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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Vida


 No meio das trevas, sorrio à vida, como se conhecesse a fórmula mágica que transforma 
o mal e a tristeza em claridade e em felicidade. Então, procuro uma razão para esta alegria, 
não a acho e não posso deixar de rir de mim mesma. 
Creio que a própria vida é o único segredo.

(Rosa Luxemburgo)

domingo, 23 de junho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (141)

Seria ingénuo acreditarmos que só de más opções políticas vivem os nossos desaires. Na verdade, apenas a corrupção pode justificar que continuemos a ser incapazes de convergir com os restantes países.   (José Miguel Ferreira, OBSR)

A economia portuguesa estagnou nas últimas duas décadas. Em poucos anos, caímos 6 posições no ranking global da competitividade, com um quinto dos portugueses a receberem o salário mínimo e, em média, a ganharem cada vez menos do que os europeus.

Esta é a realidade de Portugal, apesar de sermos um dos países que mais dinheiro recebeu de Bruxelas nas últimas décadas (135 mil milhões desde 1986) e de o esforço fiscal dos portugueses ser o 6º maior da União Europeia.

É normal que nos sintamos insatisfeitos e, por vezes, até frustrados com os resultados nacionais. Injetamos o Estado de avultadas quantidades de dinheiro e este devolve-nos um país carregado de desigualdades com baixos salários e serviços públicos de fraca qualidade.

Neste contexto, proliferam certezas sobre corrupção em Portugal. Em 2021, o Corruption Perceptions Index avisava que “a corrupção política escapa à estratégia nacional anticorrupção”. No mesmo ano, o Global Corruption Barometer da União Europeia afirmava que “88% dos portugueses acreditava que havia corrupção no governo” e, há poucos anos, um relatório do Parlamento Europeu estimava um valor anual de 18 mil milhões para a corrupção no nosso país, um orçamento maior do que aquele que atribuímos à saúde. (...)

Ainda que para esta realidade muito tenha contribuído a longa estadia do Partido Socialista no poder e a forma como, reiteradamente, confundiu o Estado com o Partido (...) – a verdade é que, infelizmente, o problema é muito mais profundo e enraizado na sociedade portuguesa, demasiado marcada pelo amiguismo e chico-espertice. (...)

Vencer a corrupção deve ser um desígnio nacional sem tréguas que obriga a que vamos ainda mais além. Exige-se uma profunda discussão sobre a criminalização do enriquecimento ilícito, o reforço das penas para os crimes relacionados, a criação de uma “via verde” para o imprescindível acelerar dos processos judiciais nessas matérias e uma rigorosa comparação dos valores praticados pelo mercado nos serviços prestados ao Estado e ao privado.

Estação


Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-tevou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça

(Mário Cesariny)

sábado, 22 de junho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (140)

A “confiança nas instituições” não é minada porque uma casta sem escrúpulos coloca o poder ao serviço dos seus excelsos interesses. Não, senhor. Ela só corre riscos se as trafulhices são divulgadas.  (Alberto Gonçalves, OBSR)
 
Imagine-se que a gravação é rápida e ilicitamente entregue aos media, que a difundem. Imagine-se o que aconteceria, logo de seguida, num país normal. E imagine-se o que aconteceria em Portugal. (...)

Num país normal, além da extraordinária repercussão na opinião pública, as forças de segurança tratariam imediatamente de deter o sujeito em questão, obrigá-lo a denunciar possíveis cúmplices e, claro, anular o plano, impedir o atentado e salvar as criancinhas. (...)

Em Portugal, semelhantes minudências passariam para segundo plano: a reacção prioritária seria encher os estúdios televisivos e as colunas dos jornais de comentadores com ambições políticas e políticos a fingir de comentadores, todos indignadíssimos com a fuga do segredo de justiça, o comportamento inaceitável do Ministério Público e a necessidade de, acima de tudo, resgatar o bom nome do candidato a bombista, entretanto arrastado pela lama. No que dependesse desses vultos da ética, as criancinhas não teriam hipótese.(...)

A “confiança nas instituições” só corre riscos se as trafulhices são divulgadas. A “ética” de que a casta fala não se aplica aos actos, e sim à ocultação, ou à revelação, dos ditos. Parece Kant, mas é “cant”, a palavra inglesa que significa o recurso insincero a sentimentos virtuosos, ou a pura hipocrisia. A palavra aplica-se com frequência ao linguajar do submundo.

 Por alguma razão que me escapa e que com certeza é de uma imaculada nobreza, essa rapaziada apenas defende pro bono os membros da casta. E acrescente-se que a defesa tem resultado: apesar das tenebrosas perseguições a cargo de juízes ressentidos e “insindicáveis”, a casta continua aí, resistente e heróica, a sofrer martírios enquanto espalha rigor, honestidade e valores democráticos com abundância. Imagine-se o que aconteceria se os juízes tivessem trela. Imagine-se o leite e o mel da democracia a transbordar. Imagine-se a Venezuela.

O Solstício De Verão


O solstício de verão é um festival que se realiza no dia mais longo do ano. É comemorado há séculos em todo o mundo.

As civilizações antigas da Ásia, Europa e América tinham o seu próprio entendimento do evento astronómico. Foram formados rituais para agradecer ao sol pelo seu serviço e pedir crescimento e prosperidade contínuos. Muitos desses rituais ainda são realizados em todo o mundo hoje.

A geometria de uma relação perfeita - antes da formulação de conceitos científicos e religiosos, já o Homem se fascinava com a relação dinâmica entre Sol e Terra, estabelecendo celebrações e erguendo monumentos para melhor perceber essa relação.

Solstício, um momento mágico?

No Hemisfério Norte, o solstício de verão, vulgo midsummer, é celebrado em diversos locais, especialmente nos países do norte da Europa, com particular destaque em Penzance, na região da Cornualha, e Stonehenge, no Reino Unido, aqui por ser o dia em que o Sol nasce com uma assombrosa exatidão sobre a pedra principal do insólito monumento neolítico.

Efectivamente, a história da humanidade é construída pela procura de entendimento dos fenómenos naturais que constituem o planeta Terra, tendo desde a antiguidade pululado lendas e misticismos a adornar o desconhecido ou pouco ententido. Não obstante, desde sempre foi percebida a imprescindível importância do calor e da luz oferecida pelo Sol, quer para a agricultura, quer até mesmo para o estado psico-emocional humano, razão pela qual os povos antigos acreditavam no fluir de energias especiais durante os solstícios, associado ao florir dos campos e colheitas.

E assim, em junho, abundavam os cultos à fertilidade, e as celebrações como reflexo cultural do período de maior vivacidade do ano. Povos como os Maias, Celtas, Egípcios e Romanos criaram rituais pagãos de homenagem à natureza, auspiciando prosperidade para os meses seguintes, com dias de festa, dança, música, alegria e abundância de comida, até que, em meados do século X, na Europa, a igreja decidiu cristianizar as celebrações, instituindo dias de homenagem aos Santos Populares a 13, 24 e 29, respetivamente, Santo António, São João e São Pedro, difundindo a conotação festiva da época.

A importância do Sol é indubitável! Data de 1500 a.C. o mais antigo relógio de sol, criado pelos Egípcios, um mecanismo para apurar a hora do dia, dimensionando à perceção de todos, a importância da luz no decorrer da vida. Refira-se que, desde 1990, com o solstício de verão, é celebrado o dia do relógio do sol, uma demarcada alusão ao astro-rei, cuja precisa localização, possibilita aqui, a existência de vida. (Solstício de Verão no hemisfério norte 21/06/2022 10h14 ) (O tempo)

“Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”

(Shakespeare)

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (139)

Só a restrição da liberdade no resto do mundo faz a Europa destacar-se ainda em termos de Estado de direito e democracia representativa. Mas isso deixa aos europeus a questão de saber o que fazer com essa liberdade, perante o fracasso das oligarquias.     (Rui Ramos, OBSR)

Por toda a Europa, é a mesma coisa: os velhos partidos querem convencer-nos de que o único problema são os novos partidos (...)

Em eleições, têm-na usado para rebaixar oligarquias que consideram, muito legitimamente, responsáveis pelas suas frustrações e incertezas. Como seria de esperar, aumentou a oferta de partidos que apela ao “povo” contra os velhos partidos. Daí, tecnicamente, o “populismo”. Mas em demagogia, os novos “populistas” não conseguem competir com as antigas oligarquias. Nada encanta tanto um oligarca como a perspectiva de obrigar os eleitores, como tem feito Emmanuel Macron em França, a votar no velho sistema como única alternativa ao “fascismo”. O truque, porém, funciona cada vez menos. (...)

E as instituições da integração europeia? A UE tem sido outra cortina de fumo político. Foram as velhas oligarquias que construíram essas instituições, para depois se esconderem atrás delas, esperando que as frustrações populares se dirigissem contra uma Bruxelas mais ou menos abstracta. 

Nas próximas semanas, dois partidos de governo, o do presidente Macron em França e os Tories no Reino Unido, podem desaparecer. As velhas oligarquias, de esquerda ou de direita, não têm remédio. Não é que não saibam ou que não vejam. Sabem e veem. Mas estão reféns dos sistemas de interesses e cumplicidades que construíram para se manter no poder. Nunca farão as “reformas” que admitem ser necessárias. Aos eleitores europeus, só resta deixarem tudo assim, ou votarem de outra maneira.  

[...]


 Ora somos reis, ora nos sentimos réus.
A tribo nos acolhe, nos conforta, quebra
um pouco a solidão, mas também pode nos
descaracterizar, nos engolir.
A gente nunca sabe direito o que fazer,
então canta,
então chora,
então ama,
então se desespera,
então ri
com o mesmo encantador jeito
infantil de outro dia.
[...]

(Lya Luft, 'O tempo é um rio que corre'.)