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terça-feira, 25 de agosto de 2020

E Realidade Que Choca

À medida que nos distanciamos no tempo do início da pandemia é possível irmos fazendo uma avaliação séria e ponderada, económica e política do caminho percorrido até hoje. Os portugueses querem uma comunicação transparente e os políticos devem conduzir os destinos do país de forma a criar confiança nas instituições democráticas. Mas vejamos alguns exemplos dos últimos meses: Uma ministra que diz que Portugal pode beneficiar com o coronavírus, Um ministro que negoceia o seu lugar, Um ministro que desapareceu, Um ministro radical. (ler texto completo)

De facto a gestão de crises não é fácil, mas a governação para o soundbite e para as manchetes dos jornais parece orientar algumas escolhas políticas que dificilmente estão articuladas com as prioridades dos portugueses. E isto piora quando o próprio Primeiro Ministro assume, em linguagem carroceira e apenas em privado, o que pensa sobre uma classe profissional sobre a qual há apenas dois meses qualificava de heróis e a quem dava o prémio de poderem ver jogos de futebol pela televisão.

Lídia Pereira, ECO

Pra Que Chorar

Pra que chorar
Se o sol já vai raiar
Se o dia vai amanhecer
Pra que sofrer
Se a lua vai nascer
É só o sol se pôr
Pra que chorar
Se existe amor
A questão é só de dar
A questão é só de dor
Quem não chorou
Quem não se lastimou
Não pode numa mais dizer
Pra que chorar
Pra que sofrer
Se há sempre um novo amor
Em cada novo amanhecer

(Vinicius de Moraes)

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)

COVID-19: Situação Em Portugal Hoje Segunda-feira


  • 55.720 casos confirmados (+123 face ao dia anterior) 
  • 1.801 vítimas mortais (+ cinco vítimas mortais nas últimas 24 horas)
  • 321 internados
  • 44 estão em (UCI) 
  • 40.880 casos recuperados em Portugal (+106) 
Atualmente existem: 

  • 19.972 casos registados no Norte
  • 4.669 no Centro
  • 28.816 em Lisboa e Vale do Tejo
  • 1.034 no Algarve
  • 202 casos na Região Autónoma dos Açores
  • 140 na Região Autónoma da Madeira 
  • 887 casos no Alentejo.

Do total das 1.801 mortes:
845 foram no Norte, 253 no Centro, 649 em Lisboa e Vale do Tejo, 17 no Algarve, 15 nos Açores, 22 no Alentejo, não se registando nenhuma na Madeira.

O grupo etário com o maior número de casos verifica-se entre os 30 e 39 anos, com 4.363 homens e 4.786 mulheres, num total de 9.149 casos. O maior número de óbitos regista-se acima dos 80 anos, com 526 homens e 677 mulheres, num total de 1.203 mortes.

Assim Vai Este País

Os velhos não contam, os doentes que aguardam uma cirurgia urgente também não. Os profissionais de saúde e os bombeiros também não interessam nem preocupam os deputados, nem os governantes. (P. Gonçalo Portocarrero de Almada, OBSR)

Dois meses depois do anúncio da Champions em Lisboa, eis o balanço: foi vendido um milagre que não existia, anunciada uma vitória que nunca aconteceu e prometidos benefícios que nunca chegaram. (Alexandre Homem Cristo:OBSR)

O Chega alimenta-se por inteiro do que Costa e o jornalismo fazem do Bloco e organizações afins. É o antídoto imaginário para um discurso radical que quase se apresenta sem contraditório na sociedade. (Paulo Tunhas, OBSR)

O lar de Reguengos de Monsaraz, onde morreram 18 pessoas, volta a estar na agenda mediática, embora o mais importante não seja discutido e não se apurem as responsabilidades, isto na perspetiva governamental. Costa disse também [ Supostamente com as câmaras e microfones desligados, o primeiro-ministro disse : “O presidente da ARS (Administração Regional de Saúde) mandou para lá os médicos para fazerem o que lhes competia e os gajos, cobardes, não fizeram”, ouve-se na gravação que começou a circular nas redes sociai] que a Ordem dos Médicos não tem competência para fiscalizar o Estado. E podemos juntar as duas questões: a fuga das gravações e a não competência da Ordem dos Médicos para apurar o que se passou em Reguengos de Monsaraz. E aqui pergunto: se fosse Rui Pinto, o famoso hacker, que tivesse “sacado” as gravações, estas já eram de interesse público?( Vítor Rainho, Ji)

domingo, 23 de agosto de 2020

Que Nenhuma Estrela Queime O Teu Perfil

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)

O Clima De Relativa Unidade Que Se Vive Agora É Insuficiente E Não Tem futuro

O clima de relativa unidade que se vive agora é útil, mas insuficiente e não tem futuro. Trata-se, perante perigos ameaçadores, de uma espécie de convergência inescapável sem estratégia global nem metas definidas. Tem uma amplitude de objectivos extremamente reduzida e resulta da inevitabilidade mais do que de uma atitude voluntária. Não propõe um esforço comum, não projecta acções futuras nem programa políticas ulteriores.

Ora, Portugal necessita de um esclarecimento político essencial e de um esforço comum capazes de fundamentar coesão, decência e desenvolvimento para os próximos anos. Antes da pandemia, já se sabia que o país caminhava aceleradamente para um afrontamento. Como nunca nas últimas décadas, a divisão entre esquerda e direita desenha-se no horizonte com nitidez. Já não se trata da divisão entre democracia e não democracia, como foi o caso dos primeiros anos após o 25 de Abril: agora é cada vez mais entre esquerda e direita.

convergência de vários factores de crise é geralmente nociva. Até se inventou uma expressão interessante: a “tempestade perfeita”.  Não sabemos, ainda, se esta existe ou não, se está presente em Portugal ou não, mas sabemos que há muitos argumentos nesse sentido, a começar pela simultaneidade de causas externas e internas. 

O recuo das democracias nas Américas e na Europa é um mau sinal. A ascensão do nacionalismo autoritário na Europa e na Ásia é flagrante. A crise da defesa ocidental e europeia, em resultado da política americana e da agressividade russa, é real, já não é apenas uma hipótese. As dificuldades de relançamento económico da Europa e de reorganização da União são as maiores de sempre. As sequelas da crise pandémica são incomensuráveis e ainda hoje difíceis de enumerar.

Todas as razões externas e globais têm consequências em Portugal. A essas, acrescentamos evidentemente as nossas próprias. A divisão entre esquerdas e direitas, agora acrescentadas das respectivas extremas, é radical e dificilmente ultrapassável. 

A animosidade e a contradição entre sectores público e privado (na economia, na saúde, na educação…) atingem graus inéditos e nefastos. O elevadíssimo grau de corrupção e de promiscuidade financeira e política exige uma justiça pronta e eficaz que não temos. O agravamento da desigualdade social e da ineficiência dos serviços públicos, em resultado da pandemia, é visível e inquietante. A inclusão, no debate político, da questão racial, é uma novidade de efeitos imprevisíveis, mas seguramente ácidos. A retórica do antifascismo e do anticomunismo torna todas as soluções mais difíceis.
Qualquer esforço de desenvolvimento, de coesão e de paz social, exige unidade e convergência de esforços. Sem receios atávicos da “união nacional”. Seria tão bom e tão útil ao país que as principais forças políticas percebessem!

António Barreto, Público 

Mar Dentro

...) Ali posso ficar mais tempo quieta, tentando compreender o que é um mar. Escutando, contemplando ou mergulhando nele, ou observando-o do alto dos morros quando se revolve e arfa, aprendendo que o mar não é apenas movimento e rumor. O mar, como tudo o mais - também as pessoas -, é o seu próprio escondido que à noite chega à superfície, procurando não se sabe o quê, talvez buscando apenas quem o escute e entenda.

(Lya Luft)