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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (259)

O trabalhador tem direitos fundamentais: à dignidade, à segurança, ao respeito, à proteção contra abusos… mas não tem propriedade sobre o posto que ocupa.   (Pedro Soeiro Dias, OBSR)

Nos últimos dias, muito se tem dito sobre a proposta de revisão da lei laboral apresentada pelo Governo em julho. O debate aqueceu com o anúncio de uma greve geral — curiosamente, numa altura em que nada está decidido e a proposta ainda é discutida em concertação social.

Há uma confusão que se repete: a ideia de que o salário e a lei laboral estão diretamente ligados. Que melhorar direitos é o mesmo que aumentar salários. Não é. O salário é o preço de uma função, negociado entre duas partes — quem precisa de trabalho feito e quem tem capacidade para o fazer. A lei laboral define o enquadramento, os limites e as proteções mínimas, mas não determina o valor de mercado do trabalho.

Portugal tem uma das leis laborais mais protetoras da OCDE. Segundo os dados mais recentes, o país continua no grupo dos que têm maior rigidez nas regras de despedimento e contratação. Essa rigidez foi importante num tempo em que o emprego era estável, a economia era previsível e as empresas se pareciam mais com estruturas permanentes do que com organismos vivos em constante adaptação. Mas o mundo mudou.

Hoje, o trabalho é mais fluido, mais digital, mais intermitente. Há novas formas de produção e novas profissões a nascer todos os dias. A lei, escrita para um contexto industrial do século passado, não acompanha esta realidade.

Por isso, é preciso ter coragem para rever o que entendemos por “direito ao trabalho”. O posto de trabalho não é do trabalhador. É uma função criada por uma empresa, que pertence ao seu proprietário ou acionistas. O trabalhador tem direitos fundamentais: à dignidade, à segurança, ao respeito, à proteção contra abusos… mas não tem propriedade sobre o posto que ocupa. A empresa paga pelo desempenho de uma função, não pela posse de um lugar.

Dizer isto parece duro, mas é apenas reconhecer a realidade. Trabalhar por conta de outrem significa aceitar que o trabalho é um contrato temporário, um acordo de troca entre valor produzido e remuneração. Não é uma relação de propriedade.
E compreender isto é essencial para que a economia possa ser mais dinâmica e mais justa, porque só há novos empregos quando há liberdade para criá-los e também para terminá-los. (...)

Paradoxo Natural

Na luz indecisa que deixa adivinhar
a manhã, a névoa que impregna o ar
desfaz-se quando os dedos de fogo do sol
a limpam, restituindo ao dia
a sua transparência. Mas a mulher que
ocupa o centro da paisagem não
se apercebe da mudança. O seu corpo
pertence à terra, e entrega-se
ao ritmo subterrâneo das raízes, ouvindo
o canto que regula a passagem
das estações. Um desejo de sombra apodera-se
da sua alma; e conta o tempo que falta
para a noite, para se entregar ao silêncio
do mundo, no lento eclipse
dos sentimentos.

(Nuno Júdice)

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

O que me parece normal é que uma greve geral se desencadeia porque há um grave dano para os trabalhadores, ou no horizonte, ou em curso mas, pelos vistos, estou desactualizado, as centrais sindicais (pelo menos a UGT, a CGTP foi mais cautelosa nesta parvoíce) acham que se um governo não trata uma central sindical nos seus termos e como ela ache que merece, a central desencadeia uma greve geral de um dia.  ( henrique pereira dos santos, Corta-fitas)

Até aqui, tudo bem, o direito à asneira é sagrado e se o actual secretário geral da UGT é um menino mimado e birrento, é lá com ele e com quem o elege (que, já agora, não sei quem é).

O extraordinário é o silêncio social sobre esta irresponsabilidade espantosa de se pretender decretar um dia de greve geral porque os orgãos dirigentes da UGT acham uma falta de respeito pela central a forma como o governo gere as suas opções políticas em matéria de propostas laborais.

A Frase (258)

Creio que será difícil a qualquer português ficar a conhecer o almirante Gouveia e Melo ou o candidato Marques Mendes ou André Ventura (só para referir os mais bem posicionados à vitória) numa série de frente a frentes com os seus concorrentes diretos. O risco maior, acredito, será o de assistirmos a uma sucessão de discussões fúteis sobre o que um disse e não foi bonito e sobre o que o outro não disse e foi uma desilusão. (...) (Nuno Vinha, DN)

Em última análise, os quase 30 debates valerão para perceber: 1. Se André Ventura está a concorrer para presidente ou para solidificar a candidatura a PM. 2. Se Gouveia e Melo tem experiência suficiente para evitar armadilhas e debater com pés e cabeça. 3. Se Marques Mendes vai capitalizar a sabedoria de “raposa velha” da política. 4. Se António José Seguro deu mesmo o salto face ao político que foi atropelado por António Costa há uma década. 5. Se entre os restantes candidatos - Cotrim de Figueiredo, Catarina Martins, António Filipe ou Jorge Pinto - há algum outsider que nos leve a sonhar com o que aconteceu em Nova Iorque, quando um completo desconhecido com 1% nas sondagens ganhou nas urnas.

Sopro


Não tenhas medo...
É apenas o momento,
que chega...
E que vai...
Tal como tudo na vida,
esta é a constância,
onde tudo é chegada...
Onde tudo é partida...

(Freya)

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (257)

 A esquerda é contra a natureza humana tanto na competição como na cooperação. (Filipe Simões de Almeida, OBSR)

No artigo “O politicómetro explica o maior embuste da política”, referi que a esmagadora maioria dos meios de comunicação colaborou activamente ao longo de séculos com as correntes políticas de esquerda, para criar o embuste de classificar as políticas defendidas pelos partidos de esquerda como “boas” e classificar as políticas defendidas pelos partidos de direita como “más”.

Por coincidência, foi divulgada recentemente a deturpação feita pela BBC aos discursos do presidente dos EUA, que ilustra inequivocamente o colaboracionismo da BBC com a esquerda. O que ainda não se sabe generalizadamente é que a BBC (e não só) deturpa sistematicamente em favor da esquerda, como refere Alberto Gonçalves no artigo “O rigor mortis da BBC”, revelando apenas a ponta do iceberg.

Esse embuste assenta numa questão ainda mais profunda, que é o facto da esquerda ser contra os dois instintos básicos da natureza humana, a competição e a cooperação.

Está na natureza de qualquer ser vivo, vegetal ou animal, competir para sobreviver. A competição é o instinto mais básico de todos. Competimos para sobreviver ao lutar por alimentação (em geral, recursos) e ao lutar por integridade física (em geral, segurança, nuns casos defendendo e noutros atacando). (...)

Com a evolução da espécie humana, tal como na generalidade dos seres vivos, foi sobressaindo outro instinto, o da cooperação, que é o segundo instinto mais básico.

Esses dois instintos básicos – competição e cooperação – coincidem com os dois eixos de aglutinação das políticas que referi nos meus artigos anteriores sobre o politicómetro: O eixo da economia está relacionado com a competição.
O eixo da convivência está relacionado com a cooperação. (...)

Como é que as correntes políticas de esquerda olham para isto? São contra!

No eixo da economia, são contra o instinto básico da competição, que corresponde ao primado do individual.

No eixo da convivência, são contra o instinto básico da cooperação, que corresponde ao primado do colectivo.

Ou seja, a esquerda é contra a natureza humana tanto na competição como na cooperação. (ler texto na íntegra)

Eleições Presidenciais

Sondagem: Mendes e Gouveia e Melo à frente em empate técnico. Seguro próximo de Ventura. Cotrim entra nos "grandes"

Sondagem: portugueses não querem crises. Próximo Presidente não deve travar um governo com Chega nem dissolver AR se Orçamento chumbar