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domingo, 28 de janeiro de 2024

As Frases

Nos 50 anos do golpe que pôs fim à ditadura, o sentimento de “descomemoração” não podia ser mais intenso.    (Ana Sá Lopes, Público)

O centro político resiste? - Portugal não é excepção. Tal como na maioria dos seus parceiros europeus, as duas forças políticas centrais – PS e PSD – deixaram de somar entre si uma maioria inquestionável do eleitorado.  (Teresa de Sousa, Público)

O European Council on Foreign Relations divulgou na semana passada um relatório sobre algumas previsões sobre as eleições europeias do próximo mês de Junho, bastante preocupantes. O título do relatório fala por si: “Uma Acentuada Viragem à Direita: uma previsão para as eleições de 2024 para o Parlamento Europeu (PE).” O estudo do ECFR é feito a partir das mais recentes sondagens em cada um dos 27 países. Nessa medida, não chega a ser uma surpresa tendo em conta o que se passa na maioria dos países europeus, com o crescimento acentuado dos partidos populistas e nacionalistas em quase todos eles.

O programa económico da AD é quase um programa de Governo (não mexesse tudo com a economia) e avançar primeiro tem vantagens. O mau karma para o PSD foi ter de competir pela atenção mediática com as investigações que envolvem o GRM.     (André Veríssimo, ECO)


E no fim a justiça ficou com o que era da política - ...a política ficou sem nada e o país ficou a braços com um manto de decadência. Não, isto não é a democracia a funcionar. É sim um modo perigoso de funcionar na democracia.   (Helena Matos, OBSR)

E é esse modo que temos de discutir, criticar e abordar porque a alternativa é aquilo que está a acontecer: a justiça ficou com o que era da política, a política ficou sem nada e o país imerso num manto de sordidez, decadência e bruteza, vive de sobressalto em sobressalto, viciado numa escala crescente de indignação em que o inimaginável que acontece hoje banaliza o que na véspera era impensável.

Obstáculos ...


Já não há caminhos fáceis à nossa frente: temos de contornar os obstáculos,
pular por cima deles - e isso por que temos de viver,
seja qual for a extensão do desastre havido.”

(David Herbert Lawren)

sábado, 27 de janeiro de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde


A Frase (20)

O regresso da sanidade ao processo Marquês - Afinal, a tese de Ivo Rosa, que transformou Carlos Santos Silva em corruptor de José Sócrates, ao arrepio de toda a lógica, era mesmo o que parecia – uma perfeita loucura.
(João Miguel Tavares, Publico)

O regresso da sanidade ao processo Marquês. Durante anos, demasiada gente andou a defender a tese de que Ivo Rosa era o verdadeiro “juiz das garantias”, embora a sua atitude constante em todos os casos de colarinho branco fosse os colarinhos saírem mais brancos do que tinham entrado em tribunal. Passos Coelho disse há dias que a perda de memória em política é fatal, porque a partir daí todos parecem iguais. Mas não é só em política. É em todo o lado, incluindo entre aqueles que comentam nos jornais e nas televisões com uma argúcia selectiva – às vezes são muito inteligentes, outras vezes parecem extremamente lerdos, consoante a matéria em causa e as amizades em jogo.

Temos De Ser Mais Humanos

 

Abram os olhos. Somos umas bestas. No mau sentido. Somos primitivos. Somos primários. Por nossa causa corre um oceano de sangue todos os dias. Não é auscultando todos os nossos instintos ou encorajando a nossa natureza biológica a manifestar-se que conseguiremos afastar-nos da crueza da nossa condição. É lendo Platão. E construindo pontes suspensas. É tendo insónias. É desenvolvendo paranóias, conceitos filosóficos, poemas, desequilíbrios neuroquímicos insanáveis, frisos de portas, birras de amor, grafismos, sistemas políticos, receitas de bacalhau, pormenores.

É engraçado como cada época se foi considerando «de charneira» ao longo da história. A pretensão de se ser definitivo, a arrogância de ser «o último», a vaidade de se ser futuro é, há milénios, a mesmíssima cantiga.
Temos de ser mais humanos.

(Miguel Esteves Cardoso)

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (19)

 O azar da AD - Perante as geringonças e os “casos” a que o poder socialista reduziu a política em Portugal, talvez fizesse sentido arriscar outra visão da vida pública. Talvez o país notasse a diferença.   (Rui Ramos,OBSR)

(...) Antes da convenção, foi Nuno Melo a defender, muito seguro, que a AD, se não ganhasse, devia ajudar a manter o PS no poder, mesmo havendo maioria para outra solução. No dia da apresentação do programa económico, foi a investigação na Madeira, com o presidente do governo regional suspeito de corrupção, e os outros partidos a fazerem comparações com o caso de António Costa. (...)

Como é possível, quando a AD e o Chega se acusam mutuamente de contribuir para o prolongamento do mando socialista, que os dirigentes da AD não tivessem arranjado meia hora para definirem uma posição conjunta e limpa sobre a hipótese de um governo minoritário do PS.

Desde A Aurora


Como um sol de polpa escura
para levar à boca,
eis as mãos:
procuram-te desde o chão,

entre os veios do sono
e da memória procuram-te:
à vertigem do ar
abrem as portas:

vai entrar o vento ou o violento
aroma de uma candeia,
e subitamente a ferida
recomeça a sangrar:

é tempo de colher: a noite
iluminou-se bago a bago: vais surgir
para beber de um trago
como um grito contra o muro.

Sou eu, desde a aurora,
eu — a terra — que te procuro.

Eugénio de Andrade,
em  "Obscuro Domínio"

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Notícias Ao Fim Do Dia

A Frase (18)

Ideias erradas, mau planeamento, pior aprendizagem - Os maus resultados dos alunos revelam a degradação da aprendizagem, o fracasso da digitalização das provas e o fiasco deste modelo de aferição. O silêncio do Governo revela que esgotou as desculpas.   (Alexandre Homem Cristo, OBSR)

 Não existiu reacção oficial por parte do Ministro ou de outro membro do Governo.

É pena. Seria interessante conhecermos a posição do Governo sobre resultados que já foram descritos pelos professores como “desastrosos”, uma falha tremenda” da recuperação da aprendizagem ou, ainda esta semana, qualificados pela Associação de Professores de Português como globalmente maus” e demonstrativos de que os alunos não estão “a aprender o que deviam aprender”. O ponto já não é só os resultados serem preocupantes, é também os resultados contrariarem todo o discurso político dos últimos anos, quando nos foram dizendo que os alunos portugueses estavam a melhorar ou mesmo que já teriam recuperado do dano na aprendizagem durante a pandemia — o que faria de Portugal caso singular a nível internacional