“A luta dos trabalhadores vai intensificar-se”. O governo “tem necessariamente de dar uma resposta muito mais dinâmica nos próximos tempos”. Os dois avisos citados vêm da boca do líder da CGTP, o braço sindical do PCP. Num momento em que, no governo, se prepara o Orçamento de Estado para 2018, é óbvia a tentativa de condicionar as opções políticas. Menos óbvio, mas muito mais importante de entender, é o significado destas movimentações: o PCP chamou os sindicatos porque percebeu que, nesta fase, amarrado à geringonça e sem condições políticas para “roer a corda”, se esgotou a sua força negocial junto do governo. (continuar a ler)
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segunda-feira, 12 de junho de 2017
Aqui Está-se Sossegado ...
Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de não ter passado,
Até o futuro se olvida.
Aqui está-se sossegado.
Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-a ser do mundo.
Tinha os gestos inocentes.
Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidão a tornar
Em sombra, o azul que é verde!
Sim,poderia ter sido.
Mas vontade nem razão
O mundo têm conduzido
A prazer ou conclusão.
Sim, poderia ter sido...
Agora não esqueço e sonho.
Fecho os olhos, oiço o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que vejo azul a esverdear.
Agora não esqueço e sonho.
Não foi propósito, não.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coração
Como invisíveis serpentes.
Não foi propósito, não.
Fernando Pessoa (Poesias Inéditas (1930-1935)
domingo, 11 de junho de 2017
O République En Marche de Macron Deverá Ter Entre 29% E 31%% Dos Votos Na 1ª Volta Das Legislativas Em França

O République en Marche, partido do presidente Emmanuel Macron, deverá ter entre 29% e 31% dos votos na primeira volta das legislativas em França.
O partido do presidente Macron, que concorre em coligação com o Movimento Democrata (MoDem), deverá ter entre 20% e 31% dos votos, seguindo-se
Os Republicanos (direita), com 18% a 20%
A Frente Nacional (extrema-direita) com 17%
A França Insubmissa (esquerda) com 12%
Os socialistas com apenas 7%, segundo as primeiras sondagens à boca das urnas.
A confirmarem-se estes números, o République en Marche terá a maioria absoluta na nova Assembleia, podendo eleger mais de 400 deputados. Os Republicanos mais de 80
Outra Projeção:
Outra Projeção:
A Verdadeira Obra De Arte Do Primeiro Ministro
Foi ter conseguido desvincular-se, ele e os seus ministros, do governo de Sócrates. Foi ter desligado este Partido Socialista salvador daquele outro Partido Socialista cangalheiro. Foi ter conseguido refazer a sua virgindade, suavemente, sem ruptura aparente, sem obrigar ninguém a desdizer-se ou a pedir desculpa, sem criar incómodos a ministros e sem dar argumentos a quem disser que o Partido tem duas caras. Foi ainda ter conseguido associar o Bloco e o PCP a este branqueamento inédito.Os seis anos do mandato de José Sócrates constituíram uma espécie de peste negra que se abateu sobre o país. Aquele governo, apoiado nalguma banca pública e privada, ajudado por um bando de empresários sem escrúpulos e assessorado por consultoras internacionais complacentes, atingiu níveis de endividamento único na história de Portugal, assim como de corrupção, de desperdício de recursos, de destruição de empresas públicas, de favoritismo em concursos e nomeações... Foi provavelmente o mais nefasto governo de Portugal durante décadas. Sem criticar os seus feitos, sem partilhar os erros de Sócrates, sem assumir responsabilidades relativamente aos piores anos de governo de Portugal, António Costa e seus ministros conseguiram, sem nunca o ter feito explicitamente, distanciar-se daquele nefando governo e daquele execrável período. Esse, sim, é um feito histórico.
(excerto do artigo de António Barreto hoje no DN)
sábado, 10 de junho de 2017
Esta É A Frase
Portugal anda há 25 anos a comer capital. Tendo adquirido hábitos europeus sem a produtividade europeia, sofre um desfasamento financeiro crescente. Durante 15 anos as dívidas pública e privada explodiram até que, com o fecho dos mercados na crise de 2008, o endividamento parou. Então passámos a vender as «pratas da casa» para manter a ilusão. Com privatizações no Estado e fusões no privado, o estrangeiro já é dono das principais empresas, bancos e imobiliário nacionais.João César das Neves, DN
A Primeira Referência Legal Que Declara 'Dia De Festa Nacional E De Grande Gala' O 10 de Junho ...

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é assinalado, como tal, desde 1977, depois de, durante a ditadura, com António de Oliveira Salazar, ter sido o Dia da Raça.
A primeira referência legal que declara 'Dia de Festa Nacional e de Grande Gala' o 10 de Junho data de 27 de Abril de 1880. É um decreto das Cortes Reais em que o rei D. Luís I acedeu a que se assinalassem os 300 anos da data apontada pelos historiadores para a morte de Luís de Camões, 10 de junho de 1580.
Após a queda da Monarquia e a implantação da República, em 1919, na primeira lista de feriados nacionais elaborada pelo Governo, não aparece ainda o 10 de Junho, mas o decreto 17.171, de 29 de Agosto de 1919, consagrava-o como feriado.
Depois do golpe do 28 de Maio de 1926, as celebrações passam a ter especial ênfase como Dia da Raça. Expressão usada em 2008 por Cavaco Silva e que gerou muita polémica, com o Bloco de Esquerda a criticar o Presidente da República por este usar a "pior imagética" do Estado Novo.
Depois do golpe do 28 de Maio de 1926, as celebrações passam a ter especial ênfase como Dia da Raça. Expressão usada em 2008 por Cavaco Silva e que gerou muita polémica, com o Bloco de Esquerda a criticar o Presidente da República por este usar a "pior imagética" do Estado Novo.
Ao comentar uma paralisação de camionistas, Cavaco disse: "Hoje eu tenho que sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas."
Apesar de já ser assinalado pelos portugueses, o Dia de Portugal surge fixado como 10 de Junho num decreto-lei de 4 de Janeiro de 1952.
Apesar de já ser assinalado pelos portugueses, o Dia de Portugal surge fixado como 10 de Junho num decreto-lei de 4 de Janeiro de 1952.
A revolução nascida do 25 de Abril de 1974 risca a comemoração do Dia da Raça e o Dia de Camões passa a ganhar relevância - afinal, durante o Estado Novo, os meios oposicionistas utilizaram Camões como "bandeira" e símbolo.
No entanto, só em 1977, por decreto de 4 de Março, foi consagrado o novo significado ao 10 de Junho como
Fonte: Notícias ao Minuto
O Regime Saído Do 25 De Abril Teve Uma Grande Dificuldade Inicial Em Lidar Com O Dia De Portugal
O regime saído do 25 de Abril teve uma grande dificuldade inicial em lidar com esse Dia de Portugal que sempre foi um emblema da ditadura. Os primeiros três anos pós-revolução foram difíceis: a 10 de junho de 1974 aconteceu uma manifestação “convocada por várias forças democráticas”, que foi do Marquês de Pombal até ao Palácio de Belém dar o seu apoio ao MFA. A 10 de junho de 1975, o governo Vasco Gonçalves apelou ao país para que fosse trabalhar em nome da “batalha da produção”.O feriado nunca deixou de ser feriado mas, como disse o então secretário de Estado Carlos Carvalhas, “a posição que se assume perante a batalha da produção é o que distingue os verdadeiros dos falsos revolucionários”. Em 1976 estávamos em vésperas das primeiras eleições presidenciais e ninguém ligou nenhuma ao 10 de Junho.
Só há 40 anos, em 1977, nasce a fórmula atual e regressam as comemorações oficiais. O dia passa a chamar-se Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e as cerimónias decorrem na Guarda, com Ramalho Eanes no cargo de Presidente da República e Mário Soares no de primeiro-ministro.
O discurso mais impressionante será o do escritor Jorge de Sena, que passa uma boa parte do tempo a justificar que a democracia tem todo o direito de celebrar Camões e que gostar de Camões não é coisa de reacionários. Aqui está uma coisa que nunca foi preciso explicar ao poeta-resistente Manuel Alegre, que sempre se assumiu como um “camoniano”, tem Camões como uma das suas maiores referências e ontem recebeu o Prémio Camões, o maior da literatura portuguesa. Celebrar Manuel Alegre com Camões em vésperas do 40.o aniversário do novo 10 de Junho é um acontecimento feliz.
Ana Sá Lopes, Ji
Missão: Continuar A Vida
Ninguém se pode possuir inteiramente, porque se ignora, porque somos um mistério. Para nós mesmos. Podemos sim, ser mais conscientes de uma determinada missão que temos no mundo. Todos nós somos uma missão. Somos a missão de continuar a vida, aperfeiçoando-a, festejando-a e não destruindo-a como se está a fazer hoje. Eu não tenho certezas, mas tenho convicções e uma das minhas convicções mais firmes é que nascemos para a liberdade. E, no entanto, veja o paradoxo: essa liberdade, esse caminho para a liberdade está a ser cada vez mais obscurecido por aquilo que observamos no nosso mundo de hoje. (...)
Todos nós somos uma missão. Somos a missão de continuar a vida, aperfeiçoando-a, festejando-a e não destruindo-a como se está a fazer hoje. Eu não tenho certezas, mas tenho convicções e uma das minhas convicções mais firmes é que nascemos para a liberdade. E, no entanto, veja o paradoxo: essa liberdade, esse caminho para a liberdade está a ser cada vez mais obscurecido por aquilo que observamos no nosso mundo de hoje. Nós chegamos a esta coisa terrível, o chamado equilíbrio nuclear, que é o jogo de escondidas de duas disponibilidades criminosas para suprimir a humanidade.
A humanidade está hoje pronta (parece que está sempre pronta!) para pôr luto por si própria. Isto não é uma forma humana de viver. Esta tragédia tem que ser a sua «húbris», que é, digamos, a arrogância que desencadeia a catástrofe punitiva. E o que me perturba muito, o que me assusta, é que países que subscrevem, que proclamam os direitos humanos, possam entrar num jogo fatal destes, um jogo que se destina a suprimir o homem.
Natália Correia
Todos nós somos uma missão. Somos a missão de continuar a vida, aperfeiçoando-a, festejando-a e não destruindo-a como se está a fazer hoje. Eu não tenho certezas, mas tenho convicções e uma das minhas convicções mais firmes é que nascemos para a liberdade. E, no entanto, veja o paradoxo: essa liberdade, esse caminho para a liberdade está a ser cada vez mais obscurecido por aquilo que observamos no nosso mundo de hoje. Nós chegamos a esta coisa terrível, o chamado equilíbrio nuclear, que é o jogo de escondidas de duas disponibilidades criminosas para suprimir a humanidade.
A humanidade está hoje pronta (parece que está sempre pronta!) para pôr luto por si própria. Isto não é uma forma humana de viver. Esta tragédia tem que ser a sua «húbris», que é, digamos, a arrogância que desencadeia a catástrofe punitiva. E o que me perturba muito, o que me assusta, é que países que subscrevem, que proclamam os direitos humanos, possam entrar num jogo fatal destes, um jogo que se destina a suprimir o homem.
Natália Correia
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