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domingo, 27 de abril de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (106)

Donald Trump quis redefinir a ordem política e económica, mas, por ora, são os EUA e o próprio que mais perdem.  O blitzkrieg do Presidente dos EUA destruiu uma ordem comercial com décadas, ameaçou os aliados mais próximos, trouxe o imperialismo para a Casa Branca, arrasou o soft power americano, desafiou a autoridade dos tribunais, atacou a independência das universidades e cortou o financiamento à ciência.   (André Veríssimo, ECO)

(...) O novo mundo de Trump é um regresso ao velho mundo. Seja o aumento brutal das taxas aduaneiras ou a expansão através da aquisição de novos territórios, é como se recuássemos ao século XIX. Agora é o Canadá e a Gronelândia, em 1803 foi o Louisiana, em 1819 a Florida ou em 1867 o Alasca.

Quase 100 dias depois, as bolsas contabilizam uma queda de 14%, o pior registo de um Presidente desde, pelo menos, 1928, emagrecendo o rendimento de muitos americanos.

Tão negativo para a economia como as medidas é a volatilidade com que são aplicadas. A incerteza sobre o que serão as regras no próximo mês ou na próxima semana paralisa a iniciativa económica.

Vida

Chega um momento na sua vida, que você sabe:
Quem é imprescindível para você,
quem nunca foi,
quem não é mais,
quem será sempre!

(Charles Chaplin)

sábado, 26 de abril de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Estas São As Frases

A pergunta é muito frequente: “O 25 de Abril cumpriu-se?”. A resposta é clara: sim! A frase é muito repetida: “O 25 de Abril não se cumpriu!”. O comentário é simples: Sim, cumpriu-se! 

Outra frase é parecida: “Falta cumprir o 25 de Abril!”. Não, não é verdade, não falta cumprir o 25 de Abril. 

Uma frase é também curiosa: “É preciso outro 25 de Abril!”. Não, não é preciso. Nem é possível. Está feito. (...) 

Sem esquecer a frase mais dramática, diante de qualquer desastre, atraso, incompetência, injustiça ou pobreza: “Foi para isto que se fez o 25 de Abril?”. Não, não foi para “isso” que se fez o 25 de Abril, foi para permitir a liberdade dos portugueses. 

 E lembrando também a sua versão mais vaidosa, reservada a certas pessoas: “Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril!”. Sim, foi para isso que fizeram o 25 de Abril, isto é, foi para o mal e o bem, a glória e a miséria, o erro e a bondade.

O 25 de Abril não tem herdeiros, nem legatários. Não tem testamenteiros nem proprietários. Não há fiscais do cumprimento do 25 de Abril. Não há sacerdotes da fidelidade aos princípios do 25 de Abril.

O 25 de Abril não pode servir como desculpa ou pretexto para todas as ideias políticas e sociais, para as injustiças e incompetências. O 25 de Abril não é culpado pelo mal que se fez, nem responsável pelo bem que se realizou.

O 25 de Abril não tem culpa do crescente desinteresse do Estado pelos serviços públicos. Isto é, não é por causa dele que os políticos e os partidos, sobretudo o PS e o PSD, deixaram a Justiça degradar-se e o SNS declinar.

O 25 de Abril não tem culpa na descolonização mal feita nem no tratamento infame infligido aos repatriados e retornados.

O 25 de Abril não provocou a emigração de centenas de milhares de portugueses, nem a imigração de centenas de milhares de estrangeiros. (...)

O 25 de Abril não é responsável pela permanente instabilidade das instituições políticas, pela sucessão de eleições antecipadas nem pelas repetidas dissoluções do Parlamento.

O 25 de Abril não é o autor nem o responsável pela persistência, na sociedade portuguesa, da corrupção, do favoritismo das cunhas e do nepotismo.

O 25 de Abril não tem responsabilidades no crescimento da mais forte corrente de demagogia que Portugal conheceu nos últimos vinte ou trinta anos e que é protagonizada pelo partido Chega…

 (António Barreto, Jacarandá, texto na íntegra aqui,vale a pena ler )

Nota: António Barreto obrigada por ser desde sempre a voz da razão que nos faz ainda acreditar que há alguém lúcido neste país ao qual muito tem dado sem nada pedir em troca. Bem Haja!

Começar De Novo ... Amanhã


 “Viver é simples e ser feliz é interior…porque complicar se estamos aqui para aprender e 
ensinar a amar…amar muito….sorrir sempre… sonhar com o raiar do sol, e quando 
a noite chegar, agradeçer ao nosso Deus pela chance de viver um novo dia e 
poder mudar, ensinar, aprender, começar de novo…   amanhã.”               

(Jade da Rocha)

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (105)

O berço da política eram a filosofia, o direito, a relação, o povo, a cultura... Hoje a política não tem berço, perdeu-se do seu nascimento, renega o passado, não nutre o presente e não pensa o futuro. (Leonor Gaião, OBSR)
 
Passadas duas semanas de debates, há muitas palavras que ficam no ouvido: “montenegrização”, “bandalheira”, “emigração”, “racismo”, “palacetes”, “crime”, “vergonha”, “mentira”, “fascismo”, “liberdade”, etc. Mas as palavras já não querem dizer nada, temos pressa de as colar aos lábios dos outros, temos pressa de catalogar as expressões mais caricatas, de encontrar os “chavões” da campanha.

A campanha faz-se na rede social. Desde o Chega ao Bloco de Esquerda, da AD ao PS, os partidos venderam-se às palavras baratas, às palavras sem conceitos. Nesta campanha eleitoral, nas redes sociais dos respectivos partidos, já vi música pimba, já vi influencers, já vi chocolate do Dubai, já vi violência gratuita, já vi programas da tarde, já vi demasiado.

Hoje tudo se faz para ver, mesmo as palavras fazem-se para comer com os olhos. Há um vazio de ideias, um vazio de conceitos, um vazio de raízes, um vazio do passado, um vazio na política. O berço da política eram a filosofia, o direito, a relação, o povo, a cultura… Hoje a política não tem berço, perdeu-se do seu nascimento, renega o passado, não nutre o presente e não pensa o futuro (...)
Os holofotes das televisões e dos telemóveis ofuscam o que está à volta e cada um quer um holofote maior, mais luz, mais atenção, mais, mais, mais. Vejam o que eu digo, aqui, na televisão, na rede, na caixa mágica, no retângulo luminoso. Vejam, comam, cheirem estas palavras cada vez maiores, mais barulhentas e mais vazias.

Soneto De Mim

Na quietude e silêncio do cerrado
dos pensamentos eu me desligo
e o sentimento se põe aí calado
esta é a emoção onde me abrigo

Num vazio do tempo desfolhado
da saudade, sair eu não consigo
sou o ressecado chão empoeirado
e d' alma em evasão sou mendigo

E é neste legado de um passado
que saudosar tornou-se castigo
e o castigo sacrossanto enfado

Assim, tudo o que trago comigo
é amor, apenas sou... um fado!
Que tentou ser primavero e amigo...

(Luciano Spagnol)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Eis A Questão

Se a RTP fosse uma empresa onde as produções fossem coordenadas e não existisse uma guerra de capelinhas, a pesquisa de António Faria e a visão de Gonçalo Madaíl seriam utilizadas para dar outra difusão à peça mais importante que a RTP tem para transmitir em mais este aniversário do 25 de Abril. Mas não, o documentário será estreado na RTP Memória, claro que ficará disponível na plataforma digital RTP Play e será transmitido, obviamente em data ainda não decidida, nessa aberração de programação que é a RTP3, que já é o menos visto de todos os canais informativos nacionais.

Sugiro que nos dias 25 e 26 de Abril vejam o novo documentário de António Barreto, “Rumo à Liberdade”, que está dividido em duas partes e que será emitido na RTP Memória nesses dias. O documentário mostra a visão de Barreto sobre o balanço do que aconteceu desde o 25 de Abril de 1974, uma ideia incómoda para muita gente que entende que “falta cumprir Abril”. 

António Barreto é claro sobre essa ideia: “É uma tolice absoluta. O que Abril tinha para dar está dado: democracia, liberdade, libertação dos presos políticos… tudo o resto é o processo social normal, são as nossas escolhas.” Esta ideia atrapalha muita gente, sobretudo à esquerda do PS, no Livre, no Bloco de Esquerda e no PCP. 

Dito isto convém elogiar o trabalho de dois quadros da RTP que permitiram, com o seu trabalho num caso, e a sua decisão noutro, que o documentário existisse: António Faria, um especialista na pesquisa dos arquivos da RTP desencantou as imagens que constituíram o alicerce do trabalho.

 Se a RTP fosse uma empresa onde as produções fossem coordenadas e não existisse uma guerra de capelinhas, a pesquisa de António Faria e a visão de Gonçalo Madaíl seriam utilizadas para dar outra difusão à peça mais importante que a RTP tem para transmitir em mais este aniversário do 25 de Abril. Mas não, o documentário será estreado na RTP Memória, claro que ficará disponível na plataforma digital RTP Play e será transmitido, obviamente em data ainda não decidida, nessa aberração de programação que é a RTP3, que já é o menos visto de todos os canais informativos nacionais. 

(Excertos do texto de falcão, A Esquina do Rio)