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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Comunidades De Discurso De Ódio E De Transtornos Psiquiátricos Têm Os Mesmos Padrões De Linguagem


Os investigadores encontraram uma forte associação entre as postagens em comunidades de discurso de ódio e os padrões de postagens em comunidades reunindo pacientes de certos transtornos psiquiátricos.

Pesquisas anteriores já revelaram associações entre certos traços de personalidade e o ato de publicar discurso de ódio ou desinformação online. No entanto, Andrew Alexander e Hongbin Wang, da Universidade A&M do Texas (EUA) queriam saber se existe alguma associação entre o bem-estar psicológico e o discurso de ódio ou a desinformação online.

Para isso, usaram ferramentas de inteligência artificial para analisar postagens de 54 comunidades da rede social Reddit relevantes para discurso de ódio e desinformação, de um lado, e transtornos psiquiátricos de outro. Para uma comparação neutra, eles usaram outras comunidades sem qualquer conexão com essas categorias.

As associações entre desinformação e transtornos psiquiátricos foram menos claras, mas com algumas conexões com transtornos de ansiedade.

Os dois investigadores de fato sugerem que suas descobertas podem ajudar a fundamentar novas estratégias para combater o discurso de ódio e a desinformação online, como tratá-los com elementos de terapia desenvolvidos para transtornos psiquiátricos.

"Os nossos resultados mostram que os padrões de fala daqueles que participam de discursos de ódio online têm fortes semelhanças subjacentes com aqueles que participam de comunidades para indivíduos com certos transtornos psiquiátricos. 

Os principais entre eles são Transtorno de Personalidade Narcisista, Transtorno de Personalidade Antissocial e Transtorno de Personalidade Limítrofe. Esses transtornos são geralmente conhecidos pela falta de empatia/consideração pelo bem-estar dos outros ou por dificuldades em lidar com a raiva e se relacionar com os outros," escreveram os autores.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Topological data mapping of online hate speech, misinformation, and general mental health
Autores: Andrew William Alexander, Hongbin Wang
Publicação: PLOS Digital Health
DOI: 10.1371/journal.pdig.0000935, (via DS)

Nocturno

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento -
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração, que tumultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando, entre visões, o eterno Bem;

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre do Ideal que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém.

(Antero de Quental)

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (191)

Quando o Estado decide, mas não explica - O tom importa. Transparência não é propaganda e empatia não é submissão à opinião pública. Quando a comunicação pública falha, o debate torna-se refém de especulação e polarização.    (Catarina Travassos, ECO)

A ausência de comunicação pública clara fragiliza a compreensão das medidas, alimenta interpretações divergentes e reduz a eficácia das políticas. A comunicação pública é parte integrante da democracia, é o instrumento através do qual o Estado explica as decisões que toma e as políticas que aplica. Não serve para criar consensos, mas para garantir que todos compreendem o que molda as suas vidas e assim possam agir de forma informada. É um serviço ao cidadão. E em Portugal, continua a ser tratada como um acessório, quando deveria ser um eixo central do processo político.

Dia


De que céu caído,
oh insólito,
imóvel solitário na onda do tempo?
És a duração,
o tempo que amadurece
num instante enorme, diáfano:
flecha no ar,
branco embelezado
e espaço já sem memória de flecha.
Dia feito de tempo e de vazio:
desabitas-me, apagas
meu nome e o que sou,
enchendo-me de ti: luz, nada.

E flutuo, já sem mim, pura existência.

(Octavio Paz)

terça-feira, 19 de agosto de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Fragilidade Da Europa

A Europa revela a fragilidade de quem tem a força potencial, mas não a vontade de a exercer. O império subsistia, mas era a Guarda Pretoriana que tantas vezes decidia a ordem; a União Europeia (UE) subsiste, mas continua sem conseguir transformar o seu poder em autoridade.

Foi com essa imagem em mente que se pode olhar ontem para a visita a Washington de Volodymyr Zelensky, acompanhado por uma corte de líderes europeus. Ao estilo de uma guarda pretoriana tardia, a comitiva foi tentar conferir peso político e escudo simbólico à Ucrânia naquilo que poderá ser o mais arriscado e mais ambíguo capítulo da guerra: a negociação de uma paz que ameaça ser mais ditada do que construída.

Donald Trump e Vladimir Putin voltaram a encontrar-se, e o epicentro da diplomacia global transfere-se de Kiev ou de Bruxelas para o Salão Oval de Washington, onde a Europa, mais uma vez, se senta numa cadeira lateral, ansiosa por ser ouvida mas consciente de que a decisão se joga sobretudo a duas mãos.

O reencontro de Trump e Putin serve de palco para uma inversão narrativa: o Ocidente, que durante dois anos prometeu firmeza e unidade, entra agora num ciclo de fadiga estratégica. A paz na Ucrânia discute-se em moldes que parecem mais favoráveis ao Kremlin do que a Kiev. E a Europa, que deveria ser protagonista, apresenta-se como figurante de luxo — tal como a velha guarda pretoriana, emprestando presença e solenidade, mas sem deter o fio condutor da decisão.

A fragilidade política europeia ajuda a explicar esta posição secundária, mas não é apenas de fragilidade que se trata: é também da incapacidade histórica de a União ser proactiva, de nunca ter apresentado uma proposta própria de cessar-fogo na Ucrânia, de nunca ter ousado enfrentar os Estados Unidos – nem na questão das tarifas, nem na exigência orçamental da NATO. (...)

(Miguel Baumgartner, J Económico)

A Frase (190)

A inteligência artificial está a aumentar a produtividade e a acelerar o nosso ritmo, mas será à custa da nossa capacidade de pensar? A inteligência artificial (IA) chegou para ficar. Integra-se de forma subtil, contudo cada vez mais invasiva no nosso quotidiano, ocupando papéis que antes estavam reservados exclusivamente à mente humana. Automatiza, acelera, recomenda, organiza. E, aos poucos, passamos de utilizadores a dependentes.   (Jorge Esparteiro Garcia, OBSR)

No entanto, nem tudo é progresso. A par da inovação tecnológica, cresce um fenómeno silencioso: a erosão das nossas capacidades humanas. A inteligência artificial, ao assumir tarefas do nosso dia-a-dia, traz consigo um custo que raramente é discutido, a perda gradual da nossa autonomia cognitiva.

A Essência Da Vida


 A essência da vida é o amor e a compensação – momentos de felicidade.
Resultando saúde e de quebra a imortalidade. Somos eternos em um espaço de tempo
que programamos, nos anos que inventamos, em todas horas que começamos de novo.
A simplicidade torna-nos grandes.

(Jade da Rocha)