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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde (act.)

Guerra aberta: PS acusa BE de "má fé" de estar a ser "falso" sobre escolha de juízes para TC
Borba: autarcas são acusados de homicídio, presidente da Câmara não se demite
TAP com mais de 105 milhões em prejuízos
Luanda Leaks. Arresto de contas em Portugal está a impedir pagamento de salários
Eutanásia. Bloco acusa "jogada política" a quem pede referendo
Eutanásia. "A morte é uma inevitabilidade, não é um direito fundamental"
Suspeitas de "vestígios de plástico" levam Pingo Doce a manda recolher produtos
Dívida pública fecha 2019 em 118,2% do PIB
Aeroporto do Montijo. Governo vai ter de mudar a legislação
EUA. Escândalo de abuso sexual leva escoteiros a abrir falência
BCP com lucros de 302 milhões. É o melhor resultado desde 2007
Empresa de Isabel dos Santos avança para PER. Empréstimos do BCP e EuroBic em risco
Eutanásia. PS quer aclarar dúvidas que ainda persistem na especialidade
Erich von Däniken, do programa "Alienígenas": "Acredito que estamos a ser observados. Alguém nos está a estudar"
Deputado único do Chega pede a Marcelo que aceite referendo sobre a Eutanásia
Tiroteios que mataram 11 pessoas na Alemanha tiveram "motivações xenófobas"
Eutanásia: Há doentes que esperam seis meses por cuidados paliativos
“A arquitectura em Portugal está em agonia”, admite Álvaro Siza Vieira
Quem disse o quê: as frases que marcam o debate sobre a eutanásia  
 Assembleia da República aprova despenalização da eutanásia

Quando O Grande Combate Do Orçamento Europeu É Sobre Centésimas -- É Difícil Acreditar

Quando o grande combate do orçamento europeu é sobre centésimas – 1% ou 1,07% – é difícil acreditar que vai ser possível reencontrar o “interesse comum”. Neste, como noutros domínios.

Teresa Sousa, Público

1. As perspectivas não são as melhores para o Conselho Europeu extraordinário que hoje começa em Bruxelas sem hora ou data marcada para terminar. Pela primeira vez, os chefes de Estado e de Governo vão confrontar-se abertamente em torno da última proposta de orçamento plurianual da União (2021-2027), apresentada há menos de uma semana por Charles Michel, que preside ao Conselho. (...)

2. A Europa ainda não se recompôs da crise do euro e das feridas que abriu. Os partidos nacionalistas e populistas ganharam terreno suficiente para influenciar as opiniões públicas nacionais, deixando os governos pró-europeus na defensiva. O eixo Paris-Berlim está paralisado, retirando à União uma indispensável direcção política. E, sobretudo, a maior potência económica europeia está mergulhada numa profunda “introspecção existencial” sobre o seu lugar na Europa e no mundo, agravada pela crise política aberta pela demissão da sucessora de Merkel na liderança da CDU, aumentando a incerteza sobre o futuro imediato. (...)

3. O mais interessante é que a retórica em torno das ambições políticas da UE nunca foi tão eloquente. Ursula von der Leyen quer uma “Comissão geopolítica”. A Europa quer ser um exemplo para o mundo no combate às alterações climáticas, operando uma revolução” no seu modo de produzir riqueza. (...)

Aguardo, Equânime, O Que Não Conheço --

Aguardo, equânime, o que não conheço —
Meu futuro e o de tudo.
No fim tudo será silêncio, salvo
Onde o mar banhar nada.
(Ricardo Reis)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


Diante Do Infinito, Somos Apenas Um Pálido Ponto Azul.

(Fotografia da Terra, de uma distância de seis bilhões de Km)
Carl Sagan, a partir desta fotografia, chamada “Pálido Ponto Azul”, criou uma das mensagens mais lindas do mundo da ciência. Eis parte dela : 


Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. (…) Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o “pálido ponto azul”, o único lar que conhecemos até hoje.
Carl Sagan 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


O Enigma Português


Portugal aparece como um dos países mais infelizes da OCDE. Mais infelizes ainda, apenas a Turquia e a Grécia.
Porque serão os portugueses tão infelizes? Será resultado da perceção de um elevado nível de corrupção? Crescimento económico débil? Ausência de sentido de destino coletivo? Não há uma elite dedicada ao bem comum? Para além de políticas erradas inimigas do crescimento, haverá outros fatores mais profundos do foro psicossocial?

Os portugueses oscilam entre a glorificação e o desamor, entre o exaltamento e o escárnio de si mesmos e do seu país. Querem amar, mas não encontram permanente motivação para uma entrega que se prevê venha a ser recompensadora – material ou imaterialmente falando. Não há previsibilidade, nem estabilidade. Planeamento estratégico a todos os níveis é difícil ou impossível. O futuro, seja ele qual for, há-de aparecer, não se constrói.

Os portugueses não sabem apreciar o melhor que têm: eles mesmos. Sofrem de insouciance e de autoflagelação crónicos. Não sabem, não podem ou não querem resolver atempada e eficazmente as coisas, mesmo as importantes. Enredam-se a discutir coisas triviais durante meses. Desistem e partem perante o atavismo e a paralisia coletiva que resulta do conflito entre inúmeros interesses mesquinhos. (...)

O ensimesmamento português, na opinião de José Rui Teixeira (2020), simbolicamente, nimba a sua vocação atlântica de uma vertigem suicidária: um povo tão afetivamente apegado às suas raízes, às suas origens, projeta-se numa diáspora que ainda hoje reúne quase um terço dos portugueses.

Esta singularidade, segundo Teixeira, foi descrita por António José Saraiva (1917-1993) como um “novelo afetivo” que caracteriza a “personalidade portuguesa”, que implica, entre outras particularidades idiossincráticas, um sentimento de insularidade, o messianismo e a saudade, e que aparece “a observadores estrangeiros como desnorteante e paradoxal”.


A perplexidade estrangeira sobre Portugal persiste hoje mesmo, confirmando Saraiva: “É um puzzle, é um enigma, porque é que Portugal não está a crescer mais”, disse Sarah Carlson, vice-presidente de Moody’s e principal responsável pelo acompanhamento do rating de Portugal, há poucos dias (13 de fevereiro de 2020).
Enquanto não for resolvido o enigma, Portugal será infeliz.
(excertos do texto de Nuno Cintra Torres, JE )

O Que Me Dói Não É


O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.

Fernando Pessoa  

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Notícias Ao Fim Da Tarde


O Ímpeto Ideológico E Totalitarista Da Esquerda Assume, Neste Cenário Proporções Inaceitáveis

Vivemos tempos de resistência. E se há bem maior pelo qual a resistência vale a pena, é a Vida. Saibamos estar à altura destes tempos e assumir o nosso papel na construção de uma sociedade humanista.

A poucos dias do debate dos diversos projetos de lei sobre a Eutanásia, fica clara a imposição de um modelo de funcionamento da sociedade, fica evidente o caminho destruidor de valores e de premissas estruturantes para a vida em comunidade, torna-se inegável o fascínio de certa esquerda por um experimentalismo social. A esquerda legisla, por vezes com a conivência dos que se tentam passar por “partidos de centro” ou de “direita”, ao arrepio do comum bom senso, que numa matéria de vida ou morte exigiria maior cautela, exigiria maior ponderação, mas no mínimo exigiria que duas condições fossem cumpridas: que o Parlamento aguardasse pelos diversos pareceres solicitados sobre a matéria em questão, permitindo um alargado e completo debate sobre a despenalização da morte assistida e que aos cidadãos fosse permitida a possibilidade de se pronunciarem sobre esta questão, utilizando a figura do referendo como mecanismo de auscultação dos Portugueses.

Pelos vistos, estes pareceres são um “acessório” para todos aqueles que se julgam acima da lei, acima dos que julgam representar. Legislam, de forma desenfreada, isto depois de na última legislatura (há menos de dois anos), quatro projetos de lei sobre a mesma matéria terem sido rejeitados na Assembleia da República. Sob a égide de uma atitude calculista, observam e verificam a possibilidade da legislação obter o crivo da maioria parlamentar, depois de um período eleitoral marcadamente omisso sobre esta temática. Os ditos representantes julgam-se proprietários da livre vontade dos Portugueses e têm uma visão perniciosa do mandato parlamentar, após eleitos, consideram-se “donos da Democracia”, “iluminados” que sobre tudo decidem, sem questionar se os caminhos que trilham são contrários à vontade expressa da maioria ou violam princípios fundamentais da Constituição.

O ímpeto ideológico e totalitarista da esquerda assume, neste cenário (e com a honrosa exceção do PCP), proporções inaceitáveis, ignorando estudos sobre a aplicabilidade da mesma legislação em outros países, bem como premissas constitucionais fundacionais da nossa Democracia, como por exemplo, o artigo 24º que determina, de forma expressa, que “a vida humana é inviolável”, logo alvo da defesa intransigente do Estado.(continuara ler)