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sábado, 13 de abril de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Na política partidária, raramente nos dizem a verdade, a verdade é racional e frequentemente impopular, talvez por essa razão o Partido Socialista tenha sido rei e senhor em Portugal enquanto ludibriava os seus eleitores com “ofertas” generosas cheias de boas intenções. Exercícios de malabarismo, retirarem dinheiro do bolso do contribuinte através do aumento de impostos indirectos, enquanto mantinham impostos directos e alegar que não houve aumento de impostos. Por outro lado, subsídios e “bondade “,eram espalhados e promoviam a propaganda do Partido Socialista.  (...)

Na grande preferência temporal dos políticos não há em geral problema em tomar medidas que aumentem os gastos e a dívida sem considerar as consequências a longo prazo. Porquê? O problema é do próximo, e quando chegarmos ao próximo a culpa foi do anterior.

Em política partidária, todos jogam Xadrez, quem não joga, tende a ser expurgado pela pureza das suas intenções, torna-se particularmente verdade se olharmos para os políticos que admirámos e que decidiram sair deste meio. O que lhes aconteceu? Como foram tratados?

Na política partidária todos jogam xadrez, o objectivo? O xeque-mate. Os peões?

(Claudia Nunes, OBSR)

A Frase (84)

Será que os deputados têm tempo, sabedoria, capacidade e meios de ler e estudar 184 páginas de medidas? Não! Definitivamente, não. (António Barreto, Público)

Já sabíamos. Há muito que sabemos que a democracia portuguesa é antiparlamentar. O que acaba, aliás, por se reflectir na qualidade e no recrutamento da Assembleia da República. Com excepção de algumas formas jurídicas indispensáveis, a função política do Parlamento, o seu papel nas negociações e nas decisões, o seu valor como instituição de debate e esclarecimento e a sua ligação aos cidadãos são menores, por vezes ridículos e praticamente inúteis. As regras constitucionais e legais são tais que o debate sobre um novo governo e seu programa mais se parece com uma grande operação de fingimento. Já sabíamos isso tudo. Mas é sempre surpreendente. 

Permanência Da Poesia


Quando a luz desaparecer de todo,
Mergulharei em mim mesmo e te procurarei lá dentro.

A beleza é eterna.
A poesia é eterna.
A liberdade é eterna.
Elas subsistem, apesar de tudo.

É inútil assassinar crianças. É inútil atirar aos cães os que,
de repente, se rebelam e erguem a cabeça olímpica.
A beleza é eterna. A Poesia é eterna. A liberdade é eterna.
Podem exilar a poesia: exilada, ainda será mais límpida.

As horas passam, os homens caem,
A poesia fica.

Aproxima-te e escuta.
Há uma voz na noite!

Olha:
É uma luz na noite!

(Emílio Moura)

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde


A Frase (83)

O recurso aos centros de arbitragem é uma clara alternativa aos tribunais judiciais, onde os cidadãos e as empresas encontram uma forma mais célere, menos onerosa e com um grau de satisfação substancialmente mais elevado, comparativamente ao que encontram nos tribunais judiciais. (Carlos Carvalho Cardoso, Sol )

Tanto a mediação como a conciliação são métodos autocompositivos de resolução de conflitos, em contraposição com os métodos heterocompositivos praticados nos tribunais estaduais. No primeiro, as partes resolvem o seu conflito entre elas, com soluções por si encontradas, ainda que auxiliadas por um terceiro. No segundo, elas recorrem a um terceiro, para que resolva o seu conflito, como acontece nos tribunais estaduais, em que o juiz profere uma sentença adjudicatória e impositiva. (saiba mais aqui

A Frescura De Impressões, O Modo Directo De Sentir ...


A frescura de impressões, o modo directo de sentir que aprendi nos seus versos, apliquei-o a outros assuntos, a uma Natureza de ordem diversa. Assim, reparei que uma máquina é tão natural — porque é tão real, e, afinal, ser natural é ser real, se formos a pensar a fundo — como uma árvore; e uma cidade como uma aldeia. 

O que é essencial é sentir directamente e com ingenuidade as coisas — árvores ou máquinas, campo ou cidade. A minha sensibilidade predispõe-me a sentir a máquina mais do que a árvore, a cidade mais do que o campo. Não deixo por isso de ter direito ao nome de poeta. 

O essencial é sentir directa e simplesmente. Eu sinto directa e simplesmente. Sinto o complexo, o anormal e o artificial? É o meu modo de sentir. Logo que eu os sinta espontaneamente, estou no meu lugar, no lugar que a Natureza, criando-me assim, me impôs. Cumpro o meu dever. Chamam-me um «transviado». Não o sou. [...] e não transviado de mim próprio senão transviado [...]. Nasci para sentir as coisas simplesmente, tanto como vós; mas não nasci, como vós, para sentir só as coisas simples. 

Se eu sou eu e não vós, para que hei-de escrever como escreveis? Escrevo como [...] em mim é eu ser eu. Em que sou eu «transviado» em ser eu?

Para mim o único modo de transviar é criar um sistema, ou pertencer a um sistema. Há horas do dia em que sou materialista e outras em que sou ultramontano, completamente ultramontano. É conforme sinto. Acho isso natural.

Se, como a grande maioria dos poetas, eu seguisse um caminho trilhado, se eu fosse panteísta, espiritualista, protestante, católico (...), qualquer coisa que se saiba o que é e se pode definir, eu mereceria o nome de transviado. Porque ninguém nasce pertencendo a um sistema ou a uma filosofia, nasce pertencendo a um cérebro e a um sistema nervoso, e estes têm um modo de sentir e não uma religião, ou uma estética, ou uma moral qualquer.

Poemas Completos de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.)

quinta-feira, 11 de abril de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (82)

Se há mandato claro para este governo, é o de mudar a trajetória seguida pelo PS. Perder 500 mil votos e maioria absoluta em 2 anos diz claramente que os portugueses buscam algo distinto do que tinham. (António Pais Vieira, OBSR)
 
Quando tantos se dedicam à tática política e outras manhosices que aprenderam durante décadas nas jotas e nos gabinetes de nomeação que compõe quase exclusivamente os seus curricula vitae, o que eu proporia a Montenegro é que ignore o ruído e se dedique exclusivamente a mudar o que se propôs a mudar. Que abra os braços a quem o quiser acompanhar neste trajeto e deixe os restantes a dedicarem-se aos seus incansáveis ardis.

Ausência ...


Haverei de levantar a vasta vida
que ainda agora é teu espelho:
cada manhã haverei de reconstruí-la.
Desde que partiste
quantos lugares se tem tornado vãos
e sem sentido, iguais
às luzes no dia.
Tardes que foram nicho de tua imagem,
músicas em que sempre me aguardavas,
palavras daquele tempo,
eu terei que quebrá-las com minhas mãos.
Em que cavidade esconderei minha alma
para que não veja tua ausência
que como um sol terrível, sem ocaso,
brilha definitiva e sem piedade?
Tua ausência me rodeia
como a corda à garganta
o mar ao que se quebra.

(José Luís Borges)