
Porque o combate ao fogo, no caso de Monchique, ficou claramente prejudicado.
Os testemunhos de algarvios, de residentes e de turistas - mesmo descontando os naturais e emotivos exageros - são esclarecedores. Com o fogo a consumir a serra de Monchique e a ganhar contornos de descontrolo, os militares da GNR e os bombeiros preocuparam-se quase exclusivamente em evacuar as pessoas das zonas de risco ou de potencial risco para as suas vidas.
Confesso que não percebo nada de incêndios, nem de combate ao fogo.
Mas também confesso que ver militares da GNR e bombeiros em correria e berraria a arrombar portas e a entrar pelas janelas para obrigar o povo a abandonar as suas casas e o povo bem mais calmo a deitar mãos às mangueiras e aos baldes para defender as suas coisas faz-me muita confusão.
Porque, mesmo não percebendo nada de fogos, todos sabemos que os incêndios não se combatem sem as populações nem contra as populações. Combatem-se com as populações.
 É bom que a prioridade das prioridades seja salvar as vidas humanas - e não voltem a repetir-se as tragédias de 2017.
Mas também é bom que as populações saibam que podem confiar no Estado e nas autoridades e nas cadeias de comando, quer do poder político quer em particular da Proteção Civil, para defender o seu património e o do Estado. Se todos desatarem a fugir aos primeiros sinais de fumo...
A obrigação de qualquer cidadão em condições de contribuir para a defesa do seu património, do do vizinho e da respublica é dar o seu contributo na medida das suas possibilidades, não é fugir nem abandonar o vizinho ou deixar de dar apoio e ajuda às autoridades e aos bombeiros.
No ano passado, a maioria das mortes, infelizmente, resultou de pessoas em fuga desesperada, isoladas ou deixadas à sua sorte.
O plano de entregar o combate aos incêndios florestais e rurais a bombeiros profissionais, colocar os bombeiros voluntários a prestar auxílio às populações e os militares na coordenação das operações parecia conduzir no bom caminho.
 Mas o incêndio de Monchique e o descontrolo no comando e na coordenação de meios (o fogo chegou a estar dado como praticamente controlado por diversas vezes, acabando por reentrar em descontrolo repetidas vezes) provou que entre a estratégia anunciada e a sua operacionalização ainda vai longa distância.
Na verdade, continuam a existir ‘vacas sagradas’ que têm tanto de experiência nesta matéria dos incêndios como historial de insucessos e erros crassos no seu combate.
E o poder político, pactuando ou fechando os olhos, quando não mesmo rasgando-lhes elogios para procurar amenizar as suas próprias deficiências e incapacidades, só agrava a desconfiança.
Em Monchique, seja por coincidência seja por outro motivo qualquer, o incêndio descontrolado deixou de ser preocupante dois dias após o comando nacional ter tomado as rédeas do teatro das operações. Por que o fez apenas e só ao fim de cinco dias é que ficou por explicar. Por que deixou o comando entregue a quem já tinha confessadamente falhado em 2012 com consequências igualmente dramáticas, também não tem explicação.
 Marcelo Rebelo de Sousa, de mochila às costas e vagueando de praia fluvial em praia fluvial, não se cansou de elogiar o trabalho da Proteção Civil nos incêndios deste ano. Incluindo com Monchique a arder descontroladamente.
Ficou só agora a saber-se que a Comissão Independente que investigou e analisou os incêndios de Pedrógão Grande teceu críticas ao Presidente da República e a outros altos titulares de cargos políticos por terem ‘invadido’ o teatro das operações e prejudicado as operações de comando.
Era evidente. Como evidentes são muitos outros erros que se repetem. 
Como quando a um Presidente tranquilo se junta um primeiro-ministro que, sempre otimista e pragmático (mas desta vez precipitado), esperou por um momento em que julgava já ter tudo sob controlo para proferir mais uma série de declarações infelizes - como parece ser seu apanágio quando sob a pressão dos incêndios.
O Presidente da República não precisa de meter-se no meio da serra a arder, mas também não precisa de aparecer de mochila, calções e polo a condizer, desdramatizando o que, mesmo sem vítimas mortais, não deixa de ser dramático. E mais dramático se torna quando as autoridades, zelosas cumpridoras das ordens superiores, entram em desvario e descontrolo.
Tudo isto é triste e, pior, parece ser nosso fado.
Mário Ramires, SOL

E Se Este Mundo ...

"E se este mundo for o inferno de outro planeta? "  

Aldous Huxley