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domingo, 17 de setembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

Antioxidantes Estimulam Crescimento De Tumores E Metástases

[Imagem: Stefan Zimmerman]

Antioxidantes do mal

Talvez tenha se acostumado a ouvir que os antioxidantes são "tudo de bom" e que você deve ingeri-los o mais que puder - esta, pelo menos, tem sido a mensagem largamente difundida por cientistas, nutricionistas, médicos e pela imprensa em geral.

O que você talvez não saiba é que os antioxidantes não são uma unanimidade entre os cientistas, com vários alertas sendo feitos nos últimos anos de que a ciência dos radicais livres e dos antioxidantes é muito mais complexa do que é diariamente passado pela mídia - o que a ciência diz é: Cuidado com os antioxidantes.

Para saber mais a respeito desses alertas, veja a lista de reportagens ao final deste artigo.

Enquanto isso, Ting Wang e colegas do Instituto Karolinska, na Suécia, acabam de publicar uma nova pesquisa que mostra que a vitamina C e outros antioxidantes estimulam a formação de novos vasos sanguíneos nos tumores de câncer de pulmão.

A descoberta corrobora a ideia de que suplementos dietéticos contendo antioxidantes podem acelerar o crescimento tumoral e a metástase.

"Nós descobrimos que os antioxidantes ativam um mecanismo que faz com que os tumores cancerígenos formem novos vasos sanguíneos, o que é surpreendente, uma vez que se pensava anteriormente que os antioxidantes tinham um efeito protetor," disse o professor Martin Bergö, coordenador da equipe. "Os novos vasos sanguíneos nutrem os tumores e podem ajudá-los a crescer e se espalhar."

Como os antioxidantes ajudam a desenvolver o cancro

Os antioxidantes neutralizam os radicais livres de oxigênio, que podem danificar o corpo se estiverem em excesso. Isso causou uma proliferação de antioxidantes em suplementos dietéticos, mas doses excessivamente elevadas de ambos tornam-se prejudiciais.

"Não há necessidade de temer os antioxidantes nos alimentos normais, mas a maioria das pessoas não precisa de quantidades adicionais deles," destaca o professor Bergö. "Na verdade, eles podem ser prejudiciais para pacientes com câncer e pessoas com risco elevado de câncer."

A mesma equipe já havia descoberto anteriormente que antioxidantes, como as vitaminas C e E, aceleram o crescimento e a disseminação do câncer de pulmão, estabilizando uma proteína chamada BACH1. A BACH1 é ativada quando o nível de radicais livres de oxigênio cai, o que acontece, por exemplo, quando antioxidantes extras são introduzidos através da dieta ou quando mutações espontâneas nas células tumorais ativam antioxidantes endógenos.

Agora os pesquisadores conseguiram demonstrar que a ativação da BACH1 induz a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese). Embora se saiba que baixos níveis de oxigênio (hipóxia) são necessários para que a angiogênese ocorra em tumores cancerígenos, o novo mecanismo identificado pelos pesquisadores demonstra que os tumores também podem formar novos vasos sanguíneos na presença de níveis normais de oxigênio.

O estudo também mostrou que a BACH1 é regulada de forma semelhante à proteína HIF-1α, um mecanismo que ganhou o Prêmio Nobel de Medicina de 2019 e que permite que as células se adaptem às mudanças nos níveis de oxigênio. Esta nova pesquisa mostra que a HIF-1α e a BACH1 trabalham juntas nos tumores.

"Muitos ensaios clínicos avaliaram a eficácia dos inibidores da angiogênese, mas os resultados não foram tão bem-sucedidos quanto o esperado," conta Ting Wang. "Nosso estudo abre a porta para formas mais eficazes de prevenir a angiogênese em tumores; por exemplo, pacientes cujos tumores apresentam níveis elevados de BACH1 podem se beneficiar mais da terapia antiangiogênese do que pacientes com níveis baixos de BACH1."

Alertas sobre o excesso de antioxidantes

Veja abaixo algumas reportagens publicadas pelo Diário de Saúde mostrando os efeitos danosos que podem ser induzidos pelo consumo exagerado de antioxidantes:

  • O que a ciência diz é: Cuidado com os antioxidantes
  • Chá verde faz bem por causa do efeito oxidante, e não antioxidante
  • Antioxidantes ajudam câncer a se espalhar pelo corpo
  • Antioxidantes fazem câncer de pele se espalhar mais rápido
  • Antioxidantes podem fazer mal ao sistema cardiovascular
  • Antioxidante demais pode fazer mal às células-tronco
  • Como os antioxidantes aceleram o câncer
  • Preste atenção: radicais livres retardam envelhecimento, antioxidantes aceleram envelhecimento
  • Antioxidantes não têm poderes mágicos e podem fazer mal
  • Descobridor do DNA: "Antioxidantes não retardam envelhecimento e podem causar câncer"
  • Esqueça (quase) tudo que você sabe sobre oxidantes e antioxidantes
  • Antioxidantes não retardam envelhecimento, afirmam cientistas
  • Veja abaixo reportagens sobre a eliminação exagerada dos radicais livres:
Como os radicais livres nos protegem contra o cancro

  • Radicais livres são bons para o cérebro
  • Radicais livres nem sempre estão associados ao envelhecimento
  • Radicais livres são benéficos para cura de ferimentos
  • Radicais livres controlam força das batidas do coração
  • Radicais livres podem ter efeito antienvelhecimento
  • Radicais livres são essenciais para os movimentos musculares
  • Checagem com artigo científico:
Artigo: Antioxidants stimulate BACH1-dependent tumor angiogenesis

Autores: Ting Wang, Yongqiang Dong, Zhiqiang Huang, Guoqing Zhang, Ying Zhao, Haidong Yao, Jianjiang Hu, Elin Tüksammel, Huan Cai, Ning Liang, Xiufeng Xu, Xijie Yang, Sarah Schmidt, Xi Qiao, Susanne Schlisio, Staffan Strömblad, Hong Qian, Changtao Jiang, Eckardt Treuter, Martin O. Bergo

Publicação: The Journal of Clinical Investigation

Boa Noite !


 

sábado, 16 de setembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (198)

O PS criou um apoio para os manuais escolares e depois foi, em sucessão, exigente, leniente, implacável, flexível e desistente. Somos governados assim e não vale a pena esperar coisa diferente.    (Miguel Pinheiro, OBSR)

Sombrio Destino , Este Jeito Tão Nosso De Nos Habituarmos A Tudo

   
Será realmente verdade que nos habituamos a tudo? Ao bem e ao mal, sobretudo a este último? Será real esta triste sina? Será verdadeira esta maldição que nos diz, em resumo, que nos habituamos, que deixamos correr, que acabamos por considerar um mal necessário, que estimamos que não há nada a fazer, que temos a certeza de que poderia ter sido pior…?

Será sempre assim, como com as ruas de Lisboa, que acabamos por considerar normais e até em estado razoável? Com estas ruas sujas, mal varridas, com lixo nos passeios, restos de obras por todo o lado, buracos na calçada e no piso, móveis velhos, erva daninha nos passeios, sarjetas entupidas, fios eléctricos e de telefone pendurados nas casas e nos telhados…. É inevitável? Terá de ser sempre assim? Não conseguimos fazer melhor? Habituámo-nos de tal maneira que já nem sequer vemos ou sentimos o que está diante de nós, que pensamos que é inevitável, que é normal, que nem tudo se faz num dia?

É forçoso que, há décadas, não haja praticamente início de ano lectivo sem furos nos horários, sem falta de professores e sem obras inacabadas? É realmente impossível impedir que haja dezenas, centenas ou milhares de professores colocados ao Deus dará, a dezenas ou centenas de quilómetros de casa, longe dos filhos, dos maridos e das mulheres, em quartos esquálidos, sem sala de estar nem mesa de trabalho? Não é possível prever, com antecedência, a colocação de professores com algum sentido humano, a fim de permitir, não privilégios ou benesses, mas tão simplesmente uma vida asseada, com algum repouso que ajude ao trabalho pedagógico? O facto de Portugal ter quase eliminado o analfabetismo, com 150 anos de atraso, é suficiente para considerarmos normal esta miséria pedagógica, este atropelo
administrativo, este permanente desaire escolar, este constante desatino educativo?

É inevitável que as administrações escolares e sanitárias não sejam capazes de prever a demografia dos professores e dos médicos, dos enfermeiros e dos alunos, dos auxiliares e dos estudantes, a fim de antecipar a reforma, a mudança de gerações e a mobilidade espacial? Temos mesmo de nos habituar a esta vida indigente em que faltam professores, médicos e enfermeiros? É normal que quantos mais médicos e professores há, mais faltam?

Estaremos de tal modo intoxicados que acabamos por considerar normal que as administrações não consigam prever as necessidades de profissionais, de mão de obra, de técnicos, de especialistas, designadamente de médios e professores? A resignação é de tal modo fatal que somos incapazes de reagir ao número crescente de emigrantes, de técnicos, de especialistas e de universitários que se vão embora com a certeza de terem sempre melhores oportunidades, mesmo se à custa do sacrifício das migrações?

Será que vivemos em paz e dormimos tranquilos quando sabemos, sem qualquer dúvida, que há milhares de asiáticos, de árabes, de africanos e de latino-americanos a serem explorados nas piores condições imagináveis, nos endereços “marados” e de conveniência, nas plantações inexistentes, nas estufas de ficção e nas empresas de fantasia?

Vivemos em paz quando tomamos conhecimento de que em muitos endereços disfarçados há, num quarto ou num rés-do-chão, dezenas de domicílios fantasma, para enganar os serviços de estrangeiros e de identidade que se querem deixar enganar? Somos capazes de passear à beira-rio, em tranquilidade, sabendo que àquela mesma hora centenas ou milhares de asiáticos, em condições confrangedoras, trabalham nas culturas forçadas, fazem vindimas pela noite fora, arrancam cortiça, trabalham no tomate, na flor e na batata, em condições simplesmente inaceitáveis e condenadas por todos os tratados e convenções internacionais que Portugal subscreveu?

Temos mesmo de nos habituar a ouvir ministros, vizinhos da imbecilidade, garantir que estamos a viver melhor do que há 50 anos, que estão a ser preparados planos, que os prolemas estão identificados, que as situações mais graves estão sinalizadas, que as estratégias estão a ser preparadas, que novos grupos de trabalho estão a ser criados, que novos recursos financeiros vão ser libertados, que estão todos a trabalhar a fim de que as filas de espera nos hospitais diminuam, que os professores vão ser colocados, que as escolas vão abrir a tempo e horas, que os professores não ficarão a saltar de casa em casa e de região em região durante cinco, dez, quinze anos?

Apesar de haver mais de uma centena de Observatórios, digo bem, uma centena, para tudo quanto existe à face da terra, Migrações, Saúde, Educação, Racismo, Transportes, Descentralização, Pobreza, Desigualdade, Estrangeiros, Envelhecimento ou Nascimentos, apesar disso, estamos mesmo condenados a nunca acertar nas previsões, nunca colocar professores a horas, nunca formar médicos a tempo, nunca contratar enfermeiros suficientes, nunca construir residências universitárias que bastem e nunca julgar criminosos a tempo? Temos de nos resignar a esta espécie de DNA fatal das autoridades políticas portuguesas que consiste na incapacidade de prever, na impossibilidade de agir a tempo e na dificuldade em preparar profissionais e recursos?

Será que nos habituámos de tal modo à incompetência, à ineficiência e à desigualdade que já não reagimos aos atrasos da justiça, aos anos e anos de espera por que um rico, um político, um malandro ou um poderoso sejam julgados?

Será razoável habituarmo-nos às filas de espera diante das lojas do cidadão, das repartições de finanças, dos serviços de segurança social e de outras repartições da educação, da saúde e da justiça, de Verão e de Inverno, com chuva ou com sol, como cidadãos ordeiros e contribuintes obedientes?

Somos obrigados a aceitar como hábito este desaustinado caminho em que se produz pouca riqueza, em que se cria pouca empresa e se melhora pouco, mas onde, à falta de fazer mais e melhor e na impossibilidade de ter casa e comboio, escola e hospital, distribuem-se vales e bónus? Temos mesmo de nos habituar a crescer devagar, a desenvolver lentamente e a melhorar pouco, tão pouco? Temos de nos contentar com pouco, menos do que os outros? Temos de ficar satisfeitos e gratos com o melhor do que nada? Mesmo?

Má sorte a de sermos um país pobre e pequeno! Triste sina a de sermos mal governados! Sombrio destino o desta estranha forma de vida tão cheia de pobreza e de resignação! E, pior que tudo, este jeito tão nosso de nos habituarmos a tudo!

(António Barreto, Público)

Nota: Leram este texto, está lá tudo, só não vê quem anda anestiado. O pior ainda está para vir. Qualquer Governo que venha substituir o vigente vai ter um trabalho hecúleo para endireitar o que o vigente estragou e somos nós que vamos  mais uma vez pagar o descalabro desta maioria absoluta.

Meu Ser Evaporei Na Luta Insana

 

Meu ser evaporei na luta insana
Do tropel de paixões que me arrastava:
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quase imortal a essência humana!

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos

Deus, ó Deus!… quando a morte a luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage 

(foi um poeta nacional português e, 
possivelmente, o maior representante do arcadismo lusitano)

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (197)

Como se já não bastasse um pacote Mais Habitação que transforma o Estado no centro de tudo — constrói, subarrenda, arrenda, compra e pelo meio ainda está disponível para ser uma espécie de Remax pública –, muda regras, cria instabilidade e desconfiança.  (António Costa, ECO)

O INE aponta que a partir de 1 de janeiro de 2024, os senhorios podem aumentar o valor da renda até 6,94%. É aumento que decorre da lei. Mas a lei só serve quando dá jeito, quando não dá, muda-se à medida. O Governo travou o aumento das rendas a 2% em 2023 e, tudo indica, fará o mesmo em 2024.

O Governo fica bem na fotografia junto de inquilinos que, como outros cidadãos, estarão pressionados pela perda de rendimentos. É uma ilusão. E, ao contrário do que se possa supor, não prejudica apenas os ‘malvados’ dos proprietários.

Conte O Seu Jardim Só Por Suas Flores E ...


Conte seu jardim só por suas flores e
nunca pelas folhas caídas no chão.
E a vida pelas horas mais felizes
e não pela escuridão.
Conte suas noites pelas estrelas,
nunca pelas sombras que vão deixar.
E a vida pelos encantos dos sorrisos
não pelo seu chorar.
Viva a vida com alegria! contando-a não pelos seus dias
mas pelo bem que conseguiu realizar.