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domingo, 17 de março de 2019

Passei O Dia Ouvindo O Mar


Eu hontem passei o dia 

Ouvindo o que o mar dizia. 


Chorámos, rimos, cantámos. 

Fallou-me do seu destino, 
Do seu fado... 

Depois, para se alegrar, 
Ergueu-se, e bailando, e rindo, 
Poz-se a cantar 
Um canto molhádo e lindo. 

O seu halito perfuma, 
E o seu perfume faz mal! 

Deserto de aguas sem fim. 

Ó sepultura da minha raça 
Quando me guardas a mim?... 

Elle afastou-se calado; 
Eu afastei-me mais triste, 
Mais doente, mais cansado... 

Ao longe o Sol na agonia 
De rôxo as aguas tingia. 

«Voz do mar, mysteriosa; 
Voz do amôr e da verdade! 
- Ó voz moribunda e dôce 
Da minha grande Saudade! 
Voz amarga de quem fica, 
Trémula voz de quem parte...» 
. . . . . . . . . . . . . . . . 

E os poetas a cantar 
São echos da voz do mar! 


António Botto

sábado, 16 de março de 2019

Nestes Últimos 30 Anos, Tudo Mudou Menos O Edifício Eleitoral

O funcionamento da democracia representativa em Portugal foi enquadrado por uma lei eleitoral que regula questões de propaganda política e de comunicação, decisões tomadas numa altura determinada, em circunstâncias especiais, em 1974. As actualizações e aperfeiçoamentos posteriores foram pequenos e não relevantes. O maior desfasamento tem que ver com o que mudou no mundo, na Europa, em Portugal e na comunicação entre as pessoas e entre o Estado e os eleitores nestes 45 anos - basta dizer que a World Wide Webfoi imaginada há 30 anos. 

Nestes 30 anos, tudo mudou menos o edifício eleitoral. 

A polémica surgida esta semana em torno das recomendações da Comissão Nacional de Eleições é elucidativa disto mesmo. O actual sistema trabalha desde há décadas para ter obras prontas a tempo de serem inauguradas em ano eleitoral. As inaugurações fazem parte da propaganda e das campanhas. Quem está no poder quer mostrar o que fez e quer esconder o que prometeu e não realizou; e quem não está no poder quer criticar o que considera estar mal feito e denunciar promessas não cumpridas. 

As redes sociais e os jornais online aceleram o processo da comunicação dos políticos, que cedo aprenderam a usá-los. Tudo isto tornou anacrónicas uma série de disposições sobre o acesso a órgãos de comunicação e tempos de antena. 

Outro caso: a Lei Eleitoral proíbe publicidade - e hoje em dia essa proibição foi ultrapassada pelos acontecimentos. A proibição vinha do tempo em que as campanhas eram feitas por militantes a colar cartazes, coisa rara hoje em dia. Agora existem empresas de publicidade exterior que trabalham com os partidos nestes períodos, teoricamente como se fizessem parte deles mas, na realidade, sendo pagas. 

O mal profundo do sistema político começa na Lei Eleitoral, completamente desfasada da realidade. O próprio funcionamento da Comissão Nacional de Eleições precisa de ser mudado - até na comunicação que ela estabelece com os eleitores. 

Manuel Falcão, J Negócios

sexta-feira, 15 de março de 2019

A Lua Tem Cores Que Os Nossos Olhos Não Veem


O astrofotógrafo Andrew McCarthy, que já tinha mostrado a Lua em alta-resolução, revela agora o satélite natural da Terra colorido consoante os minerais que dominam a superfície.


Depois da Lua em alta-resolução, o astrofotógrafo Andrew McCarthy criou uma imagem do satélite natural da Terra a cores. E explicou: "Enquanto as minhas imagens prévias vos mostravam os detalhes que poderiam ver se os vossos olhos fossem mais nítidos, esta mostra como a Lua poderia parecer se os nossos olhos e cérebro fossem muito mais sensíveis à cor".
O azul revela um alto teor de titânio, enquanto os laranjas representam um nível reduzido de titânico no basalto".
McCarthy usou os dados de 150 mil fotos da Lua para criar esta fotografia em que revela as cores da geologia do satélite natural da Terra. "A imagem mais avant-garde das minhas últimas fotografias da Lua, esta imagem é o resultado de uma série de ajustes à foto da superlua", disse, referindo-se à imagem que já tinha partilhado da Lua em alta-resolução.(Fonte:DN

A Folha Em Branco É De Dúvidas

A folha em branco é de dúvidas.
Todo o cuidado é pouco para preenchê-la.
É preciso acertar.
Tem-se que superar o medo de errar
A resposta certa, quem sabe onde estará?

quinta-feira, 14 de março de 2019

quarta-feira, 13 de março de 2019

É O Tempo Da Travessia

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso
corpo...  e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Pessoa

sábado, 9 de março de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde


*"O Bloco pode vir a ser o segundo maior partido, é claro que pode"


*Lenine Cunha. O atleta paralímpico que chegou às 202 medalhas


Um Verdadeiro Partido De Múltiplas Faces

Afivelando hoje uma máscara e amanhã outra, aparecendo umas vezes numa qualidade e amanhã noutra, dizendo o que convém de acordo com a máscara que usa e a qualidade em que fala, o PS é verdadeiramente um partido de múltiplas faces.

José António Saraiva, Sol

As medidas de cautela financeira ou de austeridade são inteligentes e necessárias quando é o PS a fazê-las, mas representam quase um ‘roubo’ quando são feitas pelos outros.
Dir-se-á que todos os partidos são assim - têm uma cara quando estão no Governo e outra quando estão na oposição.Mas o PS especializou-se particularmente nesse jogo.
Sendo o partido que tem mais gente dentro da máquina do Estado, está sempre com um pé no poder.
E, quando lá tem os dois pés, comporta-se muitas vezes como se estivesse na oposição - atirando para cima dos adversários as culpas dos erros próprios.
Há dias, o presidente do Partido Socialista, Carlos César, fez uma declaração extraordinária.
Comentando a onda de greves que tem martirizado o país, César disse que havia uma diferença radical entre estas greves e as do tempo de Passos Coelho: enquanto as outras eram «justas», as greves contra o Governo do PS são «injustas».
Assim mesmo.
Ainda hoje, os problemas do SNS são atribuídos à troika e a Passos Coelho.

Em Todas As Ruas Te Encontro ...

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura 
que é de olhos fechados que eu ando 
a limitar a tua altura 
e bebo a água e sorvo o ar 
que te atravessou a cintura 
tanto    tão perto    tão real 
que o meu corpo se transfigura 
e toca o seu próprio elemento 
num corpo que já não é seu 
num rio que desapareceu 
onde um braço teu me procura 

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 

Mário Cesariny