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domingo, 16 de janeiro de 2022

A Arte De Ser Sábio


'A arte de ser sábio é a arte de saber o que ignorar'

(William James)

Notícias Ao Fim Da Tarde

O Músculo Cardíaco Pode Continuar A Morrer Mesmo Após A Artéria Coronária Culpada Ser Aberta


Reperfusão

Médicos estão contestando os métodos de tratamento padrão usados para prevenir danos ao músculo cardíaco durante um ataque do coração.

Os ataques cardíacos ocorrem quando o vaso sanguíneo que fornece oxigênio ao músculo cardíaco - também conhecido como artéria coronária - é repentinamente bloqueado. Em pacientes com ataque cardíaco, a quantidade de músculo cardíaco irreversivelmente danificado está diretamente ligada ao tempo decorrido entre o início dos sintomas do infarto e o momento em que o bloqueio é desfeito.

Maiores danos significam maior risco de complicações, como insuficiência cardíaca, após o ataque. Portanto, o tratamento de ataques cardíacos se concentra em abrir as artérias coronárias o mais rápido possível por meio de um procedimento chamado reperfusão - geralmente com um stent.

O protocolo padrão na terapia de reperfusão estabelece que, assim que as artérias coronárias são abertas, o dano ao músculo cardíaco é interrompido.

O que se descobriu agora é que nem sempre as coisas acontecem assim, e que os médicos podem agir de modo diferente para evitar danos adicionais ao coração do paciente.

"Em nosso trabalho, nós demonstramos que, se a reperfusão resultar em sangramento interno - ou hemorragia - dentro do músculo cardíaco, o músculo cardíaco pode continuar a morrer mesmo após a artéria coronária culpada ser aberta," explica o Dr. Rohan Dharmakumar, da Universidade de Indiana, nos EUA. "Sabe-se que a hemorragia ocorre no músculo cardíaco em cerca de metade de todos os pacientes com ataque cardíaco que se submetem à reperfusão. Procuramos determinar que efeito esse sangramento interno tem no dano progressivo do músculo cardíaco após a reperfusão."

Quando o tratamento faz mal

Dharmakumar e sua equipe estudaram amostras de sangue de pacientes com ataque cardíaco obtidas antes e depois de receberem a terapia de reperfusão. Usando ressonância magnética cardíaca (MRI cardíaca), eles identificaram de forma não invasiva quais pacientes apresentaram hemorragia no músculo cardíaco após a reperfusão.

A equipe descobriu que uma proteína, chamada troponina, está diretamente envolvida com os danos ao músculo cardíaco: Nos pacientes com hemorragia do músculo cardíaco, os valores da troponina aumentaram mais rapidamente, atingindo valores mais elevados quando comparados aos pacientes sem hemorragia.

A equipe também usou um grande modelo animal para provar que a hemorragia está diretamente envolvida na extensão dos danos do infarto após a reperfusão. Para isso, eles fizeram MRIs cardíacas em série, rastreando em tempo real o tamanho do infarto em animais com e sem hemorragia.

Em resumo, o tamanho do infarto não é determinado apenas pelo suprimento restrito de sangue ao coração, mas também pelos efeitos da própria terapia de reperfusão, devido à geração da hemorragia. A introdução de hemorragia na área de risco pode, em alguns casos, anular totalmente os benefícios da terapia de reperfusão, disse Dharmakumar.

Por isso, o pesquisador afirma que os médicos precisam ter consciência do papel que a reperfusão pode desempenhar na morte muscular contínua, fornecendo um tratamento melhor aos pacientes no futuro.

"Isso tudo significa que, embora possamos não ser capazes de fazer muito quando se trata de perda de tempo antes de um paciente chegar ao hospital, minimizar os efeitos da hemorragia após a reperfusão pode nos dar uma nova oportunidade de reduzir o tamanho do infarto, e a jusante consequências negativas," disse Dharmakumar.

Artigo: Intramyocardial Hemorrhage and the Wave Front of Reperfusion Injury Compromising Myocardial Salvage
Autores: Ting Liu, Andrew G. Howarth, Yinyin Chen, Anand R. Nair, Hsin-Jung Yang, Daoyuan Ren, Richard Tang, Jane Sykes, Michael S. Kovacs, Damini Dey, Piotr Slomka, John C. Wood, Robert Finney, Mengsu Zeng, Frank S. Prato, Joseph Francis, Daniel S. Berman, Prediman K. Shah, Andreas Kumar, Rohan Dharmakumar
Publicação: Journal of the American College of Cardiology
Vol.: 79 (1): 35
DOI: 10.1016/j.jacc.2021.10.034

via DS


A Imaginação


A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, 
inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, 
as mais delas, capaz de engolir campanhas e campanhas, 
correndo...

(Machado de Assis)

sábado, 15 de janeiro de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

Vivemos O Momento De Maior Conflitualidade Dentro Da Justiça

De: António Barreto
Parece que, na história recente do país, vivemos o momento de maior conflitualidade dentro da justiça. Já conhecemos implicações sérias nas relações entre a Justiça e a política, entre a Justiça e o governo, entre a Justiça e os grandes grupos económicos. Trata-se de relações complexas, feitas ora de aversão ora de cumplicidade. Neste universo controverso, sempre houve de tudo. Ou sempre se suspeitou de tudo. Dos mais baixos interesses materiais e dos mais elevados interesses políticos. De interferências cristãs ou maçónicas. De favores prestados a partidos ou a clubes de futebol.

É aliás curioso ver como o segredo de justiça se transformou num mecanismo de defesa dos magistrados e dos poderosos. As fugas de informação e as violações do segredo de justiça estão entre os factores mais referidos como deficiências da justiça. O problema é que fugas e violações têm uma origem. E autores. Sempre foi claro que não há fugas nem violações sem responsabilidade dos agentes de justiça. Dos magistrados. Dos oficiais de justiça. Dos advogados. Mas o mais certo é que se trate da responsabilidade dos magistrados. Ou porque assim entendem e têm algo a ganhar com isso. Ou porque não tomaram as precauções necessárias para evitar as fugas e as violações. São responsáveis por acção ou por omissão. Por vontade própria ou por incompetência.

Teria sido importante que a campanha eleitoral se tivesse debruçado seriamente sobre a justiça e os seus defeitos. Os partidos deveriam ter agido sem medo de invadir territórios alheios e sem receio de serem acusados de ataque à independência dos magistrados. A justiça jamais se reformará a ela própria. Ainda por cima, sabendo nós que os magistrados estão praticamente em guerra.

Será que os responsáveis políticos, os dirigentes do Estado, os principais magistrados não percebem, não sentem, não se dão conta do que se está a fazer ao país e à população? Com esta demonstração de incompetência, de covardia, de partidarismo e de parcialidade, está a causar-se um dano irreversível, perene ou de longa duração ao estado moral da população, à confiança do povo na justiça e nas instituições. Será que não percebem que a população perde a confiança, perde o sentido moral da vida colectiva, perde a dimensão ética da vida política?

(Excertos do texto de António Barreto no Público, (via Sorumbático)

Sentes, Pensas E Sabes Que Pensas E Sentes


Dizes-me: tu és mais alguma cousa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm idéias sobre o mundo?

Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
Porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as cousas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é a real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço idéias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Tanto posso dizer que sou superior a elas por isto,

Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, "é uma pedra",
Digo da planta, "é uma planta",
Digo de mim, "sou eu".
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?

(Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase

Nunca vi uma pré-campanha com tanto facciosismo como esta, e os culpados são, sem qualquer margem para dúvidas, as televisões que gastaram mais tempo com as análises aos debates do que propriamente às ideias de cada um dos candidatos. Nada disto seria “anormal”, não fosse o facto de as televisões, na sua maioria, terem escolhido comentadores que são mais facciosos do que os candidatos. Como é possível terem ido ao baú do jornalismo, e não só, buscar personagens para perorarem sobre a prestação dos candidatos, quando muitos dos comentadores são mais papistas do que o Papa?   (Vítor Rainho Ji)    (ler aqui texto completo)

O Segredo É Não Correr Atrás


O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim para que elas venham até você.

(Mário Quintana)