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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

A Frase (255)

A UE tem de passar da ‘gestão de crises’ constante para uma ‘democracia antecipatória.( Ricardo Borges de Castro, Sábado)

Embora não existam bolas de cristal na elaboração de políticas públicas e não seja possível prever o futuro, há maneiras de melhorar a forma como os governos e as instituições europeias se preparam, respondem e, se possível, atenuam ou evitam crises futuras. Chama-se prospetiva estratégica. Ora, na atualidade, a antecipação de futuros não deve ser vista como um ‘artigo de luxo’, mas sim como uma prática estabelecida e necessária. (...)

A preparação e a construção de resiliência começam com a prospetiva: identificando desenvolvimentos plausíveis e de alto impacto, antes de pensá-los sistematicamente – desde suas origens e implicações até maneiras de, potencialmente, evitá-los. Isto requer capital político e investimento, mas é dinheiro bem gasto: a realidade é que os atuais níveis de incerteza, volatilidade e agitação geopolítica e geoeconómica devem manter-se ou mesmo agravar-se. (...)

Na Convivência ...


“Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida.
O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida.”

(Mario Quintana)

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (254)

Quando as maiorias não servem para nada - Quem votou em Lisboa deu à Assembleia Municipal a primeira maioria de direita em décadas de existência. Essa maioria não serviu para nada.       (Margarida Bentes Penedo, OBSR)

Primeira reunião, primeiro desastre. A Assembleia Municipal de Lisboa (AML), logo após a tomada de posse, tinha como ponto único a eleição da respectiva Mesa, composta por um Presidente e dois Secretários. Todos os erros se alinharam num trotezinho ligeiro em direcção à estupidez. Vamos por partes, e devagarinho, para que não fique nada por explicar.  (...)

A Mesa da Assembleia tem de ser eleita com a maioria dos votos dos deputados. Quer isto dizer que, apurados todos os votos, incluindo as abstenções, nenhuma mesa pode ser eleita com mais votos “contra” do que votos “a favor”. Qualquer lista proposta a votação tem de poder ser aprovada ou rejeitada.

No caso de ser apresentada uma única lista, essa proposta seria submetida ao voto secreto dos deputados e avaliada a sua aprovação desta maneira. Acontece que foram apresentadas duas listas. No limite, e pela mesma lógica, podiam até estar em discussão quatro ou cinco propostas e a Assembleia tinha de dar aos deputados a possibilidade de as rejeitar todas. Não foi o que sucedeu.  (....)

A Mesa eleita na terça-feira passada pode ser destituída. Pode, na prática, nem chegar a presidir coisa alguma, se esse for o desejo adulto e genuíno da direita que ganhou a Assembleia Municipal. Vai a direita pôr-se esperta? Vai a direita entender-se para dar consequência à maioria que tem? Vai a direita transformar em políticas de direita os votos que os eleitores de direita lhe confiaram? Vai a direita compreender o que a cidade lhe disse?

Nocturno

 

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e sutilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Gênio da Noite, e mais ninguém!

(Antero de Quental)

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (253)



A dissuasão nuclear regressou ao centro da política internacional, não como sombra do passado, mas como instrumento de cálculo estratégico num mundo onde o pragmatismo substituiu a ideologia.     (Jorge Silva Carvalho, DN)

A Guerra Fria era binária; hoje o sistema é multipolar e fragmentado. A Rússia continua central, mas já não é única. A China emerge como terceiro vértice efetivo, enquanto a Índia e o Paquistão mantêm equilíbrios instáveis. O Reino Unido e a França conservam alcance global, Israel preserva ambiguidade estratégica e a Coreia do Norte usa o nuclear como chantagem. O mundo multipolar é mais pragmático e transacional: França e Alemanha aproximam-se em defesa estratégica; a Arábia Saudita reforça laços com o Paquistão; a Índia coopera tecnologicamente com Israel. A dissuasão tornou-se moeda geopolítica. (...)

Neste quadro, a Ucrânia é ponto de fricção. A retórica russa sobre armas nucleares táticas abre espaço a respostas simétricas. Embora seja Estado não-nuclear, o seu conhecimento técnico e herança infraestrutural sugerem hipótese de reversão. Em cenário de ameaça existencial extrema, o tabuleiro pode inverter-se. Moscovo banalizou o nuclear e corroeu o seu valor simbólico. Quando a ameaça se torna quotidiana, a dissuasão perde eficácia. (...)

O nuclear regressou, mas já não é apenas medo: é engenharia, economia e poder industrial. A dissuasão do século XXI mede-se não só pela ogiva, mas pelo escudo que a pode travar. Quem dominar essa cúpula dourada definirá as novas regras do A dissuasão nuclear regressou ao centro da política internacional, não como sombra do passado, mas como instrumento de cálculo estratégico num mundo onde o pragmatismo substituiu a ideologia. mundo. 

Uma Meteorologia Dos Afetos

 

"Uma Meteorologia dos Afetos" é um texto de Rafael Trindade que explora a complexidade das emoções, comparando-as com o clima para sugerir que os sentimentos são influenciados por uma combinação de fatores internos e externos, como a memória pessoal e a experiência do momento presente. O autor argumenta que a forma como interpretamos a realidade é subjetiva, pois cada pessoa "observa" a cena com um passado diferente, moldando a atmosfera de seus sentimentos. [Este resumo foi gerado com a ajuda da IA)

O rio flui por quilómetros antes de encontrar o mar, o que ele carrega consigo, apenas as suas águas podem dizer. A realidade não mente, apenas não diz tudo de uma vez, há beleza e mistério nisso.

Uma meteorologia dos afetos permite que a mesma cena seja observada de várias perspectivas diferentes. O nosso passado sopra lembranças sobre as percepções atuais, criando atmosferas diferentes para cada um. O corpo se adapta à sutileza da atmosfera presente, mas não pode deixar seu passado para trás. O que fazemos é continuamente aprender a navegar com bom e com mau tempo. Quem sabe, com o acúmulo de experiência, num cenário similar, será possível tirar melhor proveito das circunstâncias. Isso mostra como o mundo que se dá e o corpo que se é passam por constantes ajustes, a sintonia é fina, mas nem sempre imediata. Onde está a tristeza daquele dia florido? Com certeza não se encontra na beleza do cenário atual, mas sim nos acontecimentos anteriores.   

(Trindade, Rafael."Uma Meteorologia dos Afetos")

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (252)

Portugal tem novamente uma oportunidade de modernizar o setor da saúde com o apoio europeu – mas esta oportunidade só terá impacto se conseguirmos transformar investimento em resultados duradouros.     (Filipa Fixe, ECO

Nos últimos anos, os fundos europeus deixaram de ser apenas instrumentos de resposta em momentos de crise ou únicos. São uma das principais ferramentas de transformação estrutural, em Portugal e na União Europeia. Atualmente, o país dispõe de um Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) de 22,2 mil milhões de euros1, em vigor até 2026, com a área da Saúde com mais de 1.700 milhões de euros. Este deve ser um investimento pensado para modernizar todo o ecossistema de saúde: desde a prevenção até ao tratamento, envolvendo o setor público, o privado, o social e as empresas. A saúde é, hoje, uma equação demasiado complexa para se resolver em silos.

Há sinais positivos. Nos últimos anos, assistimos à expansão de unidades de saúde, à digitalização de processos clínicos e à criação de novos hospitais/unidades de cuidados primários. Mas, se perguntarmos aos cidadãos, muitos dirão que pouco mudou.

Persistimos num ciclo: grandes investimentos, mas pouco impacto. E é precisamente isso que temos de quebrar. As melhorias efetivas no sistema de saúde não se fazem apenas com obras de construção ou projetos isolados, fazem-se com integração, planeamento e uma visão de médio/longo prazo, baseada em dados em métricas precisas para gerar resultados e confiança.