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domingo, 10 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (185)

Com maiorias variáveis nas diferentes votações, o TC mostrou no acórdão que, no essencial, ainda que não inteiramente, concordou com as acusações do PR. Não digo “dúvidas”, nem “suspeitas”. Digo acusações de desconformidade com a Constituição porque Marcelo, co-patrocinador político do estado a que as coisas chegaram em Portugal em matéria de migrações, pretende derrotar politicamente o Governo neste assunto. Anulado o poder de ameaçar o governo com dissoluções da AR, Marcelo arrastar-se-á até ao final do seu mandato para conservar estas relíquias do governo de Costa, sem glória pessoal, nem proveito nacional. Erro dele que julga que ainda está em 2016.   (Miguel Morgado, OBSR)
 
A maioria de juízes conselheiros esticou-se e retorceu-se, deu piruetas e saltos mortais, para garantir um resultado político.

Nota: Estava o país a analisar o rendilhado jurídico do chumbo da Lei de Estrangeiros quando se soube que 38 imigrantes desembarcavam duma embarcação no Algarve. O TC acabava de ser abalroado pela realidade  (Helena Matos, OBSR)

Cala-te

Cala-te, voz que duvida
e me adormece
a dizer-me que a vida
nunca vale o sonho que se esquece.

Cala-te, voz que assevera
e insinua
que a primavera
a pintar-se de lua
nos telhados,
só é bela
quando se inventa
de olhos fechados
nas noites de chuva e de tormenta.

Cala-te, sedução
desta voz que me diz
que as flores são imaginação
sem raiz.

Cala-te, voz maldita
que me grita
que o sol, a luz e o vento
são apenas o meu pensamento
enlouquecido….

(E sem a minha sombra
o chão tem lá sentido!)

Mas canta tu, voz desesperada
que me excede.
E ilumina o Nada
Com a minha sede.

(José Gomes Ferreira)

sábado, 9 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Nós Não Vemos O Mundo Como Ele É, Mas Como Nós somos ...


 “Não descrevemos o mundo que vemos, vemos o mundo que podemos descrever” (Descartes)

Às vezes, faltam-nos palavras para expressar o que vemos e sentimos. Essa expressão é útil para pensar o quanto há de real no mundo e o quanto acrescentamos ao que é percebido. O filósofo diz-nos que os nossos conceitos influenciam a forma como apreciamos o que nos rodeia.

Nota:  René Descartes (1596-1650) foi um filósofo e matemático francês do século XVII. Suas contribuições foram decisivas para o desenvolvimento da ciência como um todo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Está A Acontecer

Portugal não precisa de histeria legislativa nem de reformas feitas por manchete. Precisa de coragem, rigor e medidas que melhorem a vida das pessoas. E nisso o anteprojeto de leis laborais não falha. Não, a parentalidade não acabou. Mas talvez a seriedade política esteja em vias de extinção.    (Isaura Morais, OBSR)

Será exagerado falar em invasão migratória? As elites políticas do Ocidente falharam. Teriam feito melhor em escutar Enoch Powell que nos advertira, há 60 anos, sobre o impacto futuro da imigração, mas preferiram atacá-lo e estigmatizá-lo. (Jérémy Silvares Jerónimo. OBSR)

O regresso de Donald Trump à Casa Branca, a sua postura de bully, a guerra comercial que desencadeou e as posições que adotou face às organizações internacionais aceleraram o declínio do multilateralismo, mas já era um caminho que estava a ser feito. - O multilateralismo vai morrer, viva o multilateralismo 
(Ricardo Santos Ferreira,   J Económico)

Certeza


Se é real a luz branca
desta lâmpada, real
a mão que escreve, são reais
os olhos que olham o escrito?

Duma palavra à outra
o que digo desvanece-se.
Sei que estou vivo
entre dois parênteses.

(Octavio Paz, em "Dias Hábeis")

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

E, Foi Assim Que Chegámos Aos Dias de Hoje


Apesar do muito que foi sendo escrito – e do intensivo recurso à História para chamar a atenção do que os homens são capazes de fazer e de estragar – os responsáveis políticos e as opiniões públicas europeias dos últimos vinte anos mostraram-se olimpicamente indiferentes aos sinais de alarme que por vezes vinham acima da linha de água. 

E foi assim que chegámos aos dias de hoje, com a confirmação de algumas das previsões: a China assume-se como pretendente natural à liderança global e a Rússia provou, uma vez mais, a natureza sanguinária que é a sua marca desde Ivan o Terrível. Quanto à Europa, fruto das divisões internas, não conseguiu afirmar-se como uma força de interposição política e económica entre as grandes potências. A grande surpresa, no entanto, acabou por acontecer, com grande estrondo, na América, onde o voto recoloca Trump no poder; apesar de desprovido das mais elementares características de urbanidade e de decência, de ser indiferente à sorte dos outros fora dos seus círculos de influência e de desconhecer ou desprezar o património jurídico que garante os direitos de cada um numa sociedade organizada, Trump seduziu e hipnotizou a maioria do eleitorado. (...)

Em resultado, a mais antiga e importante democracia do mundo moderno avança para o autoritarismo a golpes de teatro promovidos nas plataformas sociais e na televisão, reconhece apenas a lei do mais forte e aceita a corrupção como um modo adequado de exercício do poder. Esta mudança de paradigma representa para a Europa, histórica aliada da América, o fim da ligação atlântica privilegiada e da protecção militar de que beneficiava há oito décadas. Num curto espaço de anos, ocorreram alterações tão substanciais no nosso mundo, que os arquétipos e conceitos por que nos regíamos, deixaram de existir. Agora, é tempo de percebermos onde estamos, analisar a situação e ver o que podemos fazer. Pensar que está tudo igual, mais não trará que dissabores e desilusões. (...)

Nunca esquecer que nada na vida, com excepção da morte, está gravado na pedra. Não há predeterminação. O fulgor americano que anima as notícias diariamente pode vir a ser atingido mortalmente pelos tratamentos financeiros não ortodoxos a que Trump sujeitou o sistema. Um colapso é possível e, para muitos, é mesmo inevitável. E nesse caso, até Trump terá dificuldade em manter o seu Mar-a-Lago. Por outro lado, a saúde financeira da China é uma face problemática do sucesso chinês. Os Historiadores têm presente o que aconteceu no Séc. XVII na China quando a queda do comércio para Europa levou ao caos e, consequentemente, à alternância de uma nova dinastia. Xi Jinping só é inamovível se a economia chinesa continuar a funcionar bem. Mas, na verdade, estes são cenários dramáticos que neste momento relevam do domínio da ficção. Não vale a pena morrer a sonhar. (...)

(excertos do texto de José Veiga Sarmento, OBSR)