Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (158)

 Vivemos tempos estranhos, em que a falta de critério das cabeças e mãos ocultas reiteram um sustentado registo de arbítrio preocupante, num quadro de crescentes dúvidas, incertezas e dificuldades das pessoas e das comunidades. Numa sociedade de mínimos, o arbítrio pode medrar a partir dos abusos de posições mais ou menos dominantes, mas é preciso termos noção dos seus impactos na observância das regras e na instalação de um contexto de selvajaria, de um vale tudo em que se sabe sempre como começa, mas nunca como acaba. Sem solidez na previsibilidade das regras, restará o arbítrio institucional, público e mediático. Será esse o caminho que pretendem as cabeças e as mãos invisíveis da praça? E os portugueses?         (António Galamba, Ji

"Amigo"


 Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... 
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram 
e serão especiais para mim.

(Clarice Lispector)

domingo, 24 de julho de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É a Frase (157)

 
O Primeiro-Ministro tem a tese de que o País é vítima de um atraso estrutural inscrito no sistema político, nas leis, nas políticas públicas, onde não há lugar para a responsabilidade individual.                               (Carlos Marques de Almeida, ECO)

O Primeiro-Ministro admite o mau estado da Nação. Ponto Final. Voa pelo Parlamento como se fosse um turista acidental, não responde a perguntas, não se explica aos portugueses, despacha a Oposição com a encenação de um comediante, umas vezes com piadas cínicas, outras vezes com piadas ainda mais cínicas. 

E se não gostam do espectáculo, para a próxima lembrem-se de que não pagam bilhete e que o PS tem Maioria Absoluta. Sobre a Nação desce o mais medíocre silêncio. Sobre a Nação reina a cobardia política da soberba e da arrogância. O estado da Nação é o esgotamento da determinação política, um Governo pleno de reticências burocráticas, Ministros perdidos no labirinto dos legalismos permissivos e um estilo político marcado pela mesquinhez dos instalados na vida.  

Na Noite Que Me Desconhece


Na noite que me desconhece
O luar vago, transparece
Da lua ainda por haver.
Sonho. Não sei o que me esquece,
Nem sei o que prefiro ser.

Hora intermédia entre o que passa,
Que névoa incógnita esvoaça
Entre o que sinto e o que sou?
A brisa alheiamente abraça.
Durmo. Não sei quem é que estou.

Dói-me tudo por não ser nada.
Da grande noite embainhada
Ninguém tira a conclusão.
Coração, queres? Tudo enfada
Antes só sintas, coração.

Fernando Pessoa
18/05/1930

sábado, 23 de julho de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (156)

 Uma Justiça que não é célere não é justiça. Não sendo acessível a todos, não é democrática, falhando o Estado numa das suas vitais funções. O País – que perde – já está cansado das desculpas de sempre, porque a culpa não é sempre do legislador.      (André Pardal, Visão)

Das corporações, pouco, para além da histórica reivindicação por mais recursos (leia-se melhores ordenados ao fim do mês) se pode esperar, uma vez que – salvo raras exepções, como o atual Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, ou, habitualmente, a Ordem dos Advogados – vivem fechadas em si próprias e nos seus interesses particulares.

Do poder político – quando não “capturado” por representantes de uma qualquer corporação, nas suas constantes “portas giratórias” entre as “inamovíveis” Magistraturas e o “fascínio pelo poder” – pouco ou nada se pode esperar, tendo em conta o receio, sensibilidade, pressão e mediatismo que toda e qualquer alteração nesta matéria provoca.

O caminho, só poderá ser um, sob pena de o “fosso” entre a realidade e o “Direito” aumentar ainda mais. Uma reforma profunda, assente num acordo de regime, envolvendo todos os quadrantes políticos e parceiros do setor, mas, ao contrário do habitual, com métricas, objetivos, avaliação, consequências, e, fundamentalmente, elementos fora do setor judicial.

Se Te Censuram, Não É Teu Defeito



Se te censuram, não é teu defeito,
Porque a injúria os mais belos pretende;
Da graça o ornamento é vão, suspeito,
Corvo a sujar o céu que mais esplende.

Enquanto fores bom, a injúria prova
Que tens valor, que o tempo te venera,
Pois o Verme na flor gozo renova,
E em ti irrompe a mais pura primavera.

Da infância os maus tempos pular soubeste,
Vencendo o assalto ou do assalto distante;
Mas não penses achar vantagem neste

Fado, que a inveja alarga, é incessante.
Se a ti nada demanda de suspeita,
És reino a que o coração se sujeita.

(William Shakespeare) 

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Notícias Ao Fim Da tarde