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sábado, 19 de fevereiro de 2022

O Episódio Foi Grotesco E Imperdoável

 
A emigração portuguesa raramente é vista como sinal de progresso e de procura de oportunidades. É outrossim olhada como sinal de pobreza e de carência. Desde sempre, no espaço público, se associa a emigração a drama e incerteza…

Foram cento e cinquenta mil votos anulados, cento e cinquenta mil pessoas que se deslocaram para adquirir os meios de votar, que tinham a certeza de ter satisfeito um direito, que sabiam ter cumprido um dever, que sentiam pertencer a um país, que se identificavam com milhões de outros como eles, que esperavam contribuir para a formação de um parlamento, que queriam ter um representante seu e que deram o seu veredicto para formar um governo! Apesar da repetição, o episódio está aí, claro no seu significado, turvo no seu sentido.

O episódio foi grotesco. Ainda um dia se encontrarão os culpados. Partidos? Funcionários? Juristas? Burocratas? Quais? Quem? De que ministério? Com que funções? Quem respeitou e quem agiu contra a lei? De tudo isso se saberá um dia, um pouco, talvez nunca…

(excertos do texto de António Barreto no Público via Jacarandá)

Entendimento


 O homem tem preguiça, em geral, de pensar todo o pensável 
e contenta-se com fragmentos de ideias, recusa-se a uma coerência absoluta. 
Não leva até ao fim o esforço de entender. 
E, exactamente porque não o faz, toma, em relação à sua capacidade de inteligência, 
uma absurda posição de orgulho. 
Compara o pouco que entendeu com o menos que outros entenderam, 
jamais com o muito que os mais raros puderam perceber.

(Agostinho Silva)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (34)

O ruído que o grupo parlamentar do CDS-PP fará ao sair do hemiciclo é uma das incógnitas da legislatura. Para os que ficam, como um PSD também enredado em problemas graves, surge o desafio de provar que os centristas não são insubstituíveis. Chega e Iniciativa Liberal, muito diferentes na forma e no conteúdo, estarão também empenhados nisso. E será em boa parte neste tabuleiro que se joga o futuro do único partido que se pode orgulhar de ter rejeitado a Constituição que subjugava o poder político à tutela militar e traçava para Portugal o rumo do socialismo.  (Leonardo Ralha, Novo

Só A Luz Pode


Pela violência você pode matar um assassino, mas não pode matar o assassinato.
Pela violência pode matar o mentiroso, mas não pode estabelecer a verdade.
Pela violência pode matar uma pessoa odiosa, mas não pode matar o ódio.
A escuridão não pode extinguir a escuridão. Só a luz pode.

(Martin Luther King Jr.)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (33)

“alterações climáticas” ainda é tabu nos media - “É Inverno, mas não chove”. Mas os media continuam sem dizer alterações climáticas, e sem criar espaços de ligação causa-efeito-solução. Se o fazem, fazem-no pouco.                    (Diana Chaves, Público)

“Os especialistas dizem.” Alguém os ouve? “O problema não é de agora”. Andámos a brincar? Quase 60% do país em seca severa. 

Fumo


Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

E ele é, ó meu amor pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos....

(Florbela Espanca)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

Há Momentos Em Que A Injustiça Fica Mais Patente

1- É muito grande a ingratidão do povo e dos média em relação a certas figuras. E há momentos em que essa injustiça fica mais patente. Aconteceu há dias quando jornalistas embevecidos assinalaram os 20 anos do início do enchimento da albufeira do Alqueva, que alimenta a barragem. E quem apareceu no boneco das televisões? António Guterres. E porquê? (...)

2- Há muitas guerras de vaidades na investigação criminal entre, por exemplo, Ministério Público e PJ e entre esta e outras polícias, o que pode estar na origem deste estardalhaço. Foi um mau sinal. Neste caso, objetivamente, interessam três conclusões: a primeira, e vital, é que a chacina de estudantes da faculdade de ciências onde o autor frustrado estudava não aconteceu; a segunda, que pode haver na web interceções (fruto de investigação ou de acaso) que evitam ataques e salvam vidas; a terceira, que os média audiovisuais são facilmente manipulados e não sabem gerir situações deste género, embarcando (consciente ou inconscientemente) na tentativa desenfreada de ganhar audiências. Nunca tanta hora foi gasta com um ataque inexistente. Houve um empolamento lamentável dos factos. (...)

3- Aguardamos pelo Governo e pelas primeiras definições internas no PSD. No primeiro caso, será o que António Costa decidir. Há oito dias, entrou-se aqui na futurologia do momento e não vale a pena voltar. No segundo, serão mais uma vez os dirigentes e militantes do PSD a decidir. (...)

4As legislativas em números simples. Estavam recenseados 10.829.337 eleitores. Só votaram 5.647.496, ou seja, 51,19%. Dos votos que entraram nas urnas e foram validados, houve 189.365 que não serviram para eleger nenhum deputado de partidos em que os eleitores depositavam confiança. A esses se juntam 65.094 brancos e 54.299 nulos (ou seja, 119.393) que também não elegeram ninguém. Há ainda sobras de votos em partidos que são desperdiçados porque não chegam para atribuir mandatos. A tudo isto se juntou uma confusão que anulou cerca de 157 mil sufrágios de emigrantes, contabilizando-se apenas à volta de 15 mil. (...)

5-À hora de mandar esta crónica sabia-se que o Tribunal Constitucional (TC) deu razão a queixas apresentadas por alguns partidos sobre irregularidades ocorridas em mesas de apuramento do círculo da Europa, determinando a repetição do ato eleitoral. Obviamente a decisão do TC atrasa a instalação da nova Assembleia da República, a posse do governo e a aprovação do orçamento. É um facto inédito em 50 anos. Mostra que gerimos mal a democracia e que a incompetência reina na política. 

(Ler aqui o texto completo de Eduardo Oliveira e Silva no Ji)