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quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (311)

Esta semana tivemos mais um diagnóstico terrível para o setor da Educação: mais de 40% dos adultos portugueses (dos 16 aos 65 anos) apenas conseguem entender textos simples e fazer cálculos básicos.  (Carlos Ferro, DN)
 
E se o leitor achar esta conclusão, noticiada pelo DN na quarta-feira (dia 11), demolidora, o que lhe parece esta frase do relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE): “Na literacia, os adultos com Ensino Superior em Portugal, por exemplo, obtiveram resultados inferiores aos dos adultos com Ensino Secundário na Finlândia”?

O documento deixa vários alertas, por exemplo: na literacia e numeracia os adultos portugueses ficam apenas acima do Chile - são 31 os países incluídos no estudo - e na resolução de problemas o país surge em 27.º lugar (será uma consequência do muito falado desenrascanço?). (...)

São, (...) a consequência de ziguezagues e alterações muitas vezes criticadas por aqueles que trabalham diariamente nas escolas e que sabem das dificuldades enfrentadas a diversos níveis e, de algum facilitismo que se instalou com alterações ao nível das avaliações e da exigência aos alunos e pais - incluindo também os professores.

Resta-nos esperar por medidas que possam começar a inverter esta situação, com a certeza que vai demorar muitos anos para que tal aconteça...  

Liberdade


A verdade só pode surgir num contexto de liberdade. Para que as coisas e as pessoas se revelem,
é preciso deixá-las ser. Só quando se dá liberdade se pode esperar verdade.
Afinal, a essência da verdade é a liberdade.

(José Luís Nunes Martins)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (310)

Felizmente, a maioria das pessoas que defende determinadas causas não recorre à violência contra outros seres humanos, até porque os sociopatas são uma pequena minoria da população. Mas é inegável que estamos num mundo em que muitos consideram justificado o recurso à violência, mesmo que se viva em democracia e Estado de Direito.  (Filipe Alves, DN)

Temos, (...) assistido a um aumento da intolerância nas sociedades ocidentais, com uma crescente incapacidade de aceitar quem pensa de forma diferente. A cultura do cancelamento, as perseguições que grupos de extrema-esquerda e de extrema-direita fazem a quem lhes faz frente, os ataques ad hominem e de desinformação contra adversários políticos, espalhando rumores (geralmente com um pequeno fundo de verdade, de modo a tornar a mentira mais credível), ou os protestos ditos não-violentos que incluem o lançamento de tintas ou os atos de vandalismo sobre obras de arte são reflexos, a diferentes níveis, deste tipo de mentalidade.

Os jovens, que geralmente têm uma tendência natural para abraçarem de alma e coração as causas que consideram nobres, podem tornar-se presas fáceis dessa cultura de intolerância que, se não for combatida, a prazo colocará em causa a coesão social e a própria democracia. Afinal, o que vale uma vida humana, quando pesada contra a salvação da Humanidade? Nada, dirão alguns. Tudo, na verdade.

O Espírito


Nada a fazer amor, eu sou do bando
Impermanente das aves friorentas;
E nos galhos dos anos desbotando
Já as folhas me ofuscam macilentas;

E vou com as andorinhas. Até quando?
À vida breve não perguntes: cruentas
Rugas me humilham. Não mais em estilo brando
Ave estroina serei em mãos sedentas.

Pensa-me eterna que o eterno gera
Quem na amada o conjura. Além, mais alto,
Em ileso beiral, aí espera:

Andorinha indemne ao sobressalto
Do tempo, núncia de perene primavera.
Confia. Eu sou romântica. Não falto.

(Natália Correia)

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

    É necessário discutir ideias concretas para acelerar a justiça em Portugal. Uma justiça rápida não é um privilégio, é um direito. E é possível alcançá-la.  (Rute Alves, ECO)
    As diferenças entre processos judiciais (de natureza civil) e arbitragens são muitas, mas destaco dois métodos específicos da arbitragem que contribuem para a sua celeridade e que poderiam ser adotados pela justiça estadual, ambos quanto à produção de prova – o momento para a junção de documentos e a adoção de depoimentos escritos.
    Uma das regras em arbitragem é que não deve haver surpresas do ponto de vista da prova junta. Não se podem “guardar trunfos” de forma estratégica, isso significa, em primeiro lugar, que os documentos devem ser juntos quando os factos são alegados. Os documentos aceites posteriormente são uma exceção que abrange apenas aqueles cuja existência é superveniente.

    A Europa está a mudar. O Regresso do Político após a ilusão do Liberalismo Eterno está alicerçado na ideia de que a política exige sempre a presença ideológica de um Inimigo. Neste renovar da política está contido o regresso a uma forma tribal de fazer política. O que nos une é o ódio ao outro. Os consensos são a resultante da aniquilação simbólica do Inimigo político comum. Esta política não edifica Catedrais, dispara Cubos como quem dispara Tiros. Seja na Assembleia Nacional em Paris, seja no Parlamento em Lisboa. Entretidos a disparar Palavras Tiro ignoram as ameaças que se aproximam da Europa enquanto Realidade Cultural e Projeto Político. A Rússia não pretende ser Europa porque deseja absorver parte da Europa. É uma Civilização Eslava e Alternativa.        (Carlos Marques de Almeida, ECO)

A Frase (309)

A economia de baixos salários não é uma causa, é uma consequência. De uma sociedade onde volta a prevalecer a ideia de que as empresas são intrinsecamente más. E da pequena dimensão de muitos negócios (Miguel Miranda, OBSR)

Vivemos numa aparente contradição: apesar da melhoria das condições de vida em Portugal e da redução lenta da taxa de risco de pobreza após transferências sociais, da subida da esperança de vida que resume em si a qualidade do sistema de saúde e da alimentação, existe insatisfação e a ideia de que estamos a viver muito aquém das nossas expetativas. Do lado dos governantes parece manter-se a ideia de que o caminho está na distribuição de recursos aos setores mais reivindicativos que aparentemente têm sempre razão. Do lado dos governados parece que não se compreende que existe a necessidade absoluta de se aumentar a riqueza do país como condição necessária para se assegurar uma vida melhor para todos. Que não basta redistribuir melhor.  (...)

Na verdade, a economia de baixos salários não é uma causa, é uma consequência. De uma sociedade onde voltou a prevalecer a ideia de que as empresas e os negócios são intrinsecamente maus. Da pequena dimensão e pouca competitividade de muitas das empresas e das dificuldades que estas têm em crescer. Da regulação excessiva que pode ter vantagens, mas penaliza a atividade económica, e da inexistência de um mercado de capitais dinâmico, o que leva as mais promissoras a escolher outros horizontes.(...)

Precisamos de mais ambição, de mais esforço e de muita sorte. A insatisfação para nada serve, e as expetativas só têm importância quando temperadas pela capacidade que tivermos de ir mais além. É preciso aumentar a riqueza coletiva e para isso é necessário dar asas à economia.

"Medo" Sou Como Sou Hoje


sou como sou
hoje de sorriso aberto
amanhã talvez escondido
hoje o coração salta
amanhã talvez nem o sinta
hoje sinto o vento
amanhã talvez a chuva
às vezes a alma me mantém
em cativeiro.

ah ! e o medo de ter medo,
e aquela covardia
que por vezes me invadia.
os sonhos que se apagavam
como folhas de papel destroçadas
pela borracha que eu nem via.

mas o sol,
esse que me secou as lágrimas
nas horas brancas do relógio oculto
o amargo do grito que calou.
esse sol que me és.
e à noite me cedes as estrelas.
luas que guarnecem as marés

já não tenho medo

(Ana Silvestre)