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sábado, 16 de agosto de 2025

Há Um Murmúrio Na Floresta

Há um murmúrio na floresta,
Há uma nuvem e não já.
Há uma nuvem e nada resta
Do murmúrio que ainda está
No ar a parecer que há.

É que a saudade faz viver,
E faz ouvir, e ainda ver,
Tudo o que foi e acabará
Antes que tenha de o esquecer
Como a floresta esquece já.

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde


A Dúvida !

Os europeus construíram uma narrativa que pretendia impor a Ucrânia como o ‘prato forte’ da cimeira, mas há analistas que dizem que isso só é verdade na mente pouco esclarecida de alguns líderes europeus.

É errado acreditar na perceção de que Putin e Trump estão a encontrar-se apenas pelo bem da Ucrânia: “na verdade, a Ucrânia dificilmente será o principal tema. O encontro no Alasca servirá de palco para manobras estratégicas mais amplas, não só por parte de Trump, mas também do seu astuto colega russo. Nos bastidores, espera-se que Trump manifeste o seu apetite pelos projetos muito lucrativos da Rússia no Ártico (tendo já feito algumas incursões nos projetos sensíveis no espaço)”, defende a analista Lily Ong, analista de risco geopolítico, num research do International Institute for Middle East and Balkan Studies (IFIMES) a que o JE teve acesso.  (...)

“O perspicaz Putin não é alheio à situação e irá espalhar confettis sobre Trump e mantê-lo agarrado. Algumas das ofertas seriam rotuladas como ‘rotas de navegação’, enquanto outras serão marcadas como ‘direitos de recursos’.  (...)

Para Lily Ong, a ausência em palco será nada mais nada menos que a Ucrânia, cujo destino foi selado. “Este eventual destino da Ucrânia não surpreende aqueles que estão familiarizados com o fim que espera todos os peões norte-americanos. Nenhuma pose convencerá ninguém de que Zelensky tem algo a ver com o acordo”, conclui a analista.  

(A Ucrânia Pode Não Ser O Tópico Principal Da Cimeira do Alasca, J Económico)

O Cansaço Da Inteligência Abstrata


“Há um cansaço da inteligência abstrata, e é o mais horroroso dos cansaços. 
Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento 
e da emoção. É um peso da consciência do mundo, 
um não poder respirar da alma.”

(Fernando Pessoa), [Por Bernardo Soares, um de seus heterônimos]

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (188)

 A “Contradição” nas mexidas nos contratos a prazo - Alargar a duração máxima dos contratos a termo de dois para três anos, como propõe o Governo no anteprojeto para a reforma laboral, é uma medida que vai em sentido “contrário” ao objetivo de terminar com o “flagelo” do fosso existente entre as gerações mais velhas e as mais novas em matéria de direitos laborais. 

(António Nogueira Leite, J Económico)

É oportuno legislar no sentido de “acabar com o flagelo que prevalece em Portugal da grande diferença de direitos entre as gerações mais velhas e as mais novas”.

“Devíamos chamar permanentes àquelas relações que são efetivamente permanentes, e temporárias àquelas que, pela sua natureza e pela vontade das partes, são temporárias. E não usar uma relação temporária que se vai perpetuando e mudando, sem nunca chegar a uma relação permanente, com todas as limitações que isso traz para o trabalhador”, acrescenta.

Quanto aos critérios que justificam a celebração de um contrato a prazo, que, segundo a proposta do Governo, voltam a abranger aqueles que nunca tiveram uma relação contratual permanente (portanto, os jovens), comprovar se o trabalhador está apto para a função poderia ser resolvido com o período experimental.

Vento, Àgua, Pedra


A água perfura a pedra,
o vento dispersa a água,
a pedra detém ao vento.
Água, vento, pedra.

O vento esculpe a pedra,
a pedra é taça da água,
a água escapa e é vento.
Pedra, vento, água.

O vento em seus giros canta,
a água ao andar murmura,
a pedra imóvel se cala.
Vento, água, pedra.

Um é outro e é nenhum:
entre seus nomes vazios
passam e se desvanecem.
Água, pedra, vento.

(Octavio Paz)

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Será a nossa Constituição uma garantia contra abusos, ou um acessório nas mãos de quem a usa e distorce a seu gosto e conveniência?

O ritmo incessante desse fluxo migratório, com influência directa no colapso sistémico em áreas como a habitação, a saúde, o ensino e os transportes, levou o Governo a apresentar, num curto espaço de tempo, a tão polémica Lei dos Estrangeiros. As alterações propostas passam essencialmente pela imposição de umas ligeiras restrições ao agrupamento familiar e por uma tentativa de aliviar a pressão de processos na AIMA.

O Tribunal Constitucional deliberou e bloqueou as alterações desta lei que visa o regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional. Face a acórdão (rebuscado e enfadonho aos olhos de um leitor normal que se preste a lê-lo pacientemente), e ao imediato veto do Presidente da República, vê-se um nítido regozijo entre aqueles que olham para os juízes do Tribunal Constitucional como anciãos infalíveis, guardiões de um texto elevado à condição de dogma intocável, entronizado pela falsa religião civil do humanismo e da igualdade — um rito de encenação que dissimula interesses ideológicos e bloqueia reformas urgentes, servindo jogos de poder num impenetrável emaranhado de normas desajustadas e rígidas.

 No ano da graça de 2025, Portugal é um país amplamente envelhecido, com uma economia pouco especializada e dependente sobretudo do turismo, comércio e fundos europeus. (...) É sobre esta nova combinação de factores que paira persistentemente a herança programática do pós-Revolução, não só na letra, mas no espírito do colégio de juízes, como se a alternância dos governos tivesse de viver sempre na sombra de uma espécie de executivo fantasma que impõe os caprichos ideológicos de outros tempos passado a todas as gerações vindouras, sejam quais forem os desenvolvimentos da vida nacional e internacional (Daniela Silva, J Económico)

Nota: Ler também 

A Arte É Contemplação

(Van Gogh)

“A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que 
ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício 
do pensamento que busca compreender o universo, 
e fazer com que os outros o compreendam.”
(Auguste Rodin)