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domingo, 24 de outubro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai O País

O que choca neste momento da vida política portuguesa é a leviandade política generalizada e a grande importância das pequenas personagens.

É o cansaço, a saturação, a ansiedade no labirinto da saudade. O Budget é o assunto político do momento. Dito assim o tema parece mais sério, sofisticado, elevado, uma referência mais digna a um documento político fundamental. Mas o Orçamento é a cena do ódio em capítulos. O Governo na sua indefinição e incúria deixa o assunto entregue ao narcisismo das pequenas diferenças com o País indiferente e com o olhar fixo na pornografia do preço dos combustíveis. E o Governo perde a aderência à realidade no frenesim de tantas medidas desconexas na 25ª hora.

Há uma lição que vem desta experiência política à Esquerda e que deve ser recordada. O PS manteve-se anos afastado do PCP e do Bloco pela simples razão de que não existe em Portugal um conjunto coerente de ideias nesta área política capaz de suportar uma visão para o regime e para o País. O PS é o muro rosa que separa o Portugal democrático do aventureirismo político do Bloco e da ortodoxia do PCP.Seis anos a ignorar o assunto e o PS comporta-se como um partido falido que vai ao mercado vender o que resta do espólio histórico aos compradores monopolistas que oferecem sempre a pior oferta.

(Carlos Marques de Almeida, ECO)

A Frase

 Picadas sazonais - Rio só acorda quando os colegas de partido querem debater.

Rui Rio é presidente do PSD há quase quatro anos. E, nesse tempo, confesso que só o vi ‘picado’ duas vezes: a primeira, quando Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz lhe disputaram a liderança; e agora, quando Paulo Rangel se prepara para fazer o mesmo. É coisa assaz bizarra.                  (João Pereira Coutinho, CM)

Em teoria, o líder da oposição sente-se ‘picado’ com o governo.

Feliz Só Será ...

 

Feliz só será
A alma que amar.

Estar alegre
E triste,
Perder-se a pensar,
Desejar
E recear
Suspensa em penar,
Saltar de prazer,
De aflição morrer —
Feliz só será
A alma que amar.

(Goethe)

sábado, 23 de outubro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Vai Este País


  Há cerca de uma década, contavam-se 85 Observatórios (nacionais, regionais, municipais e sectoriais), geralmente recheados de amigos. Os resultados desta incansável actividade são por vezes interessantes, mas em maioria são medíocres. Os Observatórios dedicam-se à propaganda, mais do que à observação.

Agora, são as Estratégias! A complexidade da vida social, a preocupação em dar a entender que as autoridades têm ideias e a obsessão com a aparência fizeram com que os governos desenvolvessem esta lucrativa actividade: a da elaboração de estratégias. Estas têm todas as vantagens. Parecem inteligentes e competentes. Recorrem a numerosas contribuições disciplinares. Prometem mundos sem responsabilidades práticas. Conseguem calar as reclamações. Sugerem que o destino está sob controlo. Ocupam muita gente a elaborar, escrever e reunir. Permitem a contratação de amigos, familiares, agências de comunicação e empresas de consultoria. Assim é que, para quase todos os problemas nacionais, há estratégias. Pode mesmo dizer-se que a grande estratégia consiste em ... elaborar estratégias!

A maior parte das vezes procuram a resolução de problemas, como a desigualdade social ou a corrupção. Isso é verdade. Mas fazem-no sempre com segundas intenções. Primeira, mostrar que toda a gente na Administração está unida. Segunda, criar uma sensação de dever cumprido. Este último facto é particularmente chocante, num país exímio em formidáveis soluções jurídicas, mas que falham diante da vida.

Estas estratégias são de uma enorme utilidade suplementar: revelam a tendência autoritária e dirigista das tradições políticas portuguesas. O que está a acontecer, a propósito do género, da idade, do sexo, da origem racial, da comunidade étnica, da nacionalidade, da natureza e da alimentação, é simplesmente insuportável. As autoridades fazem suas as ideias mais mirabolantes que se atravessam nos circuitos culturais e nos movimentos sociais, sobretudo das classes médias urbanas com gosto para ditar a virtude.

São excelentes exemplos da vontade de unificar o público e o privado, os modos de vida e as crenças, os comportamentos e as atitudes. As estratégias designam o pecado e a virtude, o Bem e o Mal. As estratégias são simulacros democráticos de ideologias autoritárias e são os sucedâneos dos dogmas religiosos ou laicos. (...)

A ENIND propõe-se eliminar os estereótipos e liquidar os preconceitos próprios de todas as formas de discriminação e desigualdade, de género, de fortuna, de origem racial, idade, cultura, estatuto social… Para esse fim, recorrerá a todos os meios e todas as intervenções nas áreas publicas e privadas, no trabalho, na escola, nas instituições… Enfim, na vida.

(excertos do texto de António Barreto no Público)

A Gente Nunca Sabe Direito O Que Fazer ...


Ora somos reis, ora nos sentimos réus.
A tribo nos acolhe, nos conforta, quebra
um pouco a solidão, mas também pode nos
descaracterizar, nos engolir.
A gente nunca sabe direito o que fazer,
então canta,
então chora,
então ama,
então se desespera,
então ri
com o mesmo encantador jeito
infantil de outro dia.
[...]

Lya Luft,
no 'O tempo é um rio que corre.'

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Política Portuguesa Alimenta Uma Fraude Democrática, Económica, Social E De Valores

  A política portuguesa alimenta uma fraude, que não é apenas democrática, mas também económica, social e de valores. Porventura a corrupção será a sua maior consequência

 Em Portugal podemos pensar e dizer tudo o que nos passe pela cabeça em liberdade, mas isso não quer dizer que exista um verdadeiro regime democrático. Desde logo porque o acesso à comunicação social não é para todos, porque existe uma barragem de comentadores permanentes muito influentes, em particular nas televisões, o que modela o pensamento de uma grande parte da opinião pública, e porque existe um muito baixo nível médio de educação e de formação política na sociedade portuguesa. Porventura não menos importante, será a existência de um crescente número de cidadãos desiludidos que desistiram de participar na vida política e deixaram de considerar o voto como importante.

Seja como for, a verdade é que a opinião pública e publicada, mas também a visível nos resultados das diversas eleições e das sondagens, revela uma apreciação desfocada da realidade. O exemplo porventura mais evidente é o do julgamento negativo feito por milhões de portugueses da governação de Pedro Passos Coelho, julgamento que está longe de ser uma análise séria e equilibrada daqueles quatro anos. De facto, a governação do PSD/CDS retirou Portugal de uma situação de descrédito internacional com efeitos extremamente graves na economia e nas finanças nacionais e deixou o país numa situação completamente diferente, para melhor, da forma como o encontrou. Tendo recebido cerca de 7% de défice no orçamento do Estado deixou a António Costa um défice de pouco mais de 3%. Tendo herdado uma dívida pública de 117 % do PIB e juros de mais de 7%, legou ao governo seguinte uma dívida de 129% do PIB, é verdade, mas as taxas de juro da dívida a dez anos rondavam os 2%, ou seja, a crise de credibilidade tinha sido ultrapassada.

O segundo erro de apreciação de muitos portugueses reside na forma como julgam as políticas sociais e económicas dos governos de António Costa e a qualidade dos governantes, deixando-se iludir com a barragem de promessas do PS e das supostas conquistas do PCP e do Bloco de Esquerda. De facto, são estes dois partidos que acusam com frequência o Governo de não cumprir as promessas feitas, sendo que as promessas concretizadas se destinam principalmente a criar o apoio eleitoral ao PS, ou não são sustentáveis do ponto de vista financeiro, ou são injustas. (continuar a ler aqui)

(Henrique Neto, Ji)

A Frase

 
Costa quer manter-se no poder e por isso aprovou uma contra-reforma laboral que vai prejudicar aqueles que diz querer defender, os trabalhadores. Assim, venham eleições antecipadas.     (António Costa, ECO)