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segunda-feira, 18 de março de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (63)

O (maior) problema do PS chama-se Chega - O problema é que o Chega ganhou uma dimensão e peso que o tornam agora incontornável em qualquer análise do sistema político português. (Camilo Lourenço, J Negócios)

O PS aceitou o convite do Bloco para uma reunião entre partidos de esquerda. Foi um primeiro erro depois das eleições. Pedro Nuno Santos devia estar preocupado com outra coisa: a ameaça que pende sobre o PS expressa no crescimento do Chega. Como já foi aqui referido, o PS andou a alimentar o crescimento de André Ventura desde 2018, numa estratégia que deve tudo a Augusto Santos Silva e António Costa.

Poema Transitório


(...) é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente!

... no entanto
eu gostava mesmo era de partir...
e - até hoje - quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente...
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.

(Mario Quintana)

domingo, 17 de março de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (62)

A esquerda está desgastada e sem energia, e o desespero começa a gritar mais alto. Mas a verdade não pode ser deixada para quem fala mais alto.
 (Ana Gabriela Cabilhas, Sábado)

Nos últimos anos, em Portugal, foi hipotecado o contrato social de progresso geracional que assegurava que as gerações seguintes viveriam melhor que as anteriores. Porém, as jovens gerações não querem renunciar aos seus sonhos, nem suportar injustiças intergeracionais, a custo de resultados eleitorais imediatos que dão mais ritmo à dança das cadeiras do poder.

Na ausência de substância política e de uma nova esperança reformista, a esquerda manteve o País da retórica, dos anúncios e das promessas não correspondidas. A esquerda profetizou resultados quando Portugal estava a cada ano pior, mais triste e estagnado, e tentou arranjar desculpas que a ilibasse de quaisquer responsabilidades.

Em vez de procurar sair da própria bolha política que promove a sua autovalidação, e conhecer a realidade crua dos jovens que ficaram órfãos de soluções para os seus problemas, a esquerda prefere atirar-se com uma superioridade moral, rotulando e diabolizando todos os jovens que por si foram abandonados, sejam eles simpatizantes da Aliança Democrática, da Iniciativa Liberal ou do Chega.

A esquerda tem que se desprender das amarras do poder, tornar efetivo o pluralismo que apregoa, e ouvir respeitosamente o grito de esperança dos jovens sufocados pela indiferença de quem nos governou.

"MAGNIFICAT"


Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!

(Álvaro de Campos)

sábado, 16 de março de 2024

Notícias Ao Fim DaTarde

A Frase (61)

Convém repetir, pois parece inacreditável. Já há quem vote contra uma moção de censura, que não está escrita, que não se sabe se haverá, cujo autor se desconhece e cujo teor é um mistério. Não se sabe qual é o governo, nem qual é o seu programa, muito menos em que condições é formado, mas já se sabe que há quem vote contra. Parece que a força da oposição, das oposições, reside nesta maravilhosa frase digna de banda desenhada: “Não sei o que é, mas sou contra!”.  (António Barreto, Público)

O PCP vota contra. Ponto. O Bloco vota contra. Ponto. O PS faz oposição e vota contra. Ponto. O PSD diz que “não é não” e já anunciou há muito que não fala com o Chega, nem quer bloco central. O Chega diz que, se não for previamente consultado, vota contra. (...)

Estranho país este, esquisito sistema partidário este, em que os grandes partidos, de quem tudo depende, se revelam medrosos e covardes, enquanto os pequenos partidos, atrevidos como não se imagina, de quem nada depende, com menos de meia dúzia de deputados, ousam dar a entender que tudo depende deles, que “não estão dispostos para isto”, que “estão disponíveis para aquilo”, e que “não contem com eles para aqueloutro”.(...)

 O que terá dado a estes partidos, a esta classe política e a estes políticos para sacrificarem o seu país a interesses menores e a vaidades maiores? Querem a terra queimada e chamar-lhe paz e progresso… ( ler aqui o texto completo)

sexta-feira, 15 de março de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (60)

O povo disse que queria um governo de direita. Mas não só. As pessoas querem mudar a sua vida para melhor e estão fartas do paternalismo da esquerda socialista.         (Ricardo Pinheiro Alves, ECO)

Duas mensagens muito importantes: 

1 – O povo disse que queria um governo de direita. O resultado mais relevante foi a grande vitória da direita, uma das maiores em eleições democráticas e concretizada com uma das maiores votações de sempre. A direita elegeu 60% dos representantes e ganhou mais de 900 mil votos face a 2022, o que representa uma mudança muito significativa num país que é apresentado como sendo sociologicamente de esquerda, por influência do 25 de Abril e da muita propaganda que lhe está associado. (...)

2 – As pessoas querem mudar a sua vida para melhor e estão fartas do paternalismo da esquerda socialista. Os portugueses querem um governo que deixe as ideias de esquerda que governaram nos últimos 30 anos e que nos condenaram ao empobrecimento relativo, e este afastar da esquerda do governo é uma oportunidade para mudar Portugal para melhor.

Durante anos, os portugueses suportaram uma esquerda que pretendeu conciliar a imposição de alterações radicais aos costumes com o imobilismo dos que estão na idade de nada querer mudar (chamando-lhe “estabilidade”) e que, muitas vezes, parece que nem com o futuro dos filhos estão preocupados. A demonstrá-lo está o reduzido número de votos que o PS recebeu dos jovens (10% do total, menos ainda do que o PCP), sinal de um partido envelhecido, com uma juventude socialista sem ideias e mais inócua do que a sua congénere comunista.(...)

Apesar do aumento da taxa de participação eleitoral em 750 mil votantes, só o PS perdeu quase meio milhão de votos. A esquerda radical ganhou um deputado, mas também a concorrência de um PS muito mais radicalizado, liderado por quem se julga um predestinado. No total, toda a esquerda socialista teve uma enorme derrota e perdeu algumas centenas de milhar de eleitores, ficando apenas com 39% dos votos e dos representantes eleitos.  (...)