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quarta-feira, 20 de agosto de 2025

A Frase (191)

Quando o Estado decide, mas não explica - O tom importa. Transparência não é propaganda e empatia não é submissão à opinião pública. Quando a comunicação pública falha, o debate torna-se refém de especulação e polarização.    (Catarina Travassos, ECO)

A ausência de comunicação pública clara fragiliza a compreensão das medidas, alimenta interpretações divergentes e reduz a eficácia das políticas. A comunicação pública é parte integrante da democracia, é o instrumento através do qual o Estado explica as decisões que toma e as políticas que aplica. Não serve para criar consensos, mas para garantir que todos compreendem o que molda as suas vidas e assim possam agir de forma informada. É um serviço ao cidadão. E em Portugal, continua a ser tratada como um acessório, quando deveria ser um eixo central do processo político.

Dia


De que céu caído,
oh insólito,
imóvel solitário na onda do tempo?
És a duração,
o tempo que amadurece
num instante enorme, diáfano:
flecha no ar,
branco embelezado
e espaço já sem memória de flecha.
Dia feito de tempo e de vazio:
desabitas-me, apagas
meu nome e o que sou,
enchendo-me de ti: luz, nada.

E flutuo, já sem mim, pura existência.

(Octavio Paz)

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Fragilidade Da Europa

A Europa revela a fragilidade de quem tem a força potencial, mas não a vontade de a exercer. O império subsistia, mas era a Guarda Pretoriana que tantas vezes decidia a ordem; a União Europeia (UE) subsiste, mas continua sem conseguir transformar o seu poder em autoridade.

Foi com essa imagem em mente que se pode olhar ontem para a visita a Washington de Volodymyr Zelensky, acompanhado por uma corte de líderes europeus. Ao estilo de uma guarda pretoriana tardia, a comitiva foi tentar conferir peso político e escudo simbólico à Ucrânia naquilo que poderá ser o mais arriscado e mais ambíguo capítulo da guerra: a negociação de uma paz que ameaça ser mais ditada do que construída.

Donald Trump e Vladimir Putin voltaram a encontrar-se, e o epicentro da diplomacia global transfere-se de Kiev ou de Bruxelas para o Salão Oval de Washington, onde a Europa, mais uma vez, se senta numa cadeira lateral, ansiosa por ser ouvida mas consciente de que a decisão se joga sobretudo a duas mãos.

O reencontro de Trump e Putin serve de palco para uma inversão narrativa: o Ocidente, que durante dois anos prometeu firmeza e unidade, entra agora num ciclo de fadiga estratégica. A paz na Ucrânia discute-se em moldes que parecem mais favoráveis ao Kremlin do que a Kiev. E a Europa, que deveria ser protagonista, apresenta-se como figurante de luxo — tal como a velha guarda pretoriana, emprestando presença e solenidade, mas sem deter o fio condutor da decisão.

A fragilidade política europeia ajuda a explicar esta posição secundária, mas não é apenas de fragilidade que se trata: é também da incapacidade histórica de a União ser proactiva, de nunca ter apresentado uma proposta própria de cessar-fogo na Ucrânia, de nunca ter ousado enfrentar os Estados Unidos – nem na questão das tarifas, nem na exigência orçamental da NATO. (...)

(Miguel Baumgartner, J Económico)

A Frase (190)

A inteligência artificial está a aumentar a produtividade e a acelerar o nosso ritmo, mas será à custa da nossa capacidade de pensar? A inteligência artificial (IA) chegou para ficar. Integra-se de forma subtil, contudo cada vez mais invasiva no nosso quotidiano, ocupando papéis que antes estavam reservados exclusivamente à mente humana. Automatiza, acelera, recomenda, organiza. E, aos poucos, passamos de utilizadores a dependentes.   (Jorge Esparteiro Garcia, OBSR)

No entanto, nem tudo é progresso. A par da inovação tecnológica, cresce um fenómeno silencioso: a erosão das nossas capacidades humanas. A inteligência artificial, ao assumir tarefas do nosso dia-a-dia, traz consigo um custo que raramente é discutido, a perda gradual da nossa autonomia cognitiva.

A Essência Da Vida


 A essência da vida é o amor e a compensação – momentos de felicidade.
Resultando saúde e de quebra a imortalidade. Somos eternos em um espaço de tempo
que programamos, nos anos que inventamos, em todas horas que começamos de novo.
A simplicidade torna-nos grandes.

(Jade da Rocha)

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

A Frase (189)

Ardemos porque não aprendemos nem cumprimos - Temos o maior dispositivo de sempre – 14.155 operacionais, 3.162 viaturas e 72 meios aéreos. Nunca se investiu tanto em prevenção, em vigilância, em tecnologia. Mas, apesar de tudo, continuamos a ver aldeias cercadas por mato, reacendimentos não combatidos a tempo, populações que sentem abandono e autarcas que denunciam descoordenação. Continuamos a repetir erros conhecidos.

Em 2024, por exemplo, várias medidas de gestão de combustível e de reorganização da paisagem ficaram aquém das metas, o que significa que parte do “plano de batalha” não foi executado a tempo.

Esta discrepância entre planeado e realizado continua a ser um dos calcanhares de Aquiles do sistema: investe-se mais, planeia-se melhor, mas nem sempre se cumpre no terreno. planeamento antecipado, capacidade de mobilização, treino especializado, disciplina no terreno e avaliação permanente.   (Valentina Marcelino, DN)

Boa Noite !


Nos dias difíceis, podemos sempre agradecer aos fáceis. Essa mistura de dias bons e dias maus 
é uma forma de crescermos, de valorizarmos a vida, de aprendermos a lidar com o mundo. 
Todos os dias que passaram foram responsáveis pelo que somos hoje. 
Todos foram importantes. Que a noite de hoje seja serena e que 
amanhã venha um novo dia! Boa noite.

domingo, 17 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Descoberta A Faísca Que Desencadeia Ondas De Calor Marinhas No Mediterrâneo

Górgonas-púrpuras, animais primos dos corais, que são afectados
pelas ondas de calor no Mediterrâneo 
Dugornay Olivier/IFREMER
 
O trabalho de cientistas italianos pode permitir desenvolver um sistema de alerta precoce destes fenómenos, que têm um severo impacto sobre a vida marinha.

Descoberta a faísca que desencadeia ondas de calor marinhas no Mediterrâneo
Intrusões de ar quente na Europa proveniente do continente africano têm um impacto muito maior do que o aumento da temperatura do ar. Desencadeiam também ondas de calor marinhas no Mediterrâneo, cuja frequência, duração e intensidade estão a aumentar, nas últimas duas décadas.

Descoberta a faísca que desencadeia ondas de calor marinhas no Mediterrâneo
Um novo estudo, conduzido por cientistas ligados ao Centro Euromediterrânico para as Alterações Climáticas (em Itália), e publicado esta semana na revista científica Nature Geoscience, analisou centenas de episódios de ondas de calor marinhas no mar Mediterrâneo, usando dados de satélite. Concluiu que na sua origem estão sistemas de alta pressão atmosférica semipermanentes, a que se dá o nome de cristas subtropicais

Estas cristas subtropicais formam-se frequentemente sobre o oceano, perto dos 30 graus de latitude (Portugal está nos 39 graus, virado para o Atlântico, mas ainda sob influência do clima mediterrânico), em ambos os hemisférios. Influenciam a dinâmica da circulação atmosférica e do clima regional, contribuindo para a formação de padrões climáticos como o El Niño, no Pacífico.

Descoberta a faísca que desencadeia ondas de calor marinhas no Mediterrâneo
O que os cientistas agora concluíram é que estas cristas subtropicais – também conhecidas como anticiclones africanos - fazem mais do que pôr a temperatura do ar a subir. A sua persistência cria as condições para a formação de ondas de calor marinhas. Podem ser vistas como a faísca para a subida da temperatura das águas, que pode causar grande mortalidade entre os seres vivos.

O trabalho da equipa permite pensar que será possível desenvolver sistemas de alerta precoce para ondas de calor no Mediterrâneo, e também estratégias para reduzir o seu impacto sobre a vida marinha e a economia.

Fonte: Clara Barata , Público