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segunda-feira, 3 de março de 2025

O Riso É ...

O riso é a mais útil forma da crítica, porque é a mais acessível à multidão.
O riso dirige-se não ao letrado e ao filósofo, mas à massa, ao imenso público anónimo.

(Eça de Queirós)

domingo, 2 de março de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (58)

É evidente que a transparência é fundamental e que os conflitos de interesse devem ser acautelados. A fiscalização é, depois, fundamental. Mas fomos longe demais. Estamos na terra de ninguém.    (André Macedo, JEconómico)

Um mundo de extremos: nos Estados Unidos, Trump tem empresas e até lançou uma criptomoeda; em Portugal, Luís Montenegro (a família) tem uma empresa de consultoria, o que fez o país fervilhar com a possibilidade de o primeiro-ministro ter de demitir-se porque ficou a saber-se que recebia uma avença de 4500 euros de uma destas empresas, um casino, e que naturalmente mais avenças há.

O que estas notícias demonstram é que jamais um empresário poderá liderar um governo em Portugal. Passar a empresa à mulher não chega — e na verdade, não chega mesmo, tendo em conta o regime de partilha de bens do casal Montenegro.

Obviamente, o grau de insensatez deste radicalismo (o de exigirmos políticos geneticamente puros) deve deixar-nos aterrados. Este grau de limitação é excessivo e afunila brutalmente a base de recrutamento. O país fica apenas autorizado a eleger políticos de carreira, académicos, cientistas, trabalhadores por conta de outrem — jamais empresários, o que não faz qualquer sentido.

Sísifo


 Recomeça....

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

(Miguel Torga)

sábado, 1 de março de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Estas São As Frases (2)

Há 63 anos, o Presidente francês Charles de Gaulle explicou para que serve uma Europa unida: "Serve para que não sejamos dominados pelos Estados Unidos nem pela Rússia.” Perceberam agora?      (Miguel Pinheiro, OBSR)

55 anos depois da sua morte, os europeus são forçados a reconhecer que, pelo menos num ponto importante — fatalmente importante —, o Presidente francês tinha absoluta razão: entregar a segurança do continente aos Estados Unidos era uma imprevidência. Pior: era uma abdicação. Pior ainda: era uma armadilha.

Acabar a guerra é fácil. Foi a Rússia que a desencadeou, pode pará-la num instante, bastando retirar as suas tropas do país atacado. Mas não se acaba com uma violação obrigando a vítima a aceitá-la. (José António Rodrigues do Carmo, OBSR)

Queremos políticos que sejam profissionais, especialistas de técnica robusta, profundos conhecedores, encartados, mas nunca das áreas em que trabalham ou tutelam, isso não, claro, que trariam consigo interesses de outros.     (Ricardo Santos Ferreira, J Económico)

Queremos que sejam profissionais, especialistas de técnica robusta, profundos conhecedores, encartados, mas nunca das áreas em que trabalham ou tutelam, isso não, claro, que trariam consigo interesses de outros.

Muito menos queremos que tenham atividade própria, liberal, ou que tenham concretizado projetos e construído negócios, isso é que não, porque aí o interesse é evidente, é um interesse próprio, sem subterfúgios, e isso é inaceitável. E que nunca tenham falhado, porque não se pode aceitar o fracasso na vida, tampouco na gestão pública, onde não se vive o insucesso.

Queremo-los preferencialmente sem passado, porque com ele vêm interesses e nós queremo-los sem interesse, desinteressantes.

E têm de ser abertos e transparentes, para que vejamos através deles, sem substância alguma que nos tolde a vista; límpidos e cristalinos.

Também os queremos sem futuro, que não podemos tolerar que se aproveitem deste presente, à nossa custa, para singrar mais à frente; onde já se viu?

Só assim ficaremos bem servidos.

Credibilidade Política


A capacidade de parecer crível e transmitir uma imagem de honestidade, independentemente de 
ser ou não verdadeiro, é uma característica que todos os candidatos e governantes desejam 
demonstrar por meio de discursos, atos políticos e campanhas.

O mesmo acontece no jornalismo, onde a credibilidade está diretamente vinculada ao 
emissor das informações.

A confiança dos cidadãos nos candidatos políticos determinará os resultados das eleições e o 
acesso aos cargos de poder, gerando condições específicas para o progresso económico, 
social, de saúde, entre outros aspectos, de um território e seus habitantes.

Na política, como em outras áreas, a credibilidade é construída ao longo do tempo, sendo 
fundamental a coerência entre o que é dito e o que é feito. Além disso, alianças com 
outros políticos considerados confiáveis fortalecem essa característica.

(Angela Estevez) 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Engana-se, (...) quem pensa que André Ventura ficou muito chateado com a moção de censura do Chega que fez bumerangue. Era isso mesmo que ele desejava: todos os caminhos têm sempre de ir dar a ele, o homem antissistema. É uma espécie de me, myself and I que exprime incesto com o próprio ego. É espantoso como os partidos continuam a dar demasiado palco a estes cavalheiros do apocalipse. Talvez o façam porque julgam tirar alguma vantagem – mas estão enganados. (...)

Acontece que o Chega não está sozinho nesta pulsão pela terra queimada. Se o partido de Ventura tentou criar um facto político para disfarçar vergonhas internas, Mariana Mortágua fez o mesmo para tentar sair da fossa: decidiu contar e expor os deputados e ministros com negócios imobiliários. A seguir denunciará os farmacêuticos ou o desdém é dirigido apenas a trabalhos que o partido julgue abjetos?

É evidente que o Parlamento e o Governo devem ter empresários, académicos, arquitetos, artistas e até bloquistas. O país ganha em ter gente interessada e com interesses declarados. O debate e a troca de opiniões ganha densidade, a qualidade legislativa sobe. Quanto aos conflitos, eles não se presumem – fiscalizam-se. A publicação de listas ad hominem é um resquício totalitário que junta os extremos políticos.          (excertos do texto de André Macedo, J Económico) 

A Frase (57)

 São muitos os que, sem outras qualificações para além da carreira política, povoam administrações de empresa e exercem consultadoria. É um crime? Não necessariamente. Basta que tudo seja claro, para percebermos se os políticos servem quem os elegeu, ou quem lhes pagou.   (Rui Ramos, OBSR)

 (...)A governação em Portugal passou, nos últimos anos, por demasiados escândalos. Precisamos de um governo merecedor de confiança. É disto que se trata: não é do cidadão Luís Montenegro e da sua família, mas da democracia e do país. Incomoda ter de dar explicações? A democracia, se é mesmo democracia, não deve ser cómoda para o poder.