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quinta-feira, 9 de março de 2023

A Frase (56)

Cada vez mais fica a impressão de que (o Estado) exige aos cidadãos aquilo que ele próprio não é capaz de fazer.     (José Cabrita Saraiva, Ji)

Exige a limpeza dos terrenos dos privados, sob pena de multa, mas ele próprio não é capaz de cuidar dos seus, como se viu no incêndio do multissecular Pinhal de Leiria. Exige prazos apertadíssimos no cumprimentos das obrigações fiscais, mas ele próprio depois deixa os prazos arrastarem-se (veja-se as listas de espera intoleráveis na Saúde, por exemplo). Estipula limites de velocidade baixíssimos, com multas pesadas para os infratores, mas depois os governantes deslocam-se a 200 km/h. E na questão dos edifícios vai acontecer o mesmo: o Estado exige ao cidadão aquilo que ele próprio não consegue cumprir. E isso é terrível: para a credibilidade do Estado e para a confiança do cidadão. 

Rala Cai Chuva. O Ar Não É Escuro. A Hora

 
Rala cai chuva. O ar não é escuro. A hora
Inclina-se na haste; e depois volta.
Que bem a fantasia se me solta!
Com que vestígios me descobre agora!

Tédio dos interstícios, onde mora
A fazer de lagarto. – O muro escolta
A minha eterna angústia de revolta
E esse muro sou eu e o que em mim chora.

Não digas mais, pois te ignorei cativo…
Teus olhos lembram o que querem ser,
Murmúrio de águas sobre a praia, e o esquivo

Langor do poente que me faz esquecer.
Que real que és! Mas eu, que vejo e vivo,
Perco-te, e o som do mar faz-te perder.

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 8 de março de 2023

Notícias Ao Fim da Tarde


A Frase (55)

 Que o Governo suspire de alívio perante a sua própria ignorância é algo confrangedor. Que “nós não sabíamos” seja atenuante de más práticas governamentais idem. Eu, imbuído de boa-fé e alguma ingenuidade, nunca imaginei que a incompetência sorrisse tanto face à sua divulgação.
Tomando como verídica a versão da IGF, António Costa apostou repetidamente num governante capaz das maiores tropelias, opacidades e secretismos, decidindo tudo e um par de botas em reuniões de Zoom e grupos de WhatsApp.
Consequências do confinamento!, dir-me-ão. Mas é um pouco mais do que isso, não é?   (Sebastião Bugalho, CNN)

Uma coisa é um excesso de voluntarismo, um erro político, uma localização de um novo aeroporto decretada e imediatamente revogada por mão superior. Outra coisa é uma ilegalidade atestada por uma inspeção-geral e meio milhão de euros do Estado como solução para uma quezília entre duas pessoas. (Ler texto integral)

Uma Viagem, Não Uma Estação


Cada homem pertence tanto ao sítio de onde vem como àquele para onde vai. 
A ideia de que as nossas raízes nos prendem e condenam segue na linha errada 
da outra, também comum, de que os sonhos nos fazem perder... não, 
a vida é esta forma de ir sendo sempre mais, 
o que se foi, tanto quanto o que ainda não se é... 
uma viagem, não uma estação.     

(José Luís Nunes Martins) 

terça-feira, 7 de março de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (54)

Aos olhos dos portugueses o país está em processo de desagregação, pois os remendos políticos e o improviso oportunista não chegam para salvar Portugal.                     (Carlos Marques de Almeida, ECO)

Um discurso no Grémio Literário deixa um traço de decadência. Referências históricas aos “Vencidos da Vida”. Noites longas com pequenas intrigas políticas. Mas para Passos Coelho é o lugar apropriado para se revelar ao partido e ao país um “horizonte político” e um “desígnio nacional”. O Presidente da República revela o seu entusiasmo escuteiro tal qual um “catavento” em noite de tempestade política. O PSD agita-se com a agitação comum às conspirações. E o entusiasmo sebastianista que haverá de abrir as portas do poder. É o hábito gasto da política portuguesa – ideias são um luxo excessivo porque para chegar ao poder só se precisa do homem providencial. Para o PSD, Passos Coelho é a imagem da providência. De onde vem este interesse súbito em Passos Coelho?

As Coisas Mais Simples


As coisas mais simples, ouço-as no intervalo do vento
Quando um simples bater da chuva nos vidros
Rompe o silêncio da noite e o seu ritmo se sobrepõe
Ao das palavras.
Por vezes, é uma voz cansada que repete
Incansavelmente o que a noite ensina a quem vive.
De outras vezes, corre, apressada,
Atropelando sentidos
E frases como se quisese chegar ao fim,
Mais depressa do que a madrugada.
São coisas simples como a areia que se apanha,
E escorre por entre os dedos enquanto
Os olhos procuram
Uma linha nítida no horizonte
Ou são as coisas que subitamente lembramos,
Quando o sol emerge num breve rasgão de nuvem.
Estas são as coisas que passam quanto o vento fica
E são elas que tentamos lembrar, como
se as tivéssemos ouvido ,
E o ruído da chuva nos vidros
Não tivesse apagado a sua voz.

(Nuno Júdice)

segunda-feira, 6 de março de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (53)

Portugal tem um problema de excesso de aparelho do Estado, de dívida pública elevada e de falta de produtividade por trabalhador.   (António Moita, JNegócios)

Durante tempos de crise a narrativa política é a de que o país está melhor, mas que o dinheiro ainda não chegou aos bolsos dos portugueses. Algumas vezes assim é sendo que, o rendimento disponível das famílias nunca atinge as expectativas que lhes vão sendo criadas. Talvez por isso é que poucos são os que acreditam que o amanhã será radioso.