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quarta-feira, 28 de maio de 2025

A Frase (134)

Dez dias passados, a maioria dos protagonistas da classe política ainda não entendeu o que se passou, ou o que aí vem. A  AD tem uma oportunidade histórica de reformar o país e de escolher com quem o faz (que vai muito mais além do que a revisão constitucional.   (Francisco Mota Ferreira, J Negócios) )

O sinal mais grave que 18 de maio mostrou não foi o novo crescimento do Chega, o desastre do PS, a quase extinção da extrema-esquerda, a vitória menor da AD ou o fraco crescimento da IL. Foi o aumento generalizado da intolerância, que se tem revelado na incapacidade de a bolha (e de quem dela se alimenta) saber interpretar e respeitar os resultados eleitorais....  

As Políticas De Saúde

 Em lugar de criar mastodontes nas salas do SNS como tem vindo a ser feito, importa sim criar unidades com escala gerível, avaliação transparente de resultados e exigências específicas de cooperação.

O Estado Mastodôntico e as Políticas da Saúde - Muito especialmente desde 2015, com os Governos de António Costa, as políticas adotadas para melhorar a gestão do SNS não têm apostado em:

  • Melhor formação dos gestores não se conhecendo ações sobre temas prioritários como a contratação pública, o planeamento ou o controle orçamental;
  • Na melhoria dos sistemas de informação que apoiam a gestão continuando a conhecer-se casos em que se desperdiçam muitas horas dos médicos em simples tarefas administrativas tais como passarem dados de um sistema para outro;
  • No controle orçamental das organizações onde o recente caso reportado pela TVI sobre Santa Maria parece sugerir que o simples controle dos pagamentos mensais a cada colaborador não existirá.
Pelo contrário, a grande aposta política tem sido a concentração de funções e responsabilidades de que é exemplo a instauração da gigantesca organização da Direção Executiva do SNS ou a própria formação de superstruturas agregando numerosas entidades as quais deram origem às ULS de que é exemplo a que integra Santa Maria e cujo orçamento anual se aproxima dos mil milhões de euros. 

Convém, aliás, recordar que os primeiros passos já tinham sido dados quando se diluíram os nosso hospitais públicos nos Centros Hospitalares com o argumento surreal de poderem assim fazer compras conjuntas (!).
2O Modelo de Coordenação Soviético e o SNS

Aliás, a tendência mastodôntica choca também com o imperativo da descentralização e de transferência de competências, direitos, deveres e orçamentos para o Poder Local tal como aliás foi oportunamente referido pelo anterior Bastonário da Ordem dos Médicos.

Em suma, se se pretender iniciar novo ciclo de políticas públicas para a Saúde e evitar o descontrole e o desperdício importará corrigir o erro atual que permite surgirem as dúvidas agora sentidas por todos com as notícias divulgadas pela TVI sobre a ULS de Santa Maria.

As principais e únicas justificações para esta dinâmica mastodôntica são:facilitar a coordenação entre as entidades agora fundidas; não duvidar dos seu controle graças aos sistemas inspetivos.

Ora considerar que a coordenação implica criar superstruturas era postulado do modelo da sociedade soviética e numerosos autores consideram esse erro como um dos principais fatores de colapso.

(excertos do texto de Luís Valadares Tavares, OBSR, ler aqui texto na íntegra)

O Caráter


Cada pessoa é responsável por construir o seu próprio caráter. Enquanto existem aqueles que escolhem o caminho do bem, muitos outros preferem fazer o que é errado, pensando apenas no seu próprio benefício. São essas pessoas que puxam o tapete das outras, que pisam em quem for preciso para chegar ao topo. Pessoas que tiveram todas as chances do mundo de serem corretas, mas simplesmente ignoraram essas oportunidades.

Não raro, quem é mau-caráter sempre tem uma desculpa. Não fez por mal, não queria que tivesse aquela consequência, foi só uma vez. E pode apostar que ainda juram que nunca mais vai se repetir, mas quantas vezes na vida não juraram isso? É só conversa para não entrar em problemas, e só porque foram apanhados . 

Às vezes parece impossível encontrar alguém em quem realmente dá para confiar. Há tanta gente enganando, mentindo, prejudicando os outros, tudo só para ter uma pequena vantagem, que muitas vezes nem é grande coisa, é só para ter o poder de superar alguém. Ainda tenho esperança de que existe gente boa no mundo, mas, enquanto ainda não tenho prova, prefiro confiar apenas na minha própria sombra.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Propósito Dos Gastos Feitos Anualmente Na “Limpeza De Erva”,


“O dinheiro que podíamos investir na floresta, na gestão e na condução da floresta, como deve ser, estamos a investir na limpeza da erva todos os anos. Portanto, isto não é uma solução, é um recurso, mas não é uma solução até porque está mais do que provado, até pelas diferentes comissões que estudaram o assunto quando houve os grandes incêndios, que nada disso pararia os incêndios que ocorreram”, afirmou o presidente da ANEFA.

Pedro Serra Ramos defendeu, em declarações à Lusa, que “está na altura de rever a legislação”, embora seja preciso esperar pelo novo Governo para que isso aconteça.

“Este ano, ainda por cima, é um ano em que, como choveu muito, há muita erva. Se entretanto começar a aquecer muito toda ela vai secar e, portanto, andamos sempre a gastar dinheiro”, apontou.

Além das dificuldades dos proprietários na contratação de empresas para a limpeza, PSR admitiu que houve “um aumento geral de tudo”, da mão-de-obra aos custos de equipamentos, e, “por isso, os preços têm que subir” e “não há outra maneira de o fazer”.

O diretor-geral da Florecha, Rui Igreja, notou que, além das dificuldades de trabalhadores, “os equipamentos também não são infindáveis”, para a quantidade de trabalho, e o aumento do ordenado mínimo contribui para aumentar os custos, naturalmente refletidos nos clientes.

Fonte oficial do Ministério da Agricultura e Pescas referiu que o gabinete do secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, está a acompanhar com elementos do setor a situação, mas para já, após a prorrogação do prazo do fim de abril para 31 de maio, não há decisão quanto a novo prolongamento, até por duas semanas de calor bastarem para a vegetação secar.

Fonte: Greensavers

A Frase (133)

Vivemos uma era de simulacros, em que verdades fabricadas ocupam o espaço dos fatos e as narrativas substituem a realidade. O divórcio entre o que acontece e o que se propaga tornou-se estrutural. Numa sociedade movida a cliques, algoritmos e polarização, a informação deixou de ser um bem público para se tornar arma ideológica.     (Marcus Vinícius De Freitas, J Económico)
  
As redes sociais agravaram esse cenário. Cada indivíduo tornou-se um emissor de “verdades” subjetivas, e a própria ideia de fato passou a ser questionada. A democracia sofre quando as decisões políticas se baseiam em percepções distorcidas. A guerra da informação já não distingue entre ignorância deliberada e manipulação estratégica.

Este artigo pode parecer geopolítico. Mas o custo da manipulação é devastador na economia. Precisamos de uma imprensa responsável, de leitores críticos, de líderes que resistam à tentação de fabricar consensos artificiais. É preciso, agora mais do que nunca, reaprender a difícil arte de encarar os fatos – ainda que desconfortáveis.

Aprender A Ceder

 

Aos sonhos, como aos pesadelos, chega sempre a hora de acordar. É essencial compreender a realidade, viver de olhos abertos, acolher a simplicidade da vida antes de querer resolver a complexidade do mundo.

Cada um de nós tem o seu lugar no mundo, talvez a ninguém caiba o do centro. Nas nossas relações com o mundo, com os outros e connosco, é mais sábio aceitar do que impor, admirar do que exibir, amar do que procurar ser amado.

Viver é aprender a ceder. A libertarmo-nos de nós mesmos. Só o nosso espírito nos pode soltar porque só ele nos aprisiona. Ser autenticamente feliz depende de uma transformação na forma de olharmos o mundo, aceitando-o sem grandes condições e agindo sem precipitações. Cedendo.

A humildade e a simplicidade são formas de ser, não de parecer.

Um erro comum é querer ser tudo já. Nunca nada chega... e são tantas vezes as saudades a revelarem-nos o verdadeiro valor dos instantes vividos mas já passados. As pressas atropelam o tempo.

Importa não cair na tentação de querer ser senhor do próprio futuro... e aprender a confiar mais. Cedendo espaço à esperança.

(José Luís Nunes Martins)

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (132)

O PSD é o pivot na bifurcação da democracia portuguesa. Os partidos do arco da governação não quiseram tocar na vida dos portugueses nem com a ponta dos dedo.     (Carlos Marques de Almeida, ECO)

Os grandes partidos do Regime entretidos com jogos políticos, ambições pessoais e animados pela superioridade moral de uma elite democrática nascida da legitimidade revolucionária de Abril ouviam sem ouvir a mensagem do povo. O povo que devora o Correio da Manhã na barbearia. O povo que gasta os olhos no écran da televisão do Correio da Manhã. O que faltava no futuro da política democrática nacional era precisamente um partido Correio da Manhã – popular, populista, a voz de um Portugal esquecido para além de todas as ideologias. Na correspondência com a sociologia da nação, o Chega explode no coração da democracia e a República fica perplexa no labirinto da crise criada pelo Regime.

A humilhação do PS é o símbolo de uma República derrotada. A ascensão do Chega é a consagração democrática de uma nova ideia de República renovada e reciclada para os tempos modernos em que a pós-verdade é toda a verdade que domina o espaço público. A devastação da esquerda é um sinal. 

Um retrato parado no Portugal esquecido e abandonado pelas promessas de Abril. Um retrato parado no subúrbio das grandes cidades – a selva urbana, o inferno habitado, as camas alugadas por turnos, a pobreza triste, os horizontes tapados por grafitis coloridos.

O Chega pretende a hegemonia à direita. O Chega não está interessado no bipartidarismo ou no tripartidarismo. O Chega quer ser maioritariamente o partido único. O Chega introduz na política nacional o ódio institucionalizado à esquerda, não há qualquer ideia de pluralismo ou de alternância. O Chega representa o regresso da matriz amigo-inimigo à política democrática que deixa assim de ser simplesmente democrática. A erradicação da esquerda é o seu propósito, a absorção de toda a direita o seu desígnio.

A própria estruturação da divisão política entre esquerda e direita é posta em causa. Ser de direita é ser do Chega, não existe alternativa. 

O Chega reflecte ainda um outro eixo vertical ao espaço social da política – a distinção entre os de cima e os de baixo. Este eixo justifica a linguagem, as maneiras, a vulgaridade, a agressividade de uma discussão num qualquer café de Portugal.

O PSD é o pivot nesta bifurcação da democracia portuguesa. Os partidos do arco da governação não quiseram tocar na vida dos portugueses nem com a ponta dos dedos.
 
(Estes são alguns tópicos do texto de Carlos Marques de Almeida, ECO)

Satélite


Fim de tarde.
No céu plúmbleo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas tão-somente
Satélite.

Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
— Satélite.

(Manuel Bandeira)