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domingo, 9 de março de 2025

A Frase (65)

A campanha eleitoral vai ser dividida em dois campos. “O Campo da AD que acredita em Montenegro e acredita que a polémica não é suficientemente grave, e o campo anti-Luís Montenegro que se pode concentrar no Chega e não no PS, tendo em conta o discurso de Pedro Nuno Santos”.         (Miguel Pinheiro, CNN)  

Aprender A Ver

Aprender a ver - habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar-que-as-coisas-se-aproximem-de-nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados. Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar os instintos que põem obstáculos, que isolam.

Aprender a ver, tal como eu o entendo, é já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não «querer», o poder diferir a decisão. Toda a não-espiritualidade, toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo — tem que se reagir, seguem-se todos os impulsos. Em muitos casos esse ter que é já doença, decadência, sintoma de esgotamento, — quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de «vício» é apenas essa incapacidade fisiológica de não reagir.

— Uma aplicação prática do ter-aprendido-a-ver: enquanto discente em geral, chegar-se-á a ser lento, desconfiado, teimoso. Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o-á aproximar-se com uma tranquilidade hostil, — afasta-se dele a mão. 

O ter abertas todas as portas, o servil abrir a boca perante todo o facto pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outras coisas, em suma, a famosa «objectividade» moderna é mau gosto, é algo não-aristocrático par excellence.

(Friedrich Nietzsche, em "Crepúsculo dos Ídolos")

sábado, 8 de março de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Será assim? Mentindo? Fingindo? Acusando sem razão? Disfarçando? Fazendo de conta? Perdendo tempo e energias? Desperdiçando oportunidades? Enganando-se a si próprios? Louvando os seus defeitos e desprezando as qualidades dos seus rivais? Ludibriando os eleitores? Elevando à categoria de arte os mais reles sentimentos? Alimentando a corrupção e deixando vegetar o favoritismo? Sendo complacente com a aldrabice? Praticando o nepotismo e o favoritismo impunes? Escapando à justiça como rápidas aves de rapina? (António Barreto, Público, via Jacarandá)
 
A presente crise de governo, de partidos, de instituições democráticas e de estabilidade não resulta de agitação social, de problemas económicos graves e repentinos, de perturbações internacionais e financeiras, nem de qualquer desastre sanitário, climático ou natural. Pelo contrário, é a crise política, o protagonismo dos políticos, a autoridade política e a condução política do Estado e da nação que criam ou vão criar problemas económicos e financeiros, debilidade institucional, vulnerabilidade democrática e desordem social. E também é a crise política que provoca dois dos fenómenos mais nefastos da vida nacional: a abstenção (ou desinteresse) e o partido Chega. (ler texto na íntegra)

A Frase (64)

A crise política a que estamos a assistir resulta de uma estratégia de “tudo ou nada” que, a determinado momento, foi decidida pelos líderes dos dois principais partidos, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos. (Filipe Alves, DN)

(...) O certo é que Montenegro decidiu-se pelo tudo ou nada, preferindo a ir a jogo agora, enquanto tem mais hipóteses de sucesso, do que dentro de seis meses ou um ano.

Do outro lado da barricada, Pedro Nuno Santos também optou por jogar o seu futuro político nestas eleições antecipadas. No caso de Montenegro, é fácil perceber o que será considerado uma vitória. É ter um resultado que lhe permita a recondução no Governo.

Mas é difícil perceber o que pode ser considerado, ou não, uma vitória para o PS. Será ter mais mais votos que o PSD, mesmo que não consiga formar governo? Será manter o mesmo número de deputados? O que ganhará o PS com estas eleições antecipadas? E quem terá mais a perder nestas eleições? Montenegro, que vai agora a jogo por ser esse o mal menor, ou Pedro Nuno Santos, que poderia ter mais a ganhar em ir a votos dentro de seis meses ou um ano? O futuro dirá.

Eu Não Quero O Presente Quero A Realidade


Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.

Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas
como cousas.

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.

Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.

(Alberto Caeiro)

sexta-feira, 7 de março de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (63)

A demagogia deu lugar ao populismo politicamente extremado – à esquerda, à direita e até no centro. Neste contexto sulfuroso, os políticos, em particular os que controlam lugares de topo, têm a responsabilidade acrescida de defender, até em prejuízo próprio, a confiança nas instituições.   (André Macedo, J Económico)

Não se trata de pedir a Luís Montenegro que se converta numa espécie de Mahatma Gandhi. O antigo chefe da bancada parlamentar do PSD tem no ADN um robusto sentido de combate que se adequa aos ares do tempo e não podia ser de outra forma. Acontece que este impulso guerrilheiro corre o risco de tornar-se excessivo, esmagando, pelo caminho, a obrigação de colocar o país à frente em todas as decisões. Atingir este patamar político é o que transforma políticos circunstancialmente líderes do governo em figuras determinantes para o desenvolvimento e união do país. 

Cérebro Em Desenvolvimento É Capaz De Reajustar Funções Quando Falta Parte Do Corpo


 Uma investigação feita em Espanha pode ajudar na criação de intervenções no futuro para melhorar a reabilitação em casos de malformações congénitas ou perda sensorial precoce. 

O cérebro, quando está em desenvolvimento, é capaz de reajustar as suas estruturas e funções quando uma parte do corpo está em falta desde o nascimento, de acordo com o estudo.

Uma equipa internacional de investigadores tem vindo a testar como o cérebro reorganiza os seus mapas sensoriais na ausência de estímulos táteis, noticiou na quinta-feira a agência Efe.

Os resultados do trabalho, publicados na revista Nature Communications, podem ajudar a compreender melhor como é que o cérebro de uma pessoa que nasce sem uma parte do corpo reorganiza estas funções sensoriais e a perceber como podem ser feitas intervenções no futuro para melhorar a reabilitação em casos de malformações congénitas ou perda sensorial precoce.      (OBSR texto na íntegra)

Arre, Que Tanto É Muito Pouco !

Arre, que tanto é muito pouco!

Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.

Agora começa o Manifesto:

Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!

(Álvaro de Campos)