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segunda-feira, 20 de maio de 2019
Sem Circo Sobrava O Quê?
Entramos na derradeira semana da campanha para as eleições europeias e até agora não conseguimos reter uma ideia mobilizadora. Tudo se esgota na costumeira mercearia de votos e na coreografia mediática que mimetiza vícios de décadas. Disputas videirinhas típicas de um recreio de imberbes. Estamos em 2019 e a classe política em Portugal ainda acredita que há cidadãos (que não os que militam e dependem dos partidos) que têm tempo ou paciência para os ouvir a trocar impropérios diariamente nas televisões e nas rádios. Percorrem o país real mas não percebem nada do país real. Há dias, Paulo Rangel e António Costa enrolaram-se num debate surrealista sobre quem tinha passado mais horas de helicóptero a sobrevoar áreas ardidas. O ego de ambos terá sentido algum conforto, para nós foi apenas ruído.
Não podemos queixar-nos de um logro, na medida em que, desde cedo, os partidos, sobretudo os mais representativos, assumiram que o sufrágio de domingo era o prefácio das legislativas de outubro. E que, por isso, a agenda sobre a Europa seria um apêndice da agenda sobre Portugal. Mas depois não se admirem (e muito menos se queixem) se a abstenção roçar os 70%.
Não podemos queixar-nos de um logro, na medida em que, desde cedo, os partidos, sobretudo os mais representativos, assumiram que o sufrágio de domingo era o prefácio das legislativas de outubro. E que, por isso, a agenda sobre a Europa seria um apêndice da agenda sobre Portugal. Mas depois não se admirem (e muito menos se queixem) se a abstenção roçar os 70%.
A exceção tem sido, curiosamente, o que vamos distinguindo de construtivo nas intervenções de partidos mais pequenos como o Livre, o PAN, o Iniciativa Liberal e o Aliança. Circunstância que pode ter uma razão simples de explicar, para lá da qualidade dos candidatos: quem não depende tanto da televisão para produzir soundbites ou bandas sonoras em arruadas tem de agarrar-se às ideias e aos programas, recorrendo a outras ferramentas para cultivar ascendente social. Donde avulta a inquietação: o que seria dos partidos de massas se, de repente, as suas ações de campanha deixassem de ter cobertura televisiva? Os portugueses não iam notar muito. Mas para eles seria trágico. Paulo ataca Pedro, Pedro ataca Nuno. Sem circo sobrava o quê?
Paulo ataca Pedro, Pedro ataca Nuno, Marisa vitupera Paulo, João ignora Pedro e Nuno condena Marisa.
Pedro Ivo Carvalho, JN
A Sua Visão Tornar-se-á Clara Quando ...
"A sua visão tornar-se-á clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda."
(Carl Gustav Jung)
domingo, 19 de maio de 2019
Há Qualquer Coisa De Aldeia Gaulesa Neste Sistema Político
— para o melhor e para o pior.Se as últimas sondagens nos dão alguma indicação, a mais interessante é como, ao contrário de toda a Europa onde a paisagem partidária tem vindo a mudar, Portugal mantém-se imune a alterações substanciais. Os dez anos de crise não produziram nenhuma força política nova, ao contrário do que aconteceu em Espanha, França, já para não falar dos casos de Itália e Grécia.
Sondagens são sondagens — e até ao lavar dos cestos, no domingo próximo, dia de eleições, é vindima. Mas a confirmarem-se nas urnas os resultados das sondagens, mais uma vez se demonstrará que o sistema político português tem sido em 45 anos de democracia quase à prova de bala. Com a excepção do Bloco de Esquerda, (...) todos as tentativas de criação de novas formações políticas foram condenadas ao insucesso.
É um facto confortável concluir que o partido de extrema-direita que se preparou para estas eleições não terá grande sucesso — valha a verdade que o CDS resolveu funcionar como tampão, endireitando ainda mais o discurso nesta campanha. Mas as esperanças que alguns depositavam numa candidatura do Aliança ou mesmo do PAN parecem desvanecidas. Há qualquer coisa de aldeia gaulesa neste sistema político — para o melhor e para o pior.
(excertos do Editorial do Público de hoje)
Das duas uma - ou caímos todos num marasmo ou ... o conservadorismo é a realidade não admitida e escondida no âmago de muitos.
Uma Alma Gémea
As almas gémeas quase nunca se encontram, mas, quando se encontram, abraçam-se. Naqueles momentos em que alguém diz uma coisa, que nunca ouvimos, mas que reconhecemos não sei de onde. E em que mergulhamos sem querer, como se estivéssemos a visitar uma verdade que desconfiávamos existir, de onde desconfiamos ter vindo, mas aonde nunca tínhamos conseguido voltar.
Gémea não é igual. É parecida. Não é um espelho. É uma janela. Não é um reflexo. É uma refracção.
(...) O desejo de encontrar uma alma gémea não é o desejo de reafirmarmos a unicidade da nossa existência através de outro que é igual a nós. É precisamente o contrário. É poder descansar dessa demanda.(...)
Uma alma gémea é a prova que não estamos sozinhos. Ou seja: é a prova de que a alma existe. Não faz nem diz o mesmo que fazemos e dizemos — mas tem uma forma de fazer e dizer tão parecida com a nossa, que deixa de interessar o que é dito e feito. Uma alma gémea faz curto-circuito com os fusíveis corpo/coração/razão. Não é o «quê» — é o «porquê». O estado normal de duas almas gémeas é o silêncio. Não é o «não ser preciso falar» - é outra forma de falar, que consiste numa alma descansar na outra. Não é a paz dos amantes nem a cumplicidade muda dos amigos. Não precisa de amor nem de amizade para se entender. As almas acharam-se. Não têm passado. Não se esforçaram. Estão. É essa a maior paz do mundo. Como é que um ninho pode ser ninho doutro ninho? Duas almas gémeas podem ser.
Como é que se reconhece a alma gémea? No abraço. O coração pára de bater. A existência é interrompida. No abraço do irmão, do amigo, da amante, há sensação, do corpo, do tempo, do coração. Há sempre a noção dum gesto posterior. No abraço de duas almas gémeas, mesmo quando se amam, o abraço parece o fim. Uma pessoa sente-se, ao mesmo tempo, protegida e protectora. E a paz é inteira - nenhum outro gesto, nenhuma outra palavra, é precisa para a completar. Pode passar a vida toda. Não importa.
Quando duas almas gémeas se abraçam, sente-se o alívio imenso de não ter de viver. Não há necessidade, nem desejo, nem pensamento. A sensação é de sermos uma alma no ar que reencontrou a sua casa, que voltou finalmente ao seu lugar, como se o outro corpo fosse o nosso que perdêramos desde a nascença.
Miguel Esteves Cardoso
sábado, 18 de maio de 2019
Imunoterapia É Menos Eficaz Em Mulheres Que Em Homens
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| A imunoterapia já contabiliza alguns casos de sucesso, mas os resultados negativos dificilmente chegam aos meios de comunicação.[Imagem: Nicolle Rager Fuller/NSF] |
Contudo, como ainda está em seus primeiros estágios de desenvolvimento, a técnica é polêmica entre os médicos e cientistas, com alguns alertando que a imunoterapia é uma linha de pesquisa perigosa.
E um dos fatores complicadores para um maior sucesso dessa técnica acaba de ser descoberto: homens e mulheres têm respostas imunológicas diferentes, e a possível interação com os hormonas pode afetar a forma como homens e mulheres reagem aos medicamentos imunoterápicos.
Em termos mais diretos, o sexo ou género de um paciente afeta a eficácia da imunoterapia no tratamento do cancro.
Medicamentos testados em homens
Fabio Conforti e os seus colegas do Instituto Europeu de Oncologia, em Milão (Itália), lideraram uma meta-análise de 20 ensaios clínicos randomizados, cobrindo mais de 11.000 pacientes, todos envolvendo o uso de imunoterapias contra o cancro avançado.
E a conclusão é que os resultados das imunoterapias são muito melhores para os homens do que para as mulheres, qualquer que seja o câncer tratado ou a droga utilizada.
Em média, o ganho relativo de sobrevivência foi o dobro para os homens em comparação com as mulheres.
A equipe afirma que os resultados da meta-análise ressaltam a necessidade de análises específicas do sexo para evitar a extensão errónea para as mulheres dos resultados obtidos principalmente em pacientes do sexo masculino, o que pode levar a um tratamento pior e potencialmente prejudicial.
De fato, nos testes clínicos analisados, as mulheres estavam subrepresentadas. Em metade deles, as mulheres representavam menos de um terço dos voluntários, o que significa que os estudos individuais provavelmente não podem mostrar com segurança a interação entre o sexo e a eficácia do tratamento.
"Sexo e género podem afetar potencialmente a força da resposta imunológica do corpo. Em média, as mulheres mostram respostas imunes mais fortes do que os homens, o que resulta em uma depuração mais rápida dos patógenos, explicando a menor gravidade e a prevalência de muitas infecções em mulheres e sua maior resposta à vacinação do que os homens. Por outro lado, as mulheres representam cerca de 80% de todos os pacientes com doenças autoimunes sistêmicas em todo o mundo.
Os resultados foram publicados na revista médica The Lancet Oncology.(via DS)
O Que Nos Aprisiona Hoje?
O que nos aprisiona hoje?
Continuamos deixando que outras pessoas façam as escolhas por nós, muitas vezes de maneira subtil. Quantas coisas fazemos sem saber o motivo, porque todos fazem, para agradar ou impressionar? Quantas pessoas comuns seguimos, esquecendo que elas não são exemplo em tudo (as vezes só tem uma boa comunicação)? Quantas loucuras financeiras fazemos gerando problemas para o nosso futuro e de nossa família? Nunca houve tantos vícios e eles também nos escravizam.
Cada decisão gera dúvidas, responsabilidades, consequências, possíveis arrependimentos, frustração por dizer não às outras opções, novas mini-escolhas associadas. E isso impacta diretamente na nossa felicidade e produtividade. O mais importante é ser realista e humilde para reconhecer que não precisamos e não podemos tudo – não temos tempo, dinheiro e energia disponíveis para ficar com todas as opções. Melhor escolher bem só o que é realmente importante como moradia, companhias, carreira, viagens, tipo de alimentação e exercício.
As micro decisões podemos reduzir, simplificar e automatizar. Este é o meu segredo, e o seu?
Andrea Voute
sexta-feira, 17 de maio de 2019
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