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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Que Nenhuma Estrela Queime O Teu Perfil



Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.


Sophia de Mello Breyner Andresen 

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)

>CGD. “Dizer que gestão não foi sã é pouco”. PSD culpa gestão de Santos Ferreira, Constâncio e ministros de Sócrates




Se Continuarmos Embriagados Com A Política Social De "panem et circenses" ...

Se continuarmos embriagados com a política social de “panem et circenses”, na próxima crise vamos acabar por ficar sem passes, sem transportes e sem dinheiro para saúde, para justiça e para educação.

A hora dos portugueses foi a hora de um pequeno povo que conseguiu demonstrar toda a sua tenacidade ao colocar a seus pés o mundo conhecido de então. Mas a hora que se seguiu, foi a hora que Stephen Zweig designou brilhantemente no seu livro sobre Fernão Magalhães, como a hora da “embriaguez da vitória”, a hora do deslumbramento, dos excessos e da prepotência que nos fez perder o império.

Hoje a hora dos portugueses é bem mais pequenina, é a hora do défice zero com que ficámos maravilhados, apesar de esta que surge após um dos períodos mais conturbados da nossa história democrática, onde se descredibilizaram as instituições públicas e privadas, sejam escolas, parlamento, meios de comunicação, câmaras municipais, tribunais, bancos, fundações, hospitais etc.

Mas enquanto na era dos descobrimentos construiu-se um império do nada, agora deambulamos pelos escombros de instituições ruinosas e outras por ruir, a varrer o pó para baixo de um tapete, que se torna de dia para dia, cada vez mais pequeno… E claro, deslumbrados com a vitória de um défice zero, cujo mérito reside na maior carga fiscal que há memória e numa conjuntura internacional arrepiante de taxas de juro negativas.

Se continuarmos embriagados com a lógica de uma política económica social de “panem et circenses”, com passes mais baratos mas sem transportes, ou de saúde para todos sem condições, ou de justiça sem meios, ou de educação sem avaliações responsáveis de alunos e professores, na próxima crise vamos acabar por ficar sem passes, sem transportes e sem dinheiro para a saúde, para justiça, e para a educação.

Depois de tudo o que passaram os portugueses, é desconcertante que a classe política não enfrente com verdadeiro sentido de Estado as grandes fragilidades do país: quer ao nível do excessivo endividamento, da precariedade do emprego e do pronunciado envelhecimento da população. É tão constrangedor assistir no Estado da Nação, ao deslumbramento daqueles que se limitam a enriquecer a sua vaidade, como é embaraçoso a forma como outros se demitem do esforço de analisar e procurar com rigor a verdade. E quando queremos puxar pela auto-estima dos portugueses, também não chega estar presente e abraçá-los, é preciso não deixar que se iludam e impedi-los que se contagiem com a “embriaguez da vitória”.

(Excertos do artigo de Jorge Silveira Botelho, OBSR)

Ser Diferente


A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as  batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos. 


Agostinho da Silva, no 'Diário de Alcestes' 

terça-feira, 16 de julho de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>Fenprof pede a Ministério Público para averiguar morte repentina de três professores em trabalho



Esta É A Única Forma De Responder A Uma Proposta De Quotas Étnicas

Cada ser humano, cada pessoa, guarda em si uma individualidade irrepetível, uma maravilhosa confluência de aspirações e impressões - tão irrepetível que não é possível rotulá-la, coletivizá-la, sob pena de a amputarmos de boa parte da sua natureza.
Essa irrepetibilidade funda os valores da liberdade e da igualdade: a liberdade de ser e viver de acordo com a nossa vontade, sem que essa vontade nos faça merecedores de tratamento especial. É porque somos todos igualmente diferentes que partilhamos todos da mesma liberdade e da mesma dignidade máxima - para os crentes, é isso que nos faz filhos de Deus, iguais nas nossas diferenças.


Isto bastaria para vigorosamente afastar a ideia das quotas étnicas, como aliás para rebater as políticas identitárias que afastam a liberdade e a igualdade do centro político para lá colocarem a identidade (isto para não falar de outras questões práticas: como se averiguaria, num mundo felizmente tão miscigenado, o grau de pertença a uma etnia, como se hierarquizariam as pessoas, como se lidaria com as subdivisões até ao infinito das catalogações?).


Cada ser humano é merecedor da dignidade total e máxima pelo simples facto de ser pessoa, e deve ter, por ser pessoa, livre e igual, a oportunidade de lutar pelo seu projeto de felicidade. Essa é a única forma que tenho de responder a uma proposta de quotas étnicas, sendo para mim intolerável responder-lhe com qualquer argumento que presuma, de forma simétrica, a coletivização e a generalização, como se o nosso mundo, e o debate político, pudesse aceitar que o indivíduo fosse substituído pelo grupo onde políticos ou terceiros o querem integrar.


Adolfo Mesquita Nunes, DN

A Nossa Existência Não É Mais Que ...

A nossa existência não é mais que um circuito de luz entre duas eternidade de escuridão.

Vladimir Nabokov 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>Costa apoia Ursula Von de Leyen para presidente Comissão Europeia via Twitter

Temos Um País Desorganizado, Sem Líderes Nas Organizações

Temos pouca poupança para muita dívida e muitos idosos. Temos um país desorganizado, sem líderes nas organizações. Temos um Estado irracional. Três problemas apenas que podíamos querer solucionar.

Poupar mais, aumentar a natalidade, aprender a liderar e organizar e uma profundíssima reforma do Estado (sim, a expressão já enjoa, mas o problema continua lá) que melhore os serviços públicos e seja mais justa nos salários. Estas são as medidas que precisávamos de adoptar. Algumas, como actuar no Estado, são muito difíceis. Outras nem tanto. O problema é que nada disto é suficientemente apelativo para dar votos.
Quando olhamos para os grandes números do país, o maior problema é este: temos pouca poupança para tanta dívida e tanto envelhecimento da população. É uma bolha que vai rebentar sob a forma de empobrecimento, mesmo que apenas relativo ao resto do mundo. O Governo gosta de mostrar que temos crescido acima da média europeia. Claro que é bom. Mas o pior é que temos outros países, que eram mais pobres do que nós, a crescerem mais depressa e alguns a ultrapassarem-nos. Estamos a crescer, mas não o suficiente. Além disso, o nosso crescimento está neste momento demasiado dependente da capacidade de continuar a atrair turistas – o que, sem que se queira ser pessimista, não está garantido. O Algarve, por exemplo, está com menos turistas este ano do que em 2018.
Helena Garrido, OBSR

Quando A Força Vem Da Alma


Quando o cansaço atinge o pensamento, não há gigante que resista.
Quando a força vem da alma, o menor corpo se torna imbatível.


Rodrigo Rodrigues