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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O Absurdo Da Eternidade ...

Há dentro de nós a exigência absoluta de sermos eternos e a certeza de o não sermos. O absurdo é a centelha do contacto destes dois opostos.

Vergíleo Ferreira 


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Tudo É Fugaz ...

Considera com frequência a rapidez com que se passam e desaparecem os seres e os acontecimentos. A substância, como um rio, está em perpétuo fluir, as forças em perpétuas mudanças, as cuasas a modificarem-se de mil maneiras; apenas há aí uma coisa estável; e abre-se-nos aos pés o abismo infinito do passado e do futuro onde tudo se some. Como não há-de ser louco o homem que, neste meio, se incha ou se encrespa ou se lamenta, como se qualquer coisa o tivesse perturbado durante um tempo que se visse, um tempo considerável?

Marco Aurélio  

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Beneficiários Da ADSE Descriminados Negativamente Face A Utentes Do SNS ...

Se o normal é dizer que os beneficiários da ADSE têm mais regalias que os restantes utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no acesso aos cuidados de saúde, a verdade é que há situações em que ter ADSE só prejudica.

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) tem recebido várias exposições e pedidos de informação por parte de beneficiários da ADSE, que se têm sentido descriminados. Num parecer divulgado esta terça-feira, o Regulador da Saúde defende que não haja qualquer diferença de tratamento e que um beneficiário da ADSE “possa optar pelas regras de acesso aplicáveis aos demais utentes beneficiários do SNS”.

A ERS avança mesmo com exemplos: uma utente com incapacidade permanente global de 64% que se deslocou ao seu centro de saúde para solicitar a isenção de taxas moderadoras e foi informada que a isenção não abrangeria exames complementares e de diagnóstico, por ser beneficiária da ADSE. Se não tivesse ADSE a isenção seria total. Outra queixa chegou de uma beneficiária da ADSE que foi a uma clínica privada para a realização de um Holter, conforme requisição médica previamente obtida no centro de saúde, e a quem foi recusado o exame, pelo facto da dita unidade de saúde não possuir convenção com a ADSE, mas apenas com o SNS.

Questionada pelo Observador fonte oficial do Ministério da Saúde respondeu que “não é suposto haver diferenças de tratamento no SNS, muito menos entre quem é e quem não é da ADSE. Se há caso ou casos pontuais será averiguado, com certeza”.

Os funcionários públicos, e pensionistas do Estado, descontam, desde Junho do ano passado, 3,5% do salário ou pensão para este subsistema.

É bom que seja averiguado - mas, com toda a certeza !    

Preparemo-nos Para A Incerteza Forma Superior De Aflição

Teria sem sombra de hesitação ido para a rua, para todas as ruas, comungando do mesmo luto e da mesma raiva, enrolada na bandeira da “diferença” da minha civilização: quando certas caricaturas ou atitudes versando a religião católica me incomodam não agarro numa arma e quando delas discordo, não a disparo. Usufruindo da minha própria liberdade de expressão limito-me a sinalizar – ou não – desconforto ou discordância. Mas a barbárie é mais lesta, dispara, exclui e aniquila. Preparemo-nos para a incerteza, forma superior de aflição. E da manifestação de ontem em Paris retenhamos o que deve ser retido: a extrema “eficácia” política do atentado contra o Charlie Hebdo, teve resposta -hipócrita porventura em algum sentido – mas igualmente eficaz. Mas, sim, preparemo-nos para a incerteza.

Fonte:Maria João Avillez, ' O certo e o incerto' Observador 

Exagero ...

Hoje, no café, aqui-del-rei que eu exagero, aqui-del-rei que conto uma anedota e a anedota sai da 

minha boca transfigurada. Aqui-del-rei que descrevo um indivíduo e ponho bigodes de polícia onde 

havia somente uma discreta penugem. É certo, exagero. Começo a pintar um botão, e é capaz de me 

sair o cosmos. Mas pergunto: — Pondo como condição que não haja mentira em absoluto no que diz, 

quem é mais de aqui-del-rei: quem acrescenta, enriquece, aumenta e vivifica as coisas, ou quem as 

diminui, amesquinha, empobrece, achata e reduz a nada?

Miguel Torga  

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Esta É A Frase ...

Foram 200 metros de marcha. Foram 20 minutos expostos, envolvidos por um cordão de segurança. Os líderes mundiais que se juntaram a François Hollande em Paris foram corajosos. Mas só podem ter sentido na pele a insegurança de uma séria ameaça de guerra civil na Europa. Paris foi a capital do mundo, Paris foi a imagem da vontade de milhões de pessoas unir quem é diferente. Mas Paris foi também o retrato da insegurança. Já vivemos em liberdade condicionada.

Helena Garrido, JNegócios

domingo, 11 de janeiro de 2015

Lisboa Séc XXI...

Foto divulgada pelo Observador
Esta cidade está a ser comida vivo pelos graffiti.

Cresce como o bolor, sobe pelas paredes e pelos muros, deixando manchas pretas e feias. A única coisa que o impede de chegar mais acima é a altura média dos adolescentes da espécie humana.

Esta cidade dos séculos XVI, XVII, XVIII, XIX e XX, esta jóia barroca à beira Tejo, a cintilar sob a luz de um sol singularmente brilhante, que saltita entre o céu e o oceano Atlântico, está a ser comida vivo pelos graffiti.

As fotografias que aqui podem ser vistas foram tiradas em não mais do que um quarto de hora.

Palavras de Lucy Pepper,(traduzidas da língua Inglesa pela própria) em ' Lisboa está com mau aspecto'

sábado, 10 de janeiro de 2015

Da Europa Nada Há A Esperar ?

Os novos bárbaros adquirem treino militar nos nossos territórios, e nas horas vagas circulam entre nós livremente, sem que os possamos reconhecer. Restrições razoáveis à imigração são claramente insuficientes para os detectar e deter.

Devemos então ir para além disso?

Não, não devemos nem podemos. Pelo simples motivo de que uma Europa entrincheirada por trás dos muros de uma fortaleza não seria a Europa, seria um agregado de estados policiais com as ameias guarnecidas de metralhadoras e os cidadãos vigiados por polícias e censores. Uma tal Europa seria o aniquilamento do “nosso modo de vida” e a vitória dos nossos carrascos. Estão reunidos os elementos de um destino trágico, pré-inscrito nos pressupostos que regem a nossa vida individual e colectiva. Nada é eterno. Afinal, Roma também caiu perante os bárbaros.

A vida envolve riscos em qualquer circunstância. Podemos sempre agarrar-nos à ideia de que, agora, o risco é maior, e viver com ele. Rui Ramos, num artigo de ontem, diz-nos que a única solução consiste em combater a sério o jihadismo. Infelizmente não nos diz como. Bush falhou. Obama optou pelo discurso do Cairo e, salvo as televisões, ninguém ligou. E da Europa, que se manifesta enlutada, apregoa, fala, discute, não decide e não se compromete, nada há a esperar.

Maria Fátima Bonifácio, Observador

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Mesquita De Lisboa Vandalizada Alegadamente Por Neonazis

Esta manhã a mesquita de Lisboa foi vandalizada. Os autores escreveram 1143 na porta, o ano em que a Independência de Portugal foi reconhecida no Tratado de Zamora. Ao que tudo indica, e de acordo com declarações do Imã da mesquita de Lisboa, pode tratar-se de um ato levado a cabo por um grupo "neonazi, provavelmente, que não gostam dos muçulmanos e que não gostam dos outros", disse. De acordo com o sheik Munir, a população muçulmana não está assustada, mas sim "alertada". "Nós não fizemos nada. Quem está assustado é aquele que tenha feito qualquer coisa", afirmou.

Esta É A Frase ...

 O nosso destino colectivo será o da tolerância e do respeito mútuo (ou não será nenhum). Assim, a guerra entre a tolerância e a intolerância tem, desde sempre, a primeira delas como vencedora garantida. Até lá, os que caírem porque ousaram dizer ou escrever o que lhes vai na cabeça, serão os mártires do nosso tempo.

JDM, Ji