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domingo, 20 de julho de 2025

Autorreflexão

Não pode ser senhor de si quem antes não se compreende bem. Há espelhos para o rosto, mas não para a alma; uma autorreflexão sensata há de ser esse espelho.

(Baltasar Gracián y Morales)

sábado, 19 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

O Que O "O Eng" Sócrates Significou E Significa Para O País

As trapalhadas do “eng.” Sócrates permitem, e inspiram, inúmeras graçolas. O que o “eng.” Sócrates significou e significa para o país não tem graça. Durante uma eternidade, ele mandou em nós, não por decreto divino ou golpe de Estado, e sim por livre escolha dos eleitores, que o quiseram a liderar o governo. E quiseram-no em duas ocasiões, uma com o maior triunfo da história do PS e a outra em 2009, quando o “caso” Freeport alimentava há meses razoáveis desconfianças acerca da rectidão do “animal feroz”. (Alberto Gonçalves, OBSR)

É lícito, e aconselhável, lembrar que o “eng.” Sócrates era peça talvez central de uma rede em que se penduravam políticos, advogados, banqueiros, construtores, empresários e compinchas em geral. Seria igualmente interessante não esquecer que, no governo, no parlamento e no partido, centenas e centenas de indivíduos e indivíduas lhe serviram a mitomania e o resto bem para lá das suspeitas e das evidências. Essas alminhas, que tarde e a péssimas horas tentaram esboçar pureza, não tiveram de ser cúmplices nos imbróglios que a Justiça investiga para serem cúmplices do desastre ético, psiquiátrico e económico então em curso. Nem uma alminha se demitiu a protestar o desastre.

Em suma, impressiona e assusta a facilidade com que o eng. Sócrates aldrabou os portugueses. Melhor (ou pior): é terrível a facilidade com que os portugueses se deixaram aldrabar, aliás uma tradição antiga e que não morreu.

A Flor De Lótus


No dia em que a flor de lótus desabrochou
A minha mente vagava, e eu não a percebi.
Minha cesta estava vazia e a flor ficou esquecida.
Somente agora e novamente, uma tristeza caiu sobre mim.
Acordei do meu sonho sentindo o doce rastro
De um perfume no vento sul.
Essa vaga doçura fez o meu coração doer de saudade.
Pareceu-me ser o sopro ardente no verão,
procurando completar-se.
Eu não sabia então que a flor estava tão perto de mim
Que ela era minha, e que essa perfeita doçura
Tinha desabrochado no fundo do meu coração.

(Rabindranath Tagore)

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

O Debate Político

O PS procura reduzir o debate político à questão do entendimento com o Chega. É a sua maneira de não reconhecer a grande viragem no país e o falhanço e rejeição das políticas de esquerda. (Rui Ramos, OBSR)

De gravata preta pela democracia, anunciou solenemente que o governo está “nas mãos do Chega”. Mas onde quer José Luís Carneiro chegar? O governo, sozinho, não tem votos na Assembleia da República para aprovar leis contra a vontade das oposições. Precisa de se colocar nas mãos de alguém, para usar o pitoresco vocabulário de Carneiro. 

A questão é esta: em que mãos devia colocar-se, quando se trata de inverter o que os governos socialistas fizeram, e de fazer aquilo de que o PS discorda? Está o PS disponível para reconhecer que os seus governos seguiram políticas fiscais e migratórias erradas, e ajudar a inverter essas políticas? Se não está, com quem quer que o governo se entenda?

A ausência de humildade democrática, e uma manifesta incapacidade para aprender com as derrotas, são acompanhadas por um desconhecimento absoluto da realidade. O PCP e o Bloco deixaram de falar para a maioria dos portugueses. Falam apenas para os seus camaradas e procuram “ganhar” o debate na televisão. Mas desistiram de tentar compreender os portugueses.  (João Marques de Almeida, OBSR)

Esta semana assisti a dois debates, um do João Ferreira com um deputado do Chega, e o outro da Joana Mortágua com um deputado da IL. Foi impressionante ver a arrogância política com que falam depois dos seus partidos terem sofridos derrotas eleitorais humilhantes em Maio (há dois meses). João Ferreira e Joana Mortágua falam como se estivessem absolutamente certos e representassem a maioria dos portugueses. Falam ainda como se a “direita” tivesse ocupado o poder ilegalmente. Não entendo por que razão os seus interlocutores não lhes disseram simplesmente o seguinte: “Se acham que estão certos, por que razão a maioria dos eleitores portugueses nunca confia em vocês, e por que razão sofreram as piores derrotas eleitorais há dois meses? Será que a maioria dos portugueses está errada e vocês é que estão certos?”

Mas não foi necessário colocar essas questões para perceber o profundo autismo político em que vivem o PCP e o Bloco. João Ferreira e Joana Mortágua não mostraram o mínimo de humildade democrática. É o que se espera quando se sofre uma enorme derrota eleitoral. Mas não, o PCP e o Bloco é que sabem o que é melhor para os portugueses nas políticas de imigração, de habitação e de saúde. Eles sabem tudo, os portugueses é que não entendem nada do que eles dizem.

A ausência de humildade democrática, e uma manifesta incapacidade para aprender com as derrotas, são acompanhadas por um desconhecimento absoluto da realidade. O PCP e o Bloco deixaram de falar para a maioria dos portugueses. Falam apenas para os seus camaradas e procuram “ganhar” o debate na televisão. Mas desistiram de tentar compreender os portugueses.

Fora do Debate, Para Já: Estado condenado a devolver 200 milhões que os bancos pagaram com lei de Centeno. Adicional de Solidariedade criado por Mário Centeno em 2020 foi considerado inconstitucional. Estado terá de pagar juros à taxa de 4%.  (Filipe Alves, DN)

A Um Gato


 Os espelhos não são mais silenciosos,
nem mais furtiva a aurora aventureira:
eras, à luz da lua, essa pantera
que ao longe divisamos, temerosos.
Por obra indecifrável de um decreto
divino, te buscamos baldamente;
mais remoto que o Ganges ou o poente,
a solidão é tua, e o mais secreto.
Teu lombo condescende à vagarosa
carícia de uma mão. Tens admitido,
desde essa eternidade que é já olvido,
o amor de minha mão tão receosa.
Em outro tempo estás: és dom, suponho,
de um âmbito cerrado como um sonho.

Jorge Luis Borges (1899-1986)

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

Em muitas capitais europeias responsáveis políticos preferiram fechar os olhos e recitar platitudes multiculturalistas enquanto cresciam, nas franjas das suas cidades, bolsas de miséria e intolerância.    (Ana Miguel Pedro, OBSR)

Ucrânia: a guerra que não podemos perder - Perder não seria só perder a Ucrânia. Seria perder a nossa autoridade e integridade, até a capacidade de resistir quando formos os próximos. Porque se a nomenklatura chequista vencer, haverá próximos.   (José António Rodrigues dos Santos, OBSR)

O controle das rendas habitacionais, uma falsa solução - A experiência portuguesa mostra bem como o controle das rendas é um mecanismo de destruição de valor.       (Luís Boavida - Portugal, OBSR)

Américo Aguiar é um cidadão como qualquer outro, não estando limitado na sua intervenção cívica. Numa sociedade livre e plural, tem todo o direito de partilhar as suas perspetivas sobre os temas de interesse coletivo. No entanto, a sua posição particular impõe considerações adicionais. Américo Aguiar não é um cidadão qualquer. Se tudo lhe é permitido, nem tudo lhe convém. É o bispo de Setúbal. É cardeal da Igreja Católica. Quando fala em público, não se representa apenas a si mesmo, mas também à hierarquia da Igreja e, em certa medida, aos católicos da sua diocese     (Filipe Alves, DN) 

Cicatriz Emocional


As nossas emoções são fortes energias que podem deixar, nas nossas almas, cicatrizes que devem ser lembradas como somente um, ou uns momentos de nosso passado – dolorido, mas que passou – e que, hoje, nada mais são que aprendizagens, energias que foram canalizadas para nos estruturar mais em caráter, inteligência e compassividade; portanto, nos tornaram mais fortes, melhores do que éramos.

Após a recuperação de uma lesão emocional, só restará a marca do evento sofrido; esta será a cicatriz em nossa alma.

A alma forma-se pelo conjunto de experiências que vamos adquirindo no decorrer da vida e, conforme a nossa capacidade intelectual, elas serão somente uma marca e uma lição aprendida, concluída como novo ensinamento e fortalecimento em nossas vidas.

Nem sempre as pessoas deixam que o “machucado emocional” – a dor de um desafeto, de um luto, de qualquer perda ou mudança em nossas vidas – se cure, vire cicatriz, apenas uma marca. (...)

Algumas pessoas voltam continuamente ao momento em que sofreram um grande machucado na sua alma e, aí, estimulam a ferida com lembranças, revivendo os momentos sofridos, não deixando que a ferida se cure, que vire uma cicatriz.     

Decidir-se por ser feliz é curar a ferida olhando e vivendo o presente e o futuro de maneira saudável e madura, sabendo que a vida não será sempre igual todos os dias – e nem nós, nem os outros. Cada um, com sua beleza e tristeza de ser o que é, luta para ser feliz. Alguns são éticos e morais, outros não.

Mas nós podemos escolher o que queremos ser e como queremos viver. Não podemos escolher pelo outro, e nem ele por nós.

(Elaine de Oliveira Sanches)