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domingo, 31 de janeiro de 2021

O Governo Passou Um Ano A Contemplar O Vazio

 O Governo passou um ano a contemplar o vazio, de tal modo que hoje nos quer fazer acreditar que ainda é manhã na pandemia, quando na verdade é a noite que professa.

Carlos Marques de Almeida, ECO

Não deixa de ser absurdo que quando tantos portugueses morrem querendo viver, a Assembleia da República aprova uma lei que confere aos portugueses o direito de morrer não querendo viver. Quando o País atinge os números estratosféricos e planetários de mortes covid, o espanto e a insensibilidade obtusa do Legislador revela a substância de duas personalidades, uma versão periférica e tosca de um Senhor Hyde que habita um Doutor Jekyll. 

Quando o Presidente da República faz um apelo ao País de que é necessário agir para salvar vidas, o Legislador resolve praticar uma espécie de realismo mágico, uma forma de desenvolvimento político que exprime uma genuína consciência de Terceiro Mundo. É a tirania de um progresso que ninguém entende, sobretudo quando a banda sonora do País são os avisos electrónicos das Unidades de Cuidados Intensivos. Mas que importa o concerto das núpcias da morte quando os portugueses passam a ter o direito a uma nova morte com outra dignidade e medicamente assistida. São as coisas impossíveis que acontecem à porta das Urgências que revelam os dias de solidão que asfixiam os portugueses até ao destino de uma crónica que assinala mais uma morte anunciada.

Depois são as vacinas que ninguém sabe, ninguém controla, ninguém conhece. O uso vergonhoso das vacinas é o reflexo do velho expediente nacional, o reflexo sobretudo de uma sociedade meia-feita ou meia-desfeita, no qual os velhos hábitos se confrontam com as novas regras e no fim ganham sempre as pequenas corrupções públicas que submergem as angústias privadas. A deterioração da realidade em Portugal, a hiperbólica crise de saúde pública que atravessa o País, é tanto política como económica, tanto moral como cultural. A verdade oficial tem sido descontrolada pela incompetência e pela indiferença, onde a única verdadeira verdade é que continuam a mentir.

O Governo passou um ano a contemplar o vazio, de tal modo que hoje nos quer fazer acreditar que ainda é manhã na pandemia, quando na verdade é a noite que professa.

Não é com a indignação dos discursos dramáticos que se evita a “medicina de catástrofe” praticada nos Hospitais. Em democracia ficar calado é ficar com o ónus da cumplicidade; em democracia ficar calado é aceitar a fatalidade da incompetência política; em democracia ficar calado é representar a omissão de uma missão cívica – a missão de falar em nome de uma comunidade de destino que é a maior prova de vida de um País.

A escassez de vacinas no mercado aponta para o desencontro entre a procura e a oferta, revelando uma trágica e lamentável falha nos mecanismos de distribuição próprios de uma economia liberal.

(ler aqui texto completo)

Sou Uma Céptica Que Crê Em Tudo Uma ...



Sou uma céptica que crê em tudo, 
uma desiludida cheia de ilusões, 
uma revoltada que aceita, sorridente, todo
o mal da vida, uma indiferente a
transbordar de ternura.

(Florbela Espanca)

sábado, 30 de janeiro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde

Covid-19: Situação Em Portugal Hoje Sábado

  • 711.018 confirmados (mais 12.345)
  • 179.939 casos ativos (menos 1.872)
  • 12.179 vítimas mortais (mais 293 vítimas)
  • 518.900. pessoas recuperadas   (+14.014)
  • 6.544 internados (menos 83)
  • 843 estão em Unidades de Cuidados Intensivos (mais 37).

Atualmente existem: 

  • 303.581 casos registados no Norte (mais 3.155)
  • 101.150 no Centro (mais 2.499)
  • 257.203 em Lisboa e Vale do Tejo (mais 5.961)
  • 17.005 no Algarve (mais 268)
  • 3.466 casos na Região Autónoma dos Açores (mais 25)
  • 3.954 na Região Autónoma da Madeira (mais 91) 
  • 24.659 casos no Alentejo (mais 436).

Quanto aos óbitos, do total das 12.179 mortes

  • 4.453 registam-se no Norte (mais 65)
  • 2.124 no Centro (mais 63)
  • 4.682 em Lisboa e Vale do Tejo (mais 136)
  • 205 no Algarve (mais nove)
  • 24 nos Açores
  • 651 no Alentejo (mais 17)
  • 40 mortes na Madeira (mais três).

Do total de casos positivos de coronavírus, 321.044 foram em homens e 389.749 em mulheres. 225 encontravam-se em investigação.

Nas mortes, 6.338 foram em homens e 5.841 em mulheres.

Aos Olhos De Uma Boa Parte Dos Cidadãos O Governo Falhou

 «O que aconteceu nas últimas semanas é muito mais do que um abalo. É um terramoto. Aos olhos de uma boa parte dos cidadãos, o Governo falhou exactamente no domínio em que não podia falhar: na sua protecção.»

Manuel Carvalho, Público

Os erros assumidos pelo Governo na gestão da pandemia têm custos que vão muito para lá dos números trágicos que nos revoltam: têm um fortíssimo impacte na sua credibilidade. Era previsível que o acumular de problemas abalasse a estabilidade do executivo, mas o que aconteceu nas últimas semanas é muito mais do que um abalo. É um terramoto. Aos olhos de uma boa parte dos cidadãos, o Governo falhou exactamente no domínio em que não podia falhar: na sua protecção. Com esse fracasso, a sua legitimidade democrática não fica em causa; a confiança que se exige na relação entre governantes e governados, sim. António Costa vai ter de durar porque, como ele em tempos disse, “não se mudam generais no meio da batalha”. Ele será um general a caminhar sobre brasas. 

A realidade é o que é. Nos julgamentos dos políticos contam sempre menos os contextos que explicam os erros do que os próprios erros. A nova estirpe do vírus ou o consenso dos partidos no Natal transformam-se em expedientes.  

Para sobreviver ao ambiente de decrepitude, o Governo precisa de sangue novo. De uma remodelação – sem gente dos gabinetes. De rasgo. De insistir mais no que une os portugueses do que no que os divide  da mão protectora do Presidente. De mais pontes no Parlamento e menos dogmas. De coragem para cortar cerce os abusos – como o das vacinas que corrói a ideia de que estamos juntos neste desafio. É muita coisa, sem dúvida. Mas ou António Costa consegue sair do buraco em que caiu ou arrisca-se a um longo e penoso ocaso.  

(excertos do Editorial do Público)

Dorme, Ruazinha ...

É tudo escuro...
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranquilos.
Dorme...
Não há ladrões, eu te asseguro...
Nem guardas para acaso persegui-los...
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos...
O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão...
Dorme, ruazinha...
Não há nada...
Só os meus passos...
Mas tão leves são
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração...

(Mario Quintana)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde

 

Covid-19: Situação Em Portugal Hoje Sexta-feira

  • 698.583 casos confirmados (mais 13.200)
  • 11.886 vítimas mortais (mais 278
  • 6.627 internados (mais 62)
  • 806 estão em Unidades de Cuidados Intensivos (mais 24) 
  • 504.886 casos recuperados em Portugal (mais 11.187)
  • 225.507 pessoas encontram-se em vigilância (mais 2.357) 
  • 181.811 casos ativos (mais 1.735

Por Regiões:

  • 300.426 casos registados no Norte (mais 3.198)
  • 98.651 no Centro (mais 1.842)
  • 251.242 em Lisboa e Vale do Tejo (mais 7.123)
  • 16.737 no Algarve (mais 381)
  • 3.441 casos na Região Autónoma dos Açores (mais 65)
  • 3.863 na Região Autónoma da Madeira (mais 105) 
  • 24.223 casos no Alentejo (mais 486).

Quanto aos óbitos, do total das 11.886 mortes: 

  • 4.388 registam-se no Norte (mais 70),
  • 2.061 no Centro (mais 53)
  • 4.546 em Lisboa e Vale do Tejo (mais 137)
  • 196 no Algarve (mais três),
  • 24 nos Açores, 
  • 634 no Alentejo (mais 14)
  • 37 mortes na Madeira (mais um).

Atualmente existem 315.414 homens e 382.947 mulheres infetados pelo novo coronavírus, sendo que existem 222 pessoas infetadas cujo género é desconhecido. Em termos de óbitos contabilizam-se 6.197 homens e 5.689 mulheres. Encontram-se em vigilância 225.507 pessoas, mais 2.357 do que no dia de ontem. Registam-se ainda 181.811 casos ativos, mais 1.735 do que o verificado ontem.

O grupo etário com o maior número de casos verifica-se entre os 40 e 49 anos, com 51.192 homens e 65.527 mulheres, aos quais se acrescentam 34 pessoas de sexo desconhecido, num total de 116.719 casos. O maior número de óbitos regista-se acima dos 80 anos, com 3.647 homens e 4.349 mulheres, num total de 7.996 mortes.

O País Está Num Processo De Descontrolo Em Curso (PDEC) À Vista De Todos

 Portugal tem neste momento um governo em descontrolo total, desorientado e que toma decisões a um ritmo diário, muitas delas contraditórias entre si. Agora é que o país precisa mesmo de um milagre. 

O país está num Processo de Descontrolo Em Curso (PDEC) à vista de todos, a desf
azer-se do ponto de vista da saúde pública, da economia, da autoridade das instituições, até do regular funcionamento das instituições. E a cada dia que passa somos confrontados com medidas novas de confinamento que só podem suscitar uma pergunta — porquê só agora? — e uma conclusão: Quando faz bem, o Governo faz tarde, quando faz a tempo e horas, faz mal.

Portugal não está num impasse político, porque se estivesse, haveria uma possibilidade de saída, e não há. O país está mesmo num beco sem saída, um Presidente da República obrigado a comprometer-se e a dar cobertura ao Governo, um primeiro-ministro que tem a sua esquerda limitada pelos resultados das presidenciais e uma crise pandémica, o centro-direita sem provar ser uma alternativa consistente e efetiva. Só isto justifica o que temos assistido nos últimos meses, a sucessão de trapalhadas, casos, decisões políticas erradas, contraditórias, e um país que é notícia em todo mundo por liderar o pior dos rankings — as mortes por milhão de habitantes — sem que se vejam ou antecipem consequências políticas. Nem sequer nas sondagens (e não é crível admitir que os portugueses, a maioria, sejam masoquistas).

Querem exemplos? -  ora leiam aqui.

No meio deste Processo de Descontrolo Em Curso (PDEC) e de desorientação total e sem fim à vista (com paralelo apenas naqueles loucos meses de Santana Lopes), emerge um Presidente da República reeleito e a tentar manter o regular funcionamento das instituições, e a afundar-se com o próprio Governo. Marcelo fala ao país às 20 horas e alerta que temos de estar preparados para um confinamento geral até ao fim de março, para chegarmos à primavera e ao verão em condições mínimas de estabilidade política e social. Agora, sim, só mesmo um milagre nos pode salvar (e o esforço quase sobrehumano, dos profissionais de saúde).

Quem deveria estar em confinamento, e restrito, era mesmo o Governo, porque está a contaminar toda a gente, a contaminar um país e a condená-lo à sua sorte (ou à sua morte)

(excertos do texto de António Costa, ECO)


Isto É O Meu Corpo

O corpo tem degraus, todos eles inclinados
milhares de lembranças do que lhe aconteceu
tem filiação, geometria
um desabamento que começa do avesso
e formas que ninguém ouve

O corpo nunca é o mesmo
ainda quando se repete:
de onde vem este braço que toca no outro,
de onde vêm estas pernas entrelaçadas
como alcanço este pé que coloco adiante?

Não aprendo com o corpo a levantar-me,
aprendo a cair e a perguntar

(José Toletino Mendonça)