Pesquisar neste blogue

terça-feira, 22 de julho de 2025

Contranarciso

 

em mim
eu vejo
o outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente centenas

o outro
que há em mim é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós

(Paulo Leminski)

segunda-feira, 21 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Portugal tem casas a mais? Não. Tem é falta de quem as possa arrendar em paz - Hoje, em Portugal, ser proprietário é arriscado. O Estado trata a propriedade como um privilégio suspeito. O sistema judicial é lento e os impostos altos. A legislação muda consoante o vento político.            (João A. B. Da Silva, OBSR)

Uma das coisas positivas que o atual governo está a fazer (um arremedo de reforma) é limitar abusos na lei da greve. Os governos de António Costa conseguiram fazer o país regredir uma década: nacionalizaram a TAP (com prejuízo para os contribuintes), regrediram na concessão dos transportes públicos metropolitanos de Lisboa e Porto e, pior, encostaram o país ao lado mais esquerdo do Partido Socialista. Exemplo disso é o facto de o PS (o pai das Parcerias Público Privadas na Saúde), ter feito tudo para levar os privados a abandonarem as PPP em Loures, Vila Franca de Xira e Braga. Na Habitação foi o mesmo: voltaram atrás nas reformas que a Troika obrigou a fazer (veja-se o disparate do Pacote Mais Habitação), ajudando ao disparo dos preços de venda e das rendas.            (Camilo Lourenço ,J Negócios)

Gente Que Nasceu Pra Querer


Há gente que é tão louca e no entanto tem sempre razão. Quando consegue um dedo,
já não serve mais, quer a mão. E o problema é tão fácil de perceber,
é que há gente que nasceu pra querer.

(Raul Seixas) 

domingo, 20 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Inconformidades

O que se passa em Loures não tem qualquer relação com despejos, no sentido da lei de bases da habitação, já que um despejo destina-se a fazer cessar uma situação jurídica de arrendamento, e não há qualquer relação jurídica prévia, de qualquer tipo, relacionada com as barracas que estão, e bem, a ser deitadas abaixo.

O que há é uma quantidade inacreditável de atropelos à lei a que o Estado tem de pôr cobro, sob pena de violar as suas obrigações, incluindo a defesa do direito de propriedade, um direito humano fundamental.

"Artigo 14.º
Ação de despejo
1 - A ação de despejo destina-se a fazer cessar a situação jurídica do arrendamento sempre que a lei imponha o recurso à via judicial para promover tal cessação e segue a forma de processo comum declarativo."

Que qualquer um de nós ache que há despejos em Loures, é como o outro, não somos juristas e podemos achar que um despejo é água atirada pela janela, até porque é verdade que água atirada pela janela é um despejo.

Que a autora da lei de bases da habitação faça gala em ignorar o conceito jurídico da lei de que é autora, por razões de propaganda política, enfim (...)

Agora que os numerosos jornalistas de bons sentimentos vá verificar na lei o que é um despejo, antes de usar o conceito ou ligar às parvoíces que são ditas com base no uso errado do conceito, já me parece demais.

Uma pessoa invade propriedade privada sem consentimento do dono, usa essa propriedade em seu benefício, sem consentimento do dono, constroi o que quer que seja, sem consentimento do dono e sem respeito pelas normas jurídicas aplicáveis à actividade de construção. 

Dessa construção resulta uma habitação sem quaisquer condições de habitalidade definidas na lei, dessa ausência de condições de habitalidade resultam riscos de segurança e salubridade para os habitantes e vizinhos, quando evitar esses riscos sociais é uma das razões para que essas leis e regulamentos existam, frequentemente rouba electricidade e água através do estabelecimento de ligações ilegais e perigosas para si e para os vizinhos, põe os seus filhos em risco ao tê-los a viver naquelas condições.

 E o jornalismo ultra romântico que temos pode ser posto em causa pela demolição das barracas e a reposição da lei. entretém-se com uma visão do problema assente na ideia de que o direito à habitação é essencial e não pode ser posto em causa pela demolição das barracas e a reposição da lei.

(Ler aqui na íntegra o texto de Henrique Pereira dos Santos, Corta-fitas) 

Autorreflexão

Não pode ser senhor de si quem antes não se compreende bem. Há espelhos para o rosto, mas não para a alma; uma autorreflexão sensata há de ser esse espelho.

(Baltasar Gracián y Morales)

sábado, 19 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

O Que O "O Eng" Sócrates Significou E Significa Para O País

As trapalhadas do “eng.” Sócrates permitem, e inspiram, inúmeras graçolas. O que o “eng.” Sócrates significou e significa para o país não tem graça. Durante uma eternidade, ele mandou em nós, não por decreto divino ou golpe de Estado, e sim por livre escolha dos eleitores, que o quiseram a liderar o governo. E quiseram-no em duas ocasiões, uma com o maior triunfo da história do PS e a outra em 2009, quando o “caso” Freeport alimentava há meses razoáveis desconfianças acerca da rectidão do “animal feroz”. (Alberto Gonçalves, OBSR)

É lícito, e aconselhável, lembrar que o “eng.” Sócrates era peça talvez central de uma rede em que se penduravam políticos, advogados, banqueiros, construtores, empresários e compinchas em geral. Seria igualmente interessante não esquecer que, no governo, no parlamento e no partido, centenas e centenas de indivíduos e indivíduas lhe serviram a mitomania e o resto bem para lá das suspeitas e das evidências. Essas alminhas, que tarde e a péssimas horas tentaram esboçar pureza, não tiveram de ser cúmplices nos imbróglios que a Justiça investiga para serem cúmplices do desastre ético, psiquiátrico e económico então em curso. Nem uma alminha se demitiu a protestar o desastre.

Em suma, impressiona e assusta a facilidade com que o eng. Sócrates aldrabou os portugueses. Melhor (ou pior): é terrível a facilidade com que os portugueses se deixaram aldrabar, aliás uma tradição antiga e que não morreu.

A Flor De Lótus


No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão,
procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

(Rabindranath Tagore)