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domingo, 17 de agosto de 2025

Ganhos Ou Danos ...


 
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.  (Lya Luft)

sábado, 16 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Metabolismo Do Açúcar No Cérebro Pode Defender-nos Do Alzheimer

Açúcar no cérebro

Cientistas descobriram um fator surpreendente na batalha contra a doença de Alzheimer e outras formas de demência: O metabolismo do açúcar no cérebro.

A investigação revelou como a quebra do glicogénio - uma forma armazenada de glicose - nos neurônios pode proteger o cérebro do acúmulo de proteínas tóxicas e da degeneração.

O glicogénio é geralmente considerado uma reserva de energia armazenada no fígado e nos músculos. Embora pequenas quantidades também existam no cérebro, particularmente nas células de suporte chamadas astrócitos, seu papel nos neurônios era considerado insignificante.

"Este novo estudo desafia essa visão, e o faz com implicações impressionantes," disse o professor Pankaj Kapahi, coordenador do estudo. "O glicogénio armazenado não fica simplesmente lá no cérebro; ele está envolvido em patologias."

A equipe descobriu que, em modelos de tauopatia (um grupo de doenças neurodegenerativas que inclui Alzheimer) em animais de laboratório e também em humanos, os neurônios acumulam glicogênio em excesso. Mais importante ainda, esse acúmulo parece contribuir para a progressão da doença. Quem está mais envolvida é a tau, uma proteína que se aglomera em pacientes com Alzheimer, que parece se ligar fisicamente ao glicogênio, prendendo-o e impedindo sua degradação.

Glicogénio

Quando o glicogénio não pode ser decomposto, os neurónios perdem um mecanismo essencial para o gerenciamento do estresse oxidativo, uma característica fundamental no envelhecimento e na neurodegeneração.

A boa notícia é que, ao restaurar a atividade de uma enzima chamada glicogénio fosforilase (GlyP) - que inicia o processo de degradação do glicogênio - os pesquisadores conseguiram reduzir os danos relacionados à proteína tau em moscas-das-frutas e em neurônios derivados de células-tronco humanas.

Ainda mais promissor, a equipe demonstrou que a restrição alimentar, uma intervenção bem conhecida por prolongar a expectativa de vida, naturalmente aumentou a atividade do GlyP e melhorou os resultados relacionados ao tau em animais modelo.

"Ao descobrir como os neurónios gerenciam o açúcar, podemos ter descoberto uma nova estratégia terapêutica: Uma que visa a química interna da célula para combater o declínio relacionado à idade," disse Kapahi. "À medida que continuamos a envelhecer como sociedade, descobertas como essas oferecem esperança de que uma melhor compreensão - e talvez um reequilíbrio - do código oculto do açúcar no nosso cérebro possa desbloquear ferramentas poderosas para combater a demência."
Checagem com artigo científico:


Artigo: Neuronal Glycogen Breakdown Mitigates Tauopathy via Pentose Phosphate Pathway-Mediated Oxidative Stress Reduction
Autores: Sudipta Bar, Kenneth A. Wilson, Tyler A. U. Hilsabeck, Sydney Alderfer, Eric B. Dammer, Jordan B. Burton, Samah Shah, Anja Holtz, Enrique M. Carrera, Jennifer N. Beck, Jackson H. Chen, Grant Kauwe, Fatemeh Seifar, Ananth Shantaraman, Tara E. Tracy, Nicholas T. Seyfried, Birgit Schilling, Lisa M. Ellerby, Pankaj Kapahi
Publicação: Nature Metabolism
DOI: 10.1038/s42255-025-01314-w, (Via DS)




Há Um Murmúrio Na Floresta

Há um murmúrio na floresta,
Há uma nuvem e não já.
Há uma nuvem e nada resta
Do murmúrio que ainda está
No ar a parecer que há.

É que a saudade faz viver,
E faz ouvir, e ainda ver,
Tudo o que foi e acabará
Antes que tenha de o esquecer
Como a floresta esquece já.

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde


A Dúvida !

Os europeus construíram uma narrativa que pretendia impor a Ucrânia como o ‘prato forte’ da cimeira, mas há analistas que dizem que isso só é verdade na mente pouco esclarecida de alguns líderes europeus.

É errado acreditar na perceção de que Putin e Trump estão a encontrar-se apenas pelo bem da Ucrânia: “na verdade, a Ucrânia dificilmente será o principal tema. O encontro no Alasca servirá de palco para manobras estratégicas mais amplas, não só por parte de Trump, mas também do seu astuto colega russo. Nos bastidores, espera-se que Trump manifeste o seu apetite pelos projetos muito lucrativos da Rússia no Ártico (tendo já feito algumas incursões nos projetos sensíveis no espaço)”, defende a analista Lily Ong, analista de risco geopolítico, num research do International Institute for Middle East and Balkan Studies (IFIMES) a que o JE teve acesso.  (...)

“O perspicaz Putin não é alheio à situação e irá espalhar confettis sobre Trump e mantê-lo agarrado. Algumas das ofertas seriam rotuladas como ‘rotas de navegação’, enquanto outras serão marcadas como ‘direitos de recursos’.  (...)

Para Lily Ong, a ausência em palco será nada mais nada menos que a Ucrânia, cujo destino foi selado. “Este eventual destino da Ucrânia não surpreende aqueles que estão familiarizados com o fim que espera todos os peões norte-americanos. Nenhuma pose convencerá ninguém de que Zelensky tem algo a ver com o acordo”, conclui a analista.  

(A Ucrânia Pode Não Ser O Tópico Principal Da Cimeira do Alasca, J Económico)

O Cansaço Da Inteligência Abstrata


“Há um cansaço da inteligência abstrata, e é o mais horroroso dos cansaços. 
Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento 
e da emoção. É um peso da consciência do mundo, 
um não poder respirar da alma.”

(Fernando Pessoa), [Por Bernardo Soares, um de seus heterônimos]

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (188)

 A “Contradição” nas mexidas nos contratos a prazo - Alargar a duração máxima dos contratos a termo de dois para três anos, como propõe o Governo no anteprojeto para a reforma laboral, é uma medida que vai em sentido “contrário” ao objetivo de terminar com o “flagelo” do fosso existente entre as gerações mais velhas e as mais novas em matéria de direitos laborais. 

(António Nogueira Leite, J Económico)

É oportuno legislar no sentido de “acabar com o flagelo que prevalece em Portugal da grande diferença de direitos entre as gerações mais velhas e as mais novas”.

“Devíamos chamar permanentes àquelas relações que são efetivamente permanentes, e temporárias àquelas que, pela sua natureza e pela vontade das partes, são temporárias. E não usar uma relação temporária que se vai perpetuando e mudando, sem nunca chegar a uma relação permanente, com todas as limitações que isso traz para o trabalhador”, acrescenta.

Quanto aos critérios que justificam a celebração de um contrato a prazo, que, segundo a proposta do Governo, voltam a abranger aqueles que nunca tiveram uma relação contratual permanente (portanto, os jovens), comprovar se o trabalhador está apto para a função poderia ser resolvido com o período experimental.

Vento, Àgua, Pedra


A água perfura a pedra,
o vento dispersa a água,
a pedra detém ao vento.
Água, vento, pedra.

O vento esculpe a pedra,
a pedra é taça da água,
a água escapa e é vento.
Pedra, vento, água.

O vento em seus giros canta,
a água ao andar murmura,
a pedra imóvel se cala.
Vento, água, pedra.

Um é outro e é nenhum:
entre seus nomes vazios
passam e se desvanecem.
Água, pedra, vento.

(Octavio Paz)