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quarta-feira, 1 de junho de 2016

E Só Uma Questão De Convicção

No dia em que António Costa tomar consciência que já não terá de se equilibrar apenas entre Jerónimo e Catarina, mas deverá passar a ter de levar em consideração também a agenda de Marcelo – talvez regressem as razões e os motivos para equacionar a manutenção da geringonça no poder.

Desta feita, porém, a principal ameaça poderá não provir de São Bento, mas de Belém. E se os amigos de ocasião, Catarina e Jerónimo, serão facilmente domesticáveis – porque, no limite, nenhum deles terá interesse objectivo em provocar a queda da geringonça –, já os objectivos e o calendário de Marcelo escapam em absoluto ao controlo do primeiro-ministro.

E este dado pode fazer toda a diferença. Pode distinguir uma ameaça de crise que Costa consegue controlar, de uma ameaça de crise que o primeiro-ministro não poderá controlar.

Ao conviver com a rédea solta de Marcelo Rebelo de Sousa, ao tentar inclusivamente aproveitar-se dessa hiperatividade presidencial para a colocar ao serviço da geringonça, António Costa poderá estar a dar a Marcelo a corda com que acabará por se vitimar.

Excertos do artigo de João Pedro Dias, Económico 

A Noite Desce ...

A noite desce, o calor soçobra um pouco,
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação direta com a terra
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
À noite quando me separo das cousas,
E m'aproximo das estrelas ou constelações distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.

Alberto Caeiro 

terça-feira, 31 de maio de 2016

E Esta Hein ?


O Estado irá arrecadar cerca de oito milhões de euros com a cobrança pelo serviço público de rádio e televisão na factura de electricidade dos condomínios. A DECO considera que esta contribuição é indevida.

Tal como a factura da luz das escadas ou da eletricidade consumida pelo elevador, a contribuição audiovisual – para financiar o serviço público de radiodifusão e televisão – faz parte da fatura de eletricidade do condomínio. O pagamento da fatura da eletricidade do condomínio é, geralmente, dividido por todos os condóminos.

Segundo a DECO, o pagamento de uma taxa como a contribuição audiovisual implica que esteja a ser prestado um serviço ou disponibilizado um bem público, como de facto acontece. O argumento utilizado pela DECO para considerar o pagamento indevido é o de que os condóminos não devem pagar pelo serviço duas vezes.(OBSR)

Há Um Mar De Gente Que Parece Acordar E Adormecer Protegida Pela Camada Protectora Que Tudo Acolhe E Tudo Engole

De onde virá este “estado de condescendência” num país de língua afiada, desconfiança militante, culto da maledicência? E as elites, que dizer da sua amabilidade com as misérias do “tempo novo”?

Há uma quantidade muitíssimo considerável de gente que condescendentemente se dispôs a acreditar no país das maravilhas, acreditando até ser parte das maravilhas e vir a beneficiar delas; há mel que subitamente passou a escorrer das páginas e microfones de quase todos os jornais e jornalistas ou das palavras escolhidas de inúmeros comentadores e editorialistas que nos convencem do contrário do que vimos ou sabemos; há um mar de gente que parece acordar e adormecer protegida pela camada protectora da tal condescendência (ou deveria dizer indiferença?) que tudo acolhe e tudo engole. Sem estranheza que se note, ou estados de alma que se registem.
Um desafio e peras para uma observadora, e ando nisto há meses.

Basta apenas evocar um quotidiano ficccional feito de contas erradas vendidas como “controladas”; ameaças reais de desastre económico logo redimidas pelo fantasioso “novo diálogo com a Europa” do qual o país sairá supostamente vencedor mas só supostamente; a imperdoável venda da ilusão de que o “consumo” faria disparar o “crescimento” (temo que os números que aí vêm, alusivos à receita, estilhacem de vez a ilusão ); a decisão (oh quão datada) da introdução das “35 horas” já em desuso em toda a parte após as fissuras abertas nos tecidos económicos onde vigoraram com alta infelicidade; uma “Educação” a desfazer-se, alunos aflitos, pais desnorteados e apenas sindicalistas felizes e não me refiro agora de todo ao caso dos contratos de associação, mas àquilo que já não tem remédio: as alterações de fundo e substância ocorridas com o ano lectivo em curso, revogações, substituições, alterações, num galope descoordenado de mudanças contra o que estava, porque o que estava perdeu o direito de cidade.

Há parentescos familiares no governo para dar e vender, há amigos íntimos com responsabilidades de negociação reservadas apenas aos bastidores, há comportamento de “donos” em vez de atitudes de servidores públicos mas quem se incomoda por aí além com estas, como dizer? novidades? Os dias da ira deram lugar à terra prometida onde já não cabem “generalizados” protestos, ecrãs televisivos entupidos de indignação, “repúdio” de leis e medidas. É vida. A do tempo novo. Mas lá que espanta esta disponibilidade silenciosa para concordar, não fazer ondas, deixar-se ir em enganadores cantos de sereia, espanta sim.
vez sido assinado? Sabemos que não teria.)
O chefe do Governo acena com vacas que voam e oferece uma delas a uma senhora? Que ideia tão engraçada, original, inesperada, e nem quero pensar em Durão Barroso, Cavaco, Santana, Passos fazendo o mesmo com tão sedutora segurança quanto à graciosidade do gesto e à oportunidade da ideia.
O Chefe de Estado atribui (como nos iogurtes) prazo de consumo ao governo, marca horário para crise e… quê? Um laivo de estranheza, quando muito, face à manifesta infelicidade política do gesto mas, sejamos condescendentes, estas coisas acontecem, “foi o comentador que pregou uma partida ao Presidente” (ouvi eu, desgraçadamente).

Aflijo-me com a navegação: nem as rotas já percorrida parecem as mais indicadas para a nossa geografia, nem os rombos entretanto provocados deixarão o navio inteiro.
Dir-se-á que sou (muito) minoritária. Paciência, nunca será isso que me fará fingir que acredito na qualidade dos marinheiros.

Excertos do artigo de Maria João Avillez, 'A condescendência' , OBSR

Detesto Esta Expectativa ...



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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Marcelo Vai Figurar Em Posição De 'Quase Papa' no Museu De Cera Em Madrid

Elementos do Museu de Cera de Madrid procederam, em Lisboa, a uma sessão fotográfica e tiraram as medidas ao Presidente português , para fazer a escultura de Marcelo Rebelo de Sousa, que deve estar concluída em Setembro.

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, que assistiu à sessão, o próprio Marcelo Rebelo de Sousa escolheu ficar de pé, com as mãos um pouco levantadas, "como se estivesse a gesticular".
É uma posição "quase de papa", gracejou Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto decorria a sessão fotográfica, segundo o repórter espanhol.
Com paciência e sem deixar de mexer as "mãos de pianista", como disse, o Presidente da República posou nos jardins do Palácio de Belém, enquanto respondia às perguntas dos artistas do Museu de Cera de Madrid, que pretendem imortalizar, da forma mais fidedigna possível, o chefe de Estado português.

Fonte: Efe, Via Expresso 

A Busca ...


O que se quer existe - só que está coberto: Por isso se chama à busca feita pelos Portugueses Descobrimentos.

Agostinho Silva 

domingo, 29 de maio de 2016

Talvez Não Tenha Notado, Mas O Mundo Está No Meio De Uma Crise De Empatia

Talvez não tenha notado, mas o mundo está no meio de uma crise de empatia.
Os psicólogos começaram a chamar a atenção para o problema em 2009, quando uma pesquisa revelou um grau muito menor de empatia entre os estudantes universitários do que havia sido registado nos anos 1970.
Agora já há orientações para que se ensine empatia nas escolas - tanto para os alunos quanto para os professores.
Que o Papa tenha dito que devemos construir uma cultura global de empatia também parece bastante natural, mas até o Wall Street Journal, a publicação "oficial" do capitalismo linha-dura, publicou um guia de como desenvolver a empatia.

Empatia do médico cura gripe melhor do que medicamento


Crise de sentimentos e significados

Pesquisas e análises têm mostrado evidências claras de que nossas respostas ao sofrimento humano não estão funcionando correctamente.
De um lado, as coberturas "emotivas" da mídia podem estar gerando uma espécie de "esgotamento da empatia", embotando nossa capacidade de sentir o sofrimento das outras pessoas porque as emoções são banalizadas e trazidas às nossas salas de TV a todo momento.
Por outro lado, os pesquisadores também podem dar sua ajuda no esclarecimento da questão: Eles nem sempre definem precisamente o que querem dizer com empatia nos seus estudos.
Até que ponto pode-se realmente medir a empatia segundo cada definição? Será possível, ou necessário, distinguir a empatia da compaixão e do altruísmo? Os termos são muitas vezes usados de forma intercambiável nos estudos, mas isso pode minar as acções em busca do desenvolvimento dessas emoções positivas.

Assim, antes de corrermos para resolver uma crise de sentimentos, talvez precisemos primeiro resolver essa crise dos significados dos sentimentos e dos nomes dos sentimentos.

Boa Noite !



Que a noite seja sua conselheira e lhe traga bons sonhos!