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domingo, 30 de outubro de 2016

Santa Maria Base Espacial Da União Europeia ?

... Concretização Ou Miragem ?
ESA, via DN
Santa Maria, ilha açoriana pode renascer como... base espacial para lançamento de satélites.

O projecto do Centro Internacional de Investigação dos Açores abrange oceanos, clima, atmosfera e... negócios de milhões.

Neste centro de lançamento de satélites de baixo custo, uma das componentes do Centro de Investigação Internacional dos Açores (AIR Center, em inglês), que está em preparação, tem o potencial de recolocar Santa Maria como polo de ligação entre os EUA e a Europa.

Carvalho Rodrigues, o famoso "pai do PoSAT" (anos 1990), diz que é uma empresa privada (a Boeing) a "que lança mais objectos para o espaço" e aí "vai acontecer o que aconteceu com a aviação. Como hoje há aeroportos, no futuro existirão inúmeros locais de lançamento" de satélites e a preços muito mais baixos. "É uma questão de investimento... as oportunidades comerciais e industriais no espaço ainda estão no início, são negócios de triliões."

No entanto, Carvalho Rodrigues, com experiência de anos na NATO, duvida que numa base onde estejam os EUA "possam fazer-se outras coisas" para além das inerentes às militares - e uma base espacial "tem de ter facilidades e torres de lançamento, meios para enchimento de combustível dos satélites e guiamento dos foguetes... se houver quem invista, é um bom local". (continuar a ler

A Insustentável Leveza De ...

... António Costa - pois claro!

No momento em que escrevo, o suspense que paira sobre a novela da Caixa Geral de Depósitos (CGD) não tem ainda o seu desfecho anunciado. Mas o pedregulho que o Governo tem no sapato já não lhe permite enfiar o pé sem deixar uma fractura exposta. Assim, um caso que deveria ser claramente secundário face à importância dos desafios que se colocam a António Costa e à sua equipa acabou por afectar seriamente a credibilidade política e ética do executivo.

A insustentável leveza com que o primeiro-ministro foi gerindo os percalços da nomeação da nova administração da CGD – deixando à rédea solta o seu ministro das Finanças e a já proverbial inabilidade que demonstrou em vários episódios – ameaça pôr em causa a imagem e a coerência de procedimentos que se esperaria de um Governo apostado em devolver esperança e justiça aos portugueses depois dos funestos tempos da troika.

Opinião ( excertos) de Vicente Jorge Silva, Público

A Cegueira E A Obstinação Dos Homens ...

A cegueira e a obstinação dos homens lembra-me às vezes a cegueira e a obstinação das varejeiras enfrenizadas contra as vidraças. Bastava um momento de serenidade, dez-réis de bom senso, e em qualquer fresta estava a liberdade. Mas o demónio da mosca, quanto mais a impossibilidade se lhe põe diante, mais teima. O resultado é cair morta no peitoril.

 Miguel Torga 

sábado, 29 de outubro de 2016

Se Ainda Restar Algum Vestígio De Decência ...

Diplomas 'em branco' (2), por enquanto ...

Os factos - despoletados por uma oportuna investigação do Observador — são relativamente simples: Nuno Félix, chefe de gabinete do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, declarou para efeitos do despacho de nomeação em Diário da República que tinha duas licenciaturas: uma em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e outra em Direito pela Universidade Autónoma. Ambas, segundo as respectivas Universidades, inexistentes.(continuar a ler)

A Sombra ...

... Da Pessoa

(...) Uma pessoa não está... nítida e imóvel diante dos nossos olhos, com as suas qualidades, os seus defeitos, os seus projectos, as suas intenções para connosco (como um jardim que contemplamos, com todos os seus canteiros, através de um gradil), mas é uma sombra em que não podemos jamais penetrar, para a qual não existe conhecimento directo, a cujo respeito formamos inúmeras crenças, com auxílio de palavras e até de actos, palavras e actos que só nos fornecem informações insuficientes e aliás contraditórias, uma sombra onde podemos alternadamente imaginar, com a mesma verosimilhança, que brilham o ódio e o amor.

Marcel Proust

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Brincadeiras ...

Esta semana, o menino A. Costa regressou ao jardim infantil e puxou para a roda de brincadeiras o menino M. Centeno. Juntos, fizeram os outros meninos jogar às escondidas e à apanhada. No recreio de S. Bento, uns meninos queriam mais histórias e contas, outros queriam esconder os cadernos e os livros; uns queriam mudar as regras dos jogos, outros queixavam-se de batota; uns queriam novos esconderijos, outros queriam espreitar em todo o lado onde iam antes.

Os meninos Costa e Centeno sonegaram números, alteraram leis, esconderam factos e, no fim, disseram que eram os outros meninos que não sabiam brincar e lhes estavam a estragar o recreio. Quando o reitor do colégio, o Sr. Ferro, veio dizer que assim não valia, ficaram aborrecidos e até os companheiros de carteira, Catarina e Jerónimo, apareceram a dizer que também queriam ver os segredos escondidos. Mesmo assim, os meninos Costa e Centeno viraram-se para os da turma do lado, que diziam que assim não entravam na brincadeira, troçaram deles e queriam que não estivessem nos jogos do recreio.

Assim vai o Governo e o país - de brincadeira em brincadeira, de jogo em jogo, de ilusão em ilusão. Um dia destes, começa a barra do lenço e vamos a ver quem ouve melhor e corre mais depressa. O menino Costa não tem ar de ser grande corredor.

Manuel Falcão, J Negócios

A Vida É Como Um Livro Em Que ...


«A vida é como um livro em que as páginas são passadas pelo vento. Acontece que o vento não sopra em uma só direcção, e aí acabamos revivendo coisas já passadas, mesmo, às vezes, sem querermos.»

BL

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Trapalhada

Só um estado de graça prolongado e um país dividido em duas claques permite olhar para o que se tem passado na Caixa Geral de Depósitos (CGD) como se não estivéssemos num fim de ciclo.

Tanta trapalhada, que começou com uma lista de nomes para a administração de que alguns tiveram de ser apagados e que culmina com o valor dos salários versus o valor da transparência, não é coisa que se recomende.

E, pelo meio, ainda anda esquecida a recapitalização de milhares de milhões.

De igual forma, ganha estatuto de trapalhada geral uma discussão do Orçamento do Estado em que se permite à oposição não discutir documento nenhum mas a falta deles.

E continua no reino da trapalhada um debate sobre pensões e reformas, em que os parceiros da coligação à esquerda estão mais entretidos em marcar as suas diferenças do que em marcar a diferença para o anterior governo.

É evidente que o tempo passa e nada sustenta a tese de que estamos em fim de festa ou em fim de ciclo. Havia mais sinais nesse sentido quando a coligação nasceu do que agora, tal foi a surpresa. A trapalhada geral que temos vivido nos últimos tempos até pode passar a ser um modo de vida, numa geringonça em que o instinto de sobrevivência obriga cada um a puxar para o seu lado, mas revela apenas um grau de cansaço que é sempre superior a quem tem de negociar, de forma permanente, agendas que buscam a popularidade.

É por isso que os tiros nos pés virão sempre com mais frequência dos membros do governo, sujeitos a uma agenda parlamentar que é preciso driblar. Na CGD, por exemplo, alguém consegue perceber qual foi a participação do Bloco e do PCP nesta história? Zero ou pouco mais do que isso! Não vejas, não ouças, não fales e nada de mal que aconteça é tua responsabilidade. Há coisas que se governam em segredo, para bem da coligação e para mal de quem decide.

Paulo Baldaia, DN

João Lobo Antunes 1944-2016

O neurocirurgião João Lobo Antunes morreu esta quinta-feira na sua casa, em Lisboa.Lutava há vários anos contra um cancro na pele. Nos últimos tempos passou por sucessivos internamentos no Hospital CUF Infante Santo, tendo tido sempre alta para o domicílio.


O Valor Do Tempo ...

Fotografia contemporânea de Munimara

O tempo é, mais do que a vida, volátil, instável: inexistente, até. O valor do tempo é uma abstração; a extensão do tempo é uma construção psicológica, pouco mais do que isso. Quando alguém se queixa de falta de tempo está, na verdade, a queixar-se de falta de si no tempo: de falta de tempo de vida por dentro da vida do tempo.

Pedro Chagas Freitas