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domingo, 1 de outubro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde


A Frase (211)

Sem informação o mercado [habitação) não funciona. Sem políticas públicas o problema não se resolve.    (Jorge Fonseca de Almeida, DV)

Sabemos por certo da dificuldade dos jovens e das classes populares em aceder à habitação própria ou ao arrendamento. Sabemos das casas sobrelotadas em que vivem centenas de milhares de portugueses, das casas degradadas/barracas em que vivem mais outras centenas de milhares de pessoas. Mas estatísticas detalhadas, essas não temos.

O mercado de habitação para as classes populares e para as classes médias (que em Portugal têm um rendimento inferior ao salário mínimo da generalidade dos países europeus).

Para estes segmentos de mercado só há uma solução - a construção pública, quer para venda quer para arrendamento. Porque se não avança para esta solução?

O Estado tem vindo a acumular superavits orçamentais sucessivos. O Estado possui vastas parcelas de terra em todos os concelhos. Dispõe também de edifícios públicos abandonados que ocupam vastas áreas. Tem a terra e o dinheiro. Possui as capacidades técnicas e pode contratar a mão-de-obra. Tem todos os instrumentos necessários para lançar um vasto Plano Nacional de Habitação que em cinco anos elimine grande parte das carências das classes populares e das classes médias.

Um tal plano ajudaria também a revitalizar várias indústrias quer a montante, materiais de construção, tintas, etc., quer a jusante, indústria do mobiliário, etc., da construção propriamente dita.

É importante avançar. Faz-se tarde. (texto completo)

Razão, Não A Faculdade De Raciocinar ...


sábado, 30 de setembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde


A Frase (210)

Os dirigentes europeus têm o hábito de desvalorizar os problemas. É o que eles entendem por acalmar os espíritos. Mas esta maneira olímpica de considerar que graves são os problemas a longo prazo, como as alterações climáticas, para os quais tudo é urgente e nada imediato, pode levar facilmente ao desastre.   (António Barreto, Público, via Jacarandá)

Os dirigentes europeus não conseguem encontrar o seu caminho. A resposta não é “mais burocracia europeia”, “mais fundos de coesão”, “mais indemnizações e subsídios” … Já se percebeu que esses argumentos, válidos durante décadas, não valem o que valiam. Parece evidente que só respostas que preservem o espírito nacional e as tradições culturais, em combinação com a ideia europeia, terão o condão de interessar aos eleitorados descrentes.

Faz parte da ortodoxia considerar que o patriotismo é bom e o nacionalismo mau. O primeiro significaria amor à pátria e à comunidade, assim como solidariedade para com os seus iguais. Enquanto o nacionalismo, tendo o mesmo ponto de partida, a nação, significaria o sentimento de superioridade de uma comunidade de cultura e etnia, com exclusão de outras.

Uma Mentira

 
Uma mentira baralha tudo aquilo em que toca, desequilibra o mundo. É por isso que uma mentira precisa sempre de mentiras novas para se suster. O mundo não lhe dá cobertura. Para alcançar coerência, cada mentira requer a criação apressada de um mundo de mentira que a suporte. 

É assim que a mentira vai avançando pela verdade adentro, como uma toupeira cega a abrir túneis e câmaras no interior da terra. Quando se abre a boca para libertar uma mentira, a primeira, filha de nada que a justifique, nunca se consegue ter noção completa de onde chegará. Nesse momento, na inocência aparente, com voz de gatinho acabado de nascer, está a soltar-se um predador voraz, não há fronteiras marcadas para a sua fome. 
Uma mentira pode construir edifícios imensos, levantar cidades; uma mentira pode colocar em movimento milhares de pessoas, pode dar propósito a multidões incalculáveis, cada pontinho a ser uma cabeça com história; uma só mentira pode manter em cativeiro gerações inteiras de pessoas que ainda não nasceram, netos que os avós não são capazes de imaginar, ignorantes da mentira original que os domina.

(José Luís Peixoto)

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Costa trai a TAP para se livrar de uma chatice - Uma newsletter de Ana Sá Lopes em que a política vai a despacho.

Foi uma semana tão estranha, tão estranha, que até pareceu que o PSD não ganhou as eleições na Madeira com 43% dos votos. (Ana Sá Lopes, Público)

A Frase (209)

Assistimos a uma permanente desvalorização da causa pública, através dos mais absurdos exemplos de falta de respeito pela cultura, pelo património e pela qualidade de vida que se tem neste nosso país. (Bruno Bobone, DN)

Em prole da ideologia, estamos a retirar o respeito, o cuidado, a própria democracia e a liberdade aos que fazem parte dessa maioria tolerante, que aos poucos vão esquecendo a sua tolerância pela invasão que sentem na sua maneira de viver, pela falta de respeito pelas suas convicções e pela perda da qualidade de vida que estavam a conseguir criar e que desvanece à sua frente.

O que vejo hoje é já um caminho de perda em relação ao que tínhamos construído.É um momento que ainda permite acreditar num retorno ao caminho, mas em que é fundamental começar já a recuperar a essência do que foi a sociedade da democracia e da liberdade.

Perseverança

 
Não digas que o trabalho é desperdiçado,
Nem que o esforço falha ou parece, no fundo;
Não digas que aquele ao dever curvado
É um entre os tantos sonhos do mundo.

Pois não é em vão que em golpes seguidos,
Com pressa medida, em fragor crescente,
O mar actua nos rochedos batidos
E invade a praia, ruidosamente.

É certo que enfrentam suas investidas,
Do seu bater forte parecem troçar,
Esmagam com força as vagas erguidas
E em espuma fazem as ondas rasgar.

Mas ele bate e bate com força
Em dias, semanas, em meses e anos,
Até que apareça mossa sobre mossa
Que mostre seus gastos, pacientes ganhos.

E os anos passam, as gerações vão,
E menores se quedam as rochas cavadas;
Mas ele, com lenta e firme precisão,
Baterá na terra suas altas vagas.

Certo como o sol e despercebido
Como duma árvore é o seu crescer,
Trabalha, trabalha sem ser iludido
P'la tenaz imagem que se pode ver.

E quando o seu fim de todo obtém,
Em sonoro embate, p'ra fender, se lança,
Seu poder imenso ainda mantém
E, inda mais além, nas águas avança.

(Alexander Search, Heterónimo de Fernando Pessoa)