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segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Mário Centeno É Hoje Um Ministro Isolado

Mário Centeno é hoje um ministro isolado, dentro do Governo e no PS, e sem proteção política do primeiro-ministro. Isolado e cercado. É este o contexto em que está a trabalhar na proposta de Orçamento do Estado para 2020, com pressões e influências de todos os lados. Os ministros das Finanças costumam dizer que o orçamento seguinte é o mais difícil de sempre. O de 2020, para Centeno, não será apenas o último, será mesmo o mais difícil, e não é por boas razões.

Mário Centeno é um ministro que tenta resistir ao Governo — à maioria dos ministros que o integram — e ao partido que suporta o Governo, o PS. Não é sempre assim? É, é esse o papel do ministro das Finanças, a conhecida ditadura das Finanças, mas agora há uma enorme diferença, é que Centeno não tem o apoio de António Costa. O primeiro-ministro suporta o ministro das Finanças, mas na prática já o descartou. O ministro das Finanças, esse, está em posição frágil, porque precisa do primeiro-ministro para ser governador do Banco de Portugal. É uma relação política totalmente desequilibrada, foi quase sempre assim, mesmo quando Centeno era o “Ronaldo das Finanças”. Como o outro Ronaldo, agora, Centeno já está muitas vezes no “banco”, sai a meio do jogo e às vezes nem chega a equipar-se.

A opção de Centeno e da equipa das Finanças não é neutra. Para o próprio, mas sobretudo para as contas do Estado e para aario  economia do país

António Costa, ECO (ler artigo completo)

Mar De Dentro

(...) Ali posso ficar mais tempo quieta, tentando compreender o que é um mar. Escutando, contemplando ou mergulhando nele, ou observando-o do alto dos morros quando se revolve e arfa, aprendendo que o mar não é apenas movimento e rumor. O mar, como tudo o mais - também as pessoas -, é o seu próprio escondido que à noite chega à superfície, procurando não se sabe o quê, talvez buscando apenas quem o escute e entenda.

Mar de dentro.
Lya Luft

domingo, 24 de novembro de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)

>Joacine critica direção do Livre: “Fui eu que ganhei as eleições sozinha”

A Tese De Que Cada Época Tem A Sua ‘Mania’.

Resumo [JAS] a ideia, com algumas alterações.
Nos anos 50, a afirmação social fazia-se muito através do ‘emprego’ – e havia uma profissão em ascensão, a dos empregados bancários, gozando de boa situação financeira, vários privilégios (como uma cooperativa exclusiva) e um certo prestígio social.
Nos anos 80, a diferenciação fazia-se pelo ‘local’ de habitação. Viver no Restelo ou no Areeiro, por exemplo, era sinal de estatuto. Mas viver na Amadora ou na Margem Sul tinha o sentido oposto.
No ano 2000, as pessoas passaram a distinguir-se pelo ‘consumo’, e surgiu a obsessão pela roupa de marca. Todos, a começar pelas crianças, queriam usar roupa de marca. A coisa começou a declinar com a proliferação das contrafações: as falsificações eram tantas, que a maior parte da roupa de marca era falsa e o seu uso passou a ser sinal de ‘parolice’.
Em 2018 entrámos no tempo das ‘causas’.  As pessoas distinguem-se por terem ‘causas’. Causas ideológicas e causas ambientais.
Tudo hoje se transforma em ‘causa’. É a causa dos sem-abrigo, a causa dos toxicodependentes, a causa dos transexuais, a causa do aborto, a causa da eutanásia, a causa dos migrantes, a causa do chumbo escolar, etc.
Os sem-abrigo, os toxicodependentes, as mulheres que querem abortar, os migrantes são vistos como vítimas da sociedade – pelo que a sociedade tem a obrigação de as ajudar.
Aos sem-abrigo é preciso oferecer casas e emprego; aos toxicodependentes é preciso fornecer seringas e disponibilizar salas de chuto; aos que nasceram no corpo errado a lei tem de permitir a mudança de sexo cada vez mais cedo e o Estado tem de pagar a operação; às mulheres que querem abortar o Estado tem de oferecer condições condignas; aos doentes que querem morrer é preciso proporcionar uma morte suave; aos migrantes que são apanhados no mar é preciso dar acolhimento e condições de vida; às crianças que chumbam na escola e ficam traumatizadas é preciso deitar a mão e acabar com os chumbos.
E depois são as causas individuais, como a causa de Vuvu Grace, a causa de Joacine Katar Moreira, até a causa da mulher que deitou o bebé no lixo.
Algumas destas causas parecem ‘boas causas’. E muita gente bem-intencionada torna-se sua apoiante ou mesmo militante.
O que estas pessoas não percebem é que estas ‘causas’ vão todas no mesmo sentido: a desresponsabilização individual. Os migrantes, os toxicodependentes, as mulheres que abandonam ou matam os filhos, são todos vítimas, não são responsáveis por nada. No limite, não há responsáveis – porque os próprios criminosos comuns também não têm culpa de o ser, pois nasceram na ‘pele’ errada ou a sociedade atirou-os para a marginalidade e o crime.
E a par destas causas ideológicas vêm as causas ambientais. Que também têm tendência a tornar-se ideológicas. Porquê? Sobretudo porque Trump e os seus mentores contestam algumas das suas premissas e os EUA abandonaram o Acordo de Paris.
E também porque Bolsonaro ‘deixou arder’ a Amazónia.
Mas, ao mesmo tempo que os militantes das causas ambientais participam em manifestações contra o ‘desleixo’ climático, ou a favor da Amazónia, ou contra Trump, colaboram muito mais ativamente do que as gerações anteriores na destruição do planeta.
Porquê?
Porque os jovens de hoje poluem dez vezes mais do que os jovens de há 20 ou 30 anos. Além de consumirem muito mais, viajam muito mais. Não se contentam com umas férias na Costa da Caparica ou mesmo na Ericeira, em Sesimbra, na Nazaré ou em Moledo – fazem férias em destinos longínquos e exóticos: o Bali, o Vietname, o Cambodja, as Maldivas, a Austrália. Muitos jovens, mesmo de estratos baixos, procuram estes destinos – sem se preocuparem com os custos ambientais de viagens de avião para longas distâncias, com descolagens, aterragens e gastos tremendos de combustível.
Esses jovens ficam escandalizados se um fulano deitar no lixo uma garrafa de plástico em vez de a deitar no respetivo contentor. Mas depois consomem brutalmente e viajam loucamente, com os correspondentes custos para o ambiente.
Vivemos numa época cheia de mitos, fantasias e contradições.
Mas ai de quem os denuncie.
Porque os novos inquisidores estão atentos, apontam o dedo aos heterodoxos, aos politicamente incorretos, aos que revelam as contradições, as confusões de valores. Quais bispos fundamentalistas de um novo credo, perseguem os infiéis, os que não seguem a doutrina. É assim, em todas as épocas, com todos os detentores da ‘verdade’.
E são persistentes. Invadem as redações dos jornais e das TVs, batem-se pelas suas ideias. Mesmo comentadores encartados, com medo deles, evitam dizer abertamente o que pensam.
E vão ganhando posições. Veja-se o que Bloco de Esquerda já ‘ganhou’ desde que surgiu. E atrás de uma causa vem sempre outra, para manter a pressão.
Claro que chegará a altura em que uma gota fará transbordar o copo.
Vejo muita gente revoltada, indignada, inconformada. O fascismo surgiu como e porquê? Como reação ao comunismo e às ideias internacionalistas da revolução russa.
E esta onda de extrema-direita que cresce na Europa é devida a quê? É uma reação contra a ofensiva da extrema-esquerda nos últimos tempos, com a política de ‘causas’.
Isto não vai acabar bem.
( José António Saraiva, resumindo a ideia deJosé Alberto Allen Lima, SOL)

Um Governo Desaparecido Na Clandestinidade Dos Acordos Secretos

A começar por um Governo desaparecido na clandestinidade dos acordos secretos, na contabilidade de um Orçamento para a Humanidade, nas reuniões com os parceiros do Bloco, do PCP, do PAN, soterrado pelo esforço de inventar o futuro para um Portugal de figurantes. O País está parado num “sereníssimo pandemónio” e os governantes falam numa linguagem burocrática, que se expande no vácuo, sobre o SNS, a Função Pública, as Pensões, o Rendimento Garantido. O Governo é uma agência de distribuição de recursos que não são dele, um abismo para a riqueza que não tem e que não produz, como se não existissem limites para o Autoritarismo Social. Portugal está a confundir-se com o Estado, em vez de uma Nação temos direito a uma Repartição.

Carlos Marques de Almeida, ECO

A ficção progressista tomou de assalto o Parlamento enquanto a realidade rasga caminho pelas ruas. O polícia do pensamento esmaga um insecto no écran desta crónica e as palavras disparam em modo de subversão.

Nenhum Homem Há Que Não Dê Pelo Pão

 "Os pobres dão pelo pão o trabalho; 
os ricos dão pelo pão a fazenda; 
os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; 
os de espíritos baixos dão pelo pão a honra; 
os de nenhum espírito dão pelo pão a alma; 
e nenhum homem há que não dê pelo pão, 
e ao pão, todo o seu cuidado. "
Padre António Vieira 

sábado, 23 de novembro de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)

>João Almeida candidata-se à liderança do CDS

Percebe-se Que Há Uma Neblina Perigosa Quando ...

Percebe-se que há uma neblina perigosa quando uma maioria de esquerda no Parlamento pretende silenciar os pequenos partidos; percebe-se que há uma neblina que desfoca o regime quando o PSD acha boa ideia passar os debates quinzenais com o primeiro-ministro a debate mensal, para diminuir os incómodos e ruídos perigosos e não expor tanto a sua própria fraca oposição; percebe-se que a neblina passa a muro opaco quando o presidente da Comissão de Transparência do novo Parlamento, Jorge Lacão, admite que as reuniões daquele órgão decorram à porta fechada. 

Tudo isto se passou no Parlamento no primeiro mês de actividade - pode dizer-se que, pelo caminho que as coisas levam, a Assembleia da República está seriamente empenhada em dar uma má imagem e em continuar a aumentar o desprestígio da função de deputado - situação que, pelos vistos, não desagrada aos próprios. 

Se juntarmos a isto a ideia deixada no ar por António Costa de que os impostos indirectos poderiam subir, de que há planos de um englobamento que é apenas um eufemismo para aumento do IRS, e se ainda juntarmos as notícias sobre a continuação de dificuldades financeiras na saúde e transportes, temos uma ideia do que prometem ser estes quatro anos da legislatura agora iniciada: areia lançada à ventoinha para iludir os incautos, uma sucessão de promessas feitas em ano eleitoral que, de repente, entram na zona de amnésia do poder e que, na realidade, nunca foram anunciadas com a ideia de serem cumpridas. 

Chegámos ao ponto em que o engano é a arma da política e a ocultação a máscara dos políticos. O mais engraçado de tudo é que o efeito desejado - e que até aqui tem sido bem conseguido - é que aumente o desinteresse pela política, para que sejam cada vez menos os que votam, de forma que os eleitos sejam cada vez menos representativos e cada vez menos alvo de escrutínio.

Fonte: Manuel Falcão, J Negócios

Joacine Katar Moreira, A Pedra No Sapato Do LIVRE

O LIVRE manifestou, este sábado, estar preocupado com sentido de voto de Joacine Katar Moreira, deputada eleita pelo partido em outubro.
Em causa está o voto de abstenção da deputada do LIVRE Joacine Katar Moreira ao voto apresentado pelo Partido Comunista Português sobre a investida militar de Israel em Gaza.
"O Grupo de Contacto do LIVRE manifesta a sua preocupação com o sentido de voto da deputada Joacine Katar Moreira, em contra-senso com o programa eleitoral do LIVRE e com o historial de posicionamento do partido nestas matérias", pode ler-se em comunicado, publicado este sábado.O Partido esclarece que o " texto apresentado pelo PCP colhe uma posição favorável por parte da direção do partido LIVRE".(Fonte:JN)
Nota :É no que dá propor deputados ignorando o modo como pensam utilizando unicamente uma nesga (gaguez e ódio rácico) que podia traduzir-se numa vantagem eleitoral.Por outro lado, muitas pessoas acabam por votar por simpatia sem conhecerem as ideias daqueles em que votam. Assim não vamos longe, pelo contrário - o retrocesso está em marcha.

Existe


O aperto no coração
Sensação dum vazio
A angústia e a razão
Água que corre no rio
Existe
O mar em sobressalto
Gaivota que sabe voar
Pé descalço em asfalto
Vento em dança de luar
Existe
Vida enfeitada de paixão
Um sentir em ti a escoar
Tela a óleo pintada à mão
Uma loucura para reciclar.
Existe
A tempestade e a borrasca
Raios e coriscos e ressaca.

Alice Coelho