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domingo, 17 de novembro de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

Será Portugal, Serão Os Países Europeus E Será A Europa Capazes De Evitar O Fanatismo Dos Defensores Da Imigração E A Intolerância Dos Inimigos Dos Imigrantes?

Seja pelo que a imigração, em certas condições, pode trazer consigo. Seja pelas reacções de tantos europeus contra a imigração. Nenhum país europeu tem actualmente uma política mais ou menos consensual (pelo menos clara, durável e maioritária) relativamente à imigração, nem os países europeus se conseguem entender entre si para uma política comum. A imigração é um dos grandes factores de divisão nacional e da Europa.

A imigração em Portugal tem sido objecto de debates esporádicos, mas de conclusões erráticas, geralmente dominadas pelas questões políticas e europeias. Verdade é que Portugal não se pode orgulhar de ter uma política de imigração conhecida e estável. Navega ao sabor das primeiras páginas e das emoções das fotografias publicadas.

Há hoje, como revelam o Eurostat, o INE e o El Pais, suficiente evidência dos efeitos positivos da imigração para os países de acolhimento. A renovação demográfica contribui para o rejuvenescimento da população. A variedade da mestiçagem é um elemento positivo para a abertura das sociedades. A imigração está directamente ligada ao desenvolvimento social e económico e contribui para o aumento da produção, do rendimento e do crescimento, assim como para o reforço da segurança social.

Há estatísticas suficientes em toda a Europa que mostram como os imigrantes, em geral, deram um enorme contributo para o crescimento económico. Sem eles, muitos dos países europeus teriam crescido, desde os anos 1980, menos 20% a 30% do que realmente cresceram.

Há também, para os países de acolhimento, sinais de efeitos negativos da imigração. Agrava o descontrolo dos movimentos de população. Está muito ligada ao tráfico de mão-de-obra. Permite com frequência uma excessiva exploração salarial e laboral. Provoca reacções de recusa, assim como estimula o preconceito e o racismo de ambos os lados. É fonte de conflitos étnicos e religiosos. Favorece a coexistência conflituosa de dois ordenamentos jurídicos ou de duas legalidades rivais. Permite facilmente a criação de verdadeiros guetos. Encoraja o confronto violento de costumes contraditórios.

Tudo leva a crer que, para evitar problemas graves, seja necessário controlar, tanto quanto possível, os fluxos migratórios; estabelecer quotas indicativas de imigrantes, segundo as origens e as profissões; ser extremamente firme na repressão à imigração ilegal e só tolerar a legal; castigar severamente todas as redes de tráfico de trabalhadores; reduzir à verdade a noção de refugiado político.

Parece impor-se a recusa da política de portas abertas, receita para enormes desastres políticos, como se vê em vários países europeus. Assim como a recusa da política da fortaleza fechada, prejudicial para a demografia, a economia, a cultura e os valores da liberdade.

Será Portugal, serão os países europeus e será a Europa capazes de evitar o fanatismo dos defensores da imigração e a intolerância dos inimigos dos imigrantes? Verdade é que já há no mundo democracias ameaçadas ou suspensas nas quais a questão das migrações é central. Não faltam a violência e os muros. Não é só entre os Estados Unidos e o México, entre Israel e a Cisjordânia, entre a Hungria e a Sérvia ou entre a Macedónia e a Grécia. É também na Polónia, na França, na Itália, na Turquia, na Rússia, no Brasil ou na Colômbia. Se não nos adiantamos, chegará também, um dia, a nossa vez!

Grande Angular - ImigrantesPúblico, 17.11.2019, via Jacarandá (excertos)

Sobre O Primeiro Debate Quinzenal

O que fica do primeiro debate quinzenal é que, para já, continua a “geringonça” sem ser “geringonça”.

David Pontes, Público

As três novas forças partidárias [concentrou] grande curiosidade no arranque da legislatura e em particular no primeiro dos debates quinzenais.

O outro motivo de curiosidade era o de perceber o tom e o conteúdo de Rui Rio na dupla faceta de líder de oposição e novamente candidato à liderança do PSD. Tal como já o tinha feito na discussão do programa de governo o tom foi vivo e directo, mas, na substância, não conseguiu marcar pontos no salário mínimo e continuou a perseguir o último tema mediático, o dos chumbos, que até pode ser diferenciador, mas revelou pouca capacidade para surpreender e deu voz a uma visão redutora da questão.

E o que fica do primeiro debate quinzenal é que, para já, continua a “geringonça” sem ser “geringonça”. António Costa soube escolher um tema de conforto, “políticas de rendimento”, e os partidos à esquerda com que tem estabelecido entendimentos parlamentares exibiram o habitual tom crítico, mas sem sair da coreografia que vimos na anterior legislatura.

Tu À Noite Havias De Escutar


Tu à noite havias de escutar
A trovoada e o ar ambulante.
Tu nessa margem hás-de virar
Para onde estão as intempéries dominantes.

Toda essa honrada esperança
Ruirá na ardósia,
E destroçará o inverno
Que vocifera a teus pés.

Se bem que ardam os altares apaixonantes,
E que o sol deliberado
Faça ladrar a águia,
Tu avançarás na corda bamba.

Harold Pinter

sábado, 16 de novembro de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>Jerónimo critica Governo por preferir a "ditadura do défice" à resposta aos problemas do país

Esta É A Frase

O Mundo está a mudar e as soluções do futuro confundem-se com uma espécie de nostalgia futurista. É como o anúncio dos primeiros dias do último milénio, uma atmosfera onde todos os sonhos perderam o brilho fulgurante do technicolor. Sobra apenas a mutilação das cores na manipulação monótona da Ideologia.

Carlos Marques de Almeida, ECO

O Mundo está a mudar. A política entra em modo de fragmentação. A economia revisita planos derrubados pela História. Esta deriva disforme para o fragmento e para o passado são o sintoma de uma metamorfose da crise. Retomando o espírito de Elias Canneti, parece que a solução política para todas as coisas é o círculo cego sobre a deriva do Mundo, pequenas elevações na margem dos dias que permite uma pausa para a respiração de todas as ilusões. Chegar a estas elevações artificiais é o máximo esforço político da presente geração. Afinal a política não tem sentido e o futuro está no passado.

É Tempo Da Verdade ...

... Não É O Da Emoção

Debates públicos como o que sucedeu após a descoberta de um recém-nascido no lixo devem muito à emoção e pouco à razão.

A conversa esteve em todo o lado e a primeira vaga de reacções foi a do horror, a de questionar que gente era aquela que abandonara à sua sorte um ser indefeso, salvo, por ironia, por alguém que tinha tudo para ser protegido em vez de ser protector. Seguiu-se a vaga da compreensão.

resposta do Supremo Tribunal de Justiça, anteontem, e uma reportagem da SIC com os sem-abrigo que realmente tinham encontrado o recém-nascido vieram mostrar como este tipo de debates públicos deve muito à emoção e pouco à razão. Pelo caminho, sacrificam-se os mediadores e o tempo de que necessitam para tentar chegar à verdade, neste caso, a Justiça e a imprensa, mesmo que esta tenha forte tendência para se auto-imolar.

Quando um Presidente nomeia alguém, perante as câmaras, como “o nosso herói”, é bom que não o faça quando foi enganado por alguém que parece não ter tido grande papel na descoberta do recém-nascido, antes ter sabido aproveitar-se do momento. A palavra do Presidente importa e a verdade também. E para que uma e outra sejam ponderadas e consistentes, precisam de um tempo de resposta que não coincide com a vertigem das redes sociais nem com a velocidade das notícias na Internet ou nas televisões.

David Pontes, Público (excertos do Editorial

Recordações ...

Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. 
Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, 
e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, 
coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio... 
Fiódor Dostoiévski 

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Notícias Ao Fim Da Tarde

>Ministro do Ambiente afirma que processo do lítio em Montalegre é “cristalino”
>Negócios agrícolas em paisagem florestal: a estratégia do mosaico paisagístico
>Doze perguntas e pistas para não se perder no labirinto do lítio
>PSD propõe 1.30 minutos para deputados únicos e presença na conferência de líderes quando PAR solicitar
>Bruxelas pagou a Portugal quase 10 mil milhões de euros até setembro no âmbito do Portugal 2020
>Parlamento rejeita reforçar subsídio de doença para doentes crónicos e oncológicos
>'Ecocídio' é o novo pecado proposto pela Igreja Católica
>Continua o impeachment em direto nos EUA. Ex-embaixadora na Ucrânia já está a testemunhar no Congresso

>Conselho de Estado. PS indica Louçã, Domingos Abrantes e Carlos César; PSD repete Balsemão e indica Rui Rio
>Bragança fica com parte da Secretaria de Estado da Valorização do Interior
>Luís Montenegro. Se debates com o primeiro-ministro forem mensais, ficamos "sem resposta nenhuma"

O Mestre Do Ilusionismo

O PS é cada vez mais um paradoxo entre uma organização que se afirma progressista e um feudo conservador, fechado sobre si mesmo, disposto a tudo para segurar o poder e controlar o que se diz e se faz. Quer queira, quer não queira, com pessoas como Mendes ou Móra, António Costa faz o papel de guardião do Big Brother, ou, mais prosaicamente, o papel de feirante moderno que negoceia em "gadgets" já desactualizados nas novas feiras de velharias. 

António Costa é um mestre de ilusionismo - no sentido de pretender fazer passar a ilusão pela realidade. Como se tem visto desde que é primeiro-ministro, o país que ele tem na cabeça faz o que ele quer, como ele quer, quando ele quer. As atitudes destes seus dois serventuários são um reflexo da cultura política vigente sob a batuta de Costa.

Manuel Faicão, J Negócios (excertos do artigo)