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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

'Eternamente' ...


Comigo caminham todos os mortos que amei,

todos os amigos que se afastaram,

todos os dias felizes que se apagaram.

 Não perdi nada, apenas a ilusão

de que  tudo podia ser meu para sempre.

Miguel de Sousa Tavares 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Notícias Soltas



*Um morto e 20 feridos em atropelamento no centro de Barcelona


*Banco Central Europeu preocupado com subida do euro


Notável !

António Costa respira e transpira política tacticista por todos os poros e, como Marcelo, sabe estar na posição certa no momento certo e com o discurso apropriado para cada circunstância, seja dramática ou festiva. Ali não há acasos nem amadorismos. Há inteligência, tacticismo e intuição pura e dura. 

Há ainda uma máquina que hipervaloriza o positivo e varre o lixo para debaixo do tapete, aproveitado a anestesia mediática que ocorre na comunicação social, seja televisiva, radiofónica, impressa ou online. 

Nunca o maniqueísmo esteve tão presente. Só há branco e preto. 

Não havendo oposição partidária (como ainda agora se viu no Pontal), quem critica minimamente a geringonça é praticamente apelidado de fascista. Já quem apoia a solução de governo ou a justifica sempre é acarinhado ou mesmo endeusado. Por sua vez, quem concorda ou discorda consoante os casos e a sua consciência é marginalizado. 

Daí que se verifiquem oscilações internas jamais vistas, nomeadamente no PS, onde se votou numa ocasião o apoio unânime à candidatura de Rui Moreira ao Porto e mais tarde a sua rejeição com a mesma unanimidade. Notável!

(excerto do artigo de Eduardo Oliveira e Silva, 'António Costa, o mestre de culinária', Ji )

Na Luta Contra A Realidade ...

"Na luta contra a realidade, o homem tem apenas uma arma: a imaginação." 

Theophile Gautier 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Notícias Soltas

As Pessoas Entram Docilmente No Espírito De Rebanho

Parte do crescimento atual tem origem no turismo, um setor caracterizado por grande elasticidade da procura. Claro que a promoção digital realizada pelos organismos do turismo tem consequências positivas, mas se o receptor não estiver aberto a receber a mensagem de pouco servirá o investimento. Por sorte, Portugal beneficia de um momento de “good will” sem igual na história do turismo nacional. Os fatores positivos podem mudar a qualquer momento. Veja-se o colapso repentino de vários mercados turísticos tidos como estáveis e tradicionais.
Por todas estas razões devo confessar que temo que só pode ser pelo chamado “social default“, também chamado depreciativamente “espírito de rebanho”, que muitos portugueses estão a endividar-se com créditos à habitação com o objetivo de arrendar as casas hipotecadas ao banco no mercado do alojamento local. Não só poderá haver já excesso de oferta (haverá?), como qualquer inesperada externalidade negativa pode levar esses projetos à ruína.
Os estudos “Social Defaults: Observed Choices Become Choice Defaults” (2014) no Journal of Consumer Research, concluíram que quando as pessoas não têm uma opinião forte sobre as escolhas que se lhes deparam, simplesmente imitam as pessoas à sua volta. Em vez de despenderem tempo a fazer perguntas, ou a aprender sobre produtos, as pessoas socorrem-se do “social default”, entram docilmente no rebanho. Participantes naqueles estudos escolheram produtos de qualidade inferior apenas porque os outros os tinham escolhido.

Nuno Cintra Torres, JN 

Tentativa ...

"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita." 

Mahatma Gandhi  

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Notícias Soltas

*Oficial: queda de árvore na Madeira fez 12 mortos e 50 feridos

*Incêndio no Fundão corta A23

*Portugal continua a arder: 78 incêndios ativos, 11 dos quais descontrolados


É Neste Cenário Que O Ministro Sobe À Montanha Para Proclamar Uma "revolução"

Em Portugal, confundimos “floresta” com um matagal que cobriu serras e vales à medida que os campos eram abandonados e o Estado multiplicava leis inconsequentes. Basta circular pelo país para ver. Há pinhais e mato colados às estradas principais e agarrados às povoações. Segundo a lei, não devia ser assim. Acontece que ninguém cumpre a lei, a começar pelos próprios serviços públicos e seus concessionários, que nem as bermas das estradas limpam. 

É neste cenário que o ministro sobe à montanha para proclamar mais uma “revolução”. A maior “revolução” desde os tempos de el-rei D. Dinis, segundo o ministro Capoulas Santos. Em que consiste? Adivinharam: em papel. Mais legislação, mais páginas do Diário da República

A questão principal, neste momento, é de segurança. Antes de mais, os portugueses precisam de saber que podem circular nas estradas e dormir nas suas casas sem acabarem num braseiro qualquer. O que nos convinha a todos é que as regras de segurança fossem cumpridas e os serviços funcionassem eficientemente. Para tanto, o primeiro passo seria responsabilizar os responsáveis, que é o que, desde o colapso do Estado em Pedrógão Grande, as autoridades têm evitado. Mas sem isso, tudo será apenas mais uma mistificação.

(excertos do artigo de Rui Ramos 'Não precisamos de um pseudo D. Dinis'OBSR

Dizer Não

  NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros. 

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios. 

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de «elitismo», mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude. 

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação. 

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo. 

Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela. 

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos. 

Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor. 

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue. 

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal. 

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade. 


Vergílio Ferreira