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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

O Mistério

 
A mais bela coisa que podemos vivenciar é o mistério. Ele é fonte de qualquer arte verdadeira 
e qualquer ciência. Aquele que desconhece esta emoção, aquele que não para mais para pensar 
e não se fascina, está como morto: os seus olhos estão fechados.

(Albert Einstein)

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (34)

 O país prometido não se cumpriu, os Governos não fazem reformas estruturais, passeiam-se apenas pelo poder, adiando sempre o principal.
 (Falcao, A Esquina do Rio)

Meio século atrás havia uma canção, de Sérgio Godinho, que tinha como refrão as palavras pão, paz, habitação, saúde e educação, os pontos que reivindicava como condição para que, de facto, as pessoas fossem livres. Se olharmos para os meses mais recentes vemos que existem sinais de diminuição do consumo de produtos básicos de uma alimentação saudável devido ao aumento dos preços, sabemos que a paz é um desejo permanentemente ameaçado, sentimos os problemas graves que existem no sistema nacional de saúde, estamos no meio de um turbilhão na educação e a habitação é um sério problema, quer pelo aumento dos preços das casas, quer pelo aumento dos custos de financiamento, quer ainda pelo inflacionado e anémico​​ mercado de arrendamento. Bem vistas as coisas, em meio século, estes indicadores básicos não foram cumpridos. Olhemos para a habitação. Um relatório recente do Banco de Portugal revela que, desde outubro do ano passado, o custo financeiro de comprar casa em Portugal superou o custo na média dos países do euro: em dezembro, a taxa de juro média dos novos créditos à habitação em Portugal era 36 pontos base superior à taxa cobrada pelos bancos da Zona Euro e, em 2022, a taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação mais do que triplicou em relação a 2021. Outros estudos indicam que em 2022 o preço médio das casas subiu 9,7%. Nas grandes cidades cada vez mais pessoas, sobretudo idosos com contratos de arrendamento antigos, são forçados a sair das suas habitações. Os mais novos, no início da sua vida profissional, têm sérias dificuldades em suportar os custos de habitação. O país prometido não se cumpriu, os Governos não fazem reformas estruturais, passeiam-se apenas pelo poder, adiando sempre o principal. (continuar a ler)

A Guerra Que Aflige Com Os Seus Esquadrões O Mundo

A guerra, que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito do erro da filosofia.

A guerra, como tudo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do Universo por nós.
Tendo por consequência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs.

Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer coisas, deixar rasto.
Para o coração e o comandante dos esquadrões
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química directa da Natureza
Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as coisas pré-humanas, mesmo no homem,
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (24-10-1917)

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (33)

 
É uma ilusão pensar que o Estado é, em Portugal, enorme, pesado e forte. Talvez seja enorme. Pesado é certamente. Forte é que não é seguramente. Alvo de predadores. Isco de caçadores. Pretexto de manobradores. E pedaço para gananciosos. Qualquer dos epítetos lhe serve. Forte é que não. Instrumento de poderosos. Volúpia de minorias. Burocracia de insaciáveis. Ferramenta dos mais fortes. Protecção dos estabelecidos. Tudo lhe serve. Forte é que não. Volúpia dos democratas. Lascívia dos autoritários. Sonho dos ditadores. E encanto dos Republicanos. Qualquer imagem lhe fica bem. Forte é que não. Cão de fila dos ricos. Esperança dos fracos. Paraíso dos racionalistas. Sonho dos fantasiosos. Também estes rótulos se lhe aplicam. Forte é que não. (António Barreto, Público)

Não tenhamos dúvidas: o governo, os sucessivos governos destruíram a força do Estado, decapitaram-no, amordaçaram-no, liquidaram a sua isenção e definharam a sua inteligência. Além de terem atrofiado, activa ou passivamente, a sua mais nobre função, a da administração da Justiça. (ler aqui texto completo)

Otimismo

 
Tenho admirado a resiliência cada vez mais.
Não a simples resistência de um travesseiro, cuja espuma
sempre volta ao mesmo formato, mas a sinuosa
tenacidade de uma árvore: ao encontrar a luz recém-bloqueada em um dos lados,
ela se volta para o outro. Uma inteligência cega, é verdade.
Mas de tal persistência surgiram tartarugas, rios,
mitocôndrias, figos — todo este resinoso e irrevogável planeta.

(Jane Hirshfield)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

Um Gene Comum Em Centenários Pode Ajudar A ‘Rejuvenescer’ O Coração


Investigadores italianos descobriram há anos que um gene comummente encontrado em pessoas com idades acima dos 90 anos tinha um efeito protetor do coração. Agora, uma mutação desse gene foi usada para ‘rejuvenescer’ o coração em ratos de laboratório

Ogene BPIFB4 é frequentemente encontrado em pessoas que vivem para lá dos 90 anos de idade e é responsável por manter o coração e a saúde cardíaca destas pessoas em boa forma. Agora, uma equipa introduziu uma modificação deste gene em ratos envelhecidos e descobriu-se que a variante permitiu ‘reverter’ a idade biológica do coração o equivalente a 10 anos humanos. Em ratos de idades médias, a terapia ajudou a parar o declínio da função cardíaca, explica o ScienceAlert.

Os cientistas querem agora analisar a variante associada à longevidade (LAV) deste gene e perceber melhor quais os seus efeitos fisiológicos.

Em testes a genes humanos, retirados de 24 pacientes envelhecidos e com doenças cardíacas severas, a equipa concluiu que a introdução deste gene trouxe benefícios. O LAV-BPIFB4 teve um papel na manutenção das células chamadas pericitos e que são responsáveis pela construção e manutenção de vasos sanguíneos, o que mantém o coração a funcionar bem durante mais tempo. “Ao adicionar o gene/proteína da longevidade à amostra, observamos um processo de rejuvenescimento cardíaca: as células cardíacas voltaram a funcionar normalmente e foram mais eficientes na construção de novos vasos sanguíneos”, afirmou Monica Cattaneo, investigadora que liderou o estudo da IRCCS Multimedia Group em Itália.

As equipas vão testar como a transferência deste gene, além de benefícios na diabetes e aterosclerose e outras complicações, pode ajudar na parte cardíaca também. Uma experiência que está a ser considerada é o uso da proteína do BPIFB4 como tratamento, em vez do gene propriamente dito.

O estudo completo pode ser lido na Cardiovascular Research.

Praia.

Minha praia ardorosa e solitária
aberta ao grande vento e ao largo mar
tu me viste querer-lhe com a doce
piedade das sombras do luar

teus cabos se adiantam como braços
para abraçar as ninfas receosas
que fugindo oferecem sobre as vagas
suas nítidas formas amorosas

braços paralisados por desejo
que o mundo e sua lei não permitiu
ou suspendeu amor que livre jogo
maior que posse em fugaz tempo viu

e como vós me alongo e como tu
areia me ofereço a toda sorte
por sua liberdade ou por destino
que por só dela seja belo e forte.

(Agostinho da Silva )