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quarta-feira, 7 de maio de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde


A Frase (115)

O direito à habitação não se garante por decreto — quando a ideologia manda, o mercado paralisa e a crise agrava-se.    (João Tovar Jalles, ECO)

O debate sobre a crise da habitação em Portugal está a ser tomado por uma lógica perigosamente simplista. O problema é real — e sim, os preços de compra e arrendamento de casa atingiram níveis historicamente elevados, tornando o acesso à habitação cada vez mais difícil para uma parte significativa da população. 

Mas as soluções propostas, sobretudo por setores à esquerda, são um misto de demagogia, obsessão ideológica e negação da realidade económica. 

Estamos a assistir à repetição de um erro clássico: identificar o sintoma (preços altos) e propor um remédio que agrava a doença (controlo de rendas, congelamento de preços, mais subsídios à procura). O raciocínio é, claro está, politicamente sedutor: se as casas estão caras, então basta “obrigar” os preços a baixar. Mas esta visão ignora as regras mais básicas da economia — e tem consequências devastadoras. (...)

A resposta racional seria aumentar a oferta: facilitar a construção, simplificar os licenciamentos, mobilizar solo urbanizável, criar condições para que mais pessoas coloquem imóveis no mercado.(...)

Em vez disso, o que se vê é uma tentativa dos setores à esquerda de “corrigir” os preços por decreto, impondo tetos, limites e obrigações que apenas reduzem ainda mais a oferta. O controlo de rendas é o exemplo de medida proposta mais flagrante. Apresentado como uma medida “social” e “justa”, esta tem um histórico comprovado de falhanços. (...)

Começar ...

 
A única alegria no mundo é começar. 
É bom viver porque viver é começar sempre, 
a cada instante.

(Cesare Pavese)

terça-feira, 6 de maio de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

É uma ilusão considerar que há políticas públicas em Portugal com poder para contrariar a mudança que temos no horizonte, desencadeadas pelas exigências na Defesa e pela guerra comercial.  (Helena Garrido,OBSR)

O debate de todos contra todos com representação parlamentar, na RTP como nas rádios, acabou por ser mais rico do que os frente-a-frente. Mas deixou à mesma o sabor amargo de estarmos a infantilizar eleitores, com todos os protagonistas a evitarem os temas que mais impacto vão ter nas nossas vidas a breve prazo. O investimento em Defesa e a guerra comercial aberta por Donald Trump reúnem condições para alterar estruturalmente as sociedades europeias no pilar fundamental que é o Estado Social.

O tema está a ser evitado, mas mais cedo ou mais tarde vai bater-nos à porta. Parece óbvio que não vai ser possível manter um Estado Social tão generoso quanto era quando a potência americana desempenhava uma das funções de soberania que cabe aos Estados, a Defesa. Vai haver escolhas a fazer que não vão ser fáceis. Esperemos que, pelo menos, no calor da campanha eleitoral, AD e PS não caiam na tentação de fazer promessas manifestamente impossíveis de cumprir, uma vez que nem aquilo que o Estado Social já nos dá poderemos ter capacidade de manter.

Podemos ter uma surpresa muito desagradável quando a economia entrar em crise – porque é mesmo uma questão de quando, porque acontecerá.(...)

Luís Montenegro seguiu o mesmo caminho. Se repararmos bem, segmentou – como continua a fazê-lo em campanha – o país em grupos de votantes e foi adoptando as medidas que lhes agradam ou preocupam. A imigração, que há um ano era um tabu, é um dos exemplos que não envolve dinheiro, mas que vai meticulosamente ao eleitorado do Chega, esvaziando uma das suas bandeiras. Em onze meses Luís Montenegro geriu o ciclo para ir a eleições e o que é espantoso é que não esteja mais distanciado do PS. (...)

Os resultados eleitorais vão dizer-nos quanto ainda nos vai poder custar, caso o dia 18 de Maio produza o mesmo equilíbrio de forças. 

Nos tempos desafiantes que vivemos, o que nos está a acontecer, como o que nos aconteceu nos últimos dez anos, em nada contribui para o desenvolvimento do país. Ninguém ganha eleições com a verdade, costuma dizer-se. O problema é que, neste momento, a não verdade, a ilusão que nos espera uma prosperidade fácil com um Estado generoso, pode ser mais cara.

A Frase (114)

O mais eletrizante Presidente da história da democracia decidiu ficar apagado quando o país precisava que utilizasse o seu maior poder: a palavra. A justificação? Campanha e um debate a dois.      (RuiPedro Rodrigues, OBSR)
 

Prece

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (113)

Discurso tremendista? Observem a campanha na sua real dimensão política e vão encontrar uma caricatura de Portugal. Os portugueses são objecto de um discurso político insensível ao movimento do mundo civilizado, um discurso estranho ao progresso que agita as sociedades mais avançadas, como se os portugueses fossem os últimos representantes de um povo ignorante e pobre saído da longa noite fascista ou às portas da nova era populista.  (Carlos Marques de Almeida, ECO)

A mensagem dos partidos aponta para a acção governativa como o grande problema do país. Todos os partidos são geniais em campanha e banais no Governo. O génio que tudo promete fora da realidade, a banalidade de tudo falhar na realidade. A campanha é o grau zero da política transformada em fraude eleitoral.

A política está projectada na disseminação de um ressentimento social que legitima uma visão política única e centrada na sensação de que metade do país explora a outra metade do país – Como se Portugal fosse uma colónia que pertence apenas a metade dos portugueses. Quando o país político exibe sem noção ou escrúpulo uma pobreza política que ofende, celebra-se a festa das eleições como solução para a estabilidade. A estabilidade da pobreza ou a estabilidade da riqueza? 

Debate ...


 Emocionalmente: Estou triste. Mentalmente: Estou cansada. Espiritualmente: 
Estou morta. Fisicamente: Eu sorrio.