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quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

Estas São As Frases

Não Há Casas, Pudera O governo congelou a atualização das rendas anteriores a 1990 e com isso deu cabo de uma das reformas mais importantes da Troika: permitir a atualização gradual daquelas rendas. Para tanto, em 2012 consagrou um período transitório findo o qual a atualização das rendas seria livre. Quem não pudesse pagar a atualização, seria ajudado pela Segurança Social. (Camilo Lourenço, J Negócios)


Temos tido alterações políticas significativas em diversos países, com alguns partidos históricos a perderem peso ou quase desaparecerem, novos partidos a ganhar muito peso, governos com ideias e abordagens “radicais” (ex, Javier Milei na Argentina), mas, creio que mais importante e grave, uma visão da realidade do mundo cada vez mais “dualista”, por vezes sustentada no incitamento ao ódio.  (Pedro Falcão, JNegócios)

As redes sociais têm hoje a capacidade de serem o “espelho” através do qual a maioria população vê o mundo. A ideia de jornalista enquanto fiscalizador do poder político está fortemente ameaçada (Jorge Fernandes, OBSR)

A crise aberta nas últimas semanas na Global Media, com uma maior expressão pública com a greve no Jornal de Notícias e o potencial despedimento colectivo na TSF, que acabaria, na prática, com o seu papel enquanto rádio de palavra, coloca novamente na agenda a saúde da comunicação em Portugal. Por arrasto, leva-nos, novamente, a questionar a saúde da democracia. Ambas estão indelevelmente ligadas. Não é possível existir uma democracia salubre e forte sem o papel de escrutínio da comunicação social.

A Loucura


“Nos indivíduos, a loucura é algo raro - mas nos grupos,
nos partidos, nos povos, nas épocas, é regra.”

(Friedrich Nietzsche)

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (268)

A democracia portuguesa é uma camada fina à flor da pele. O país real não tem relação com o país imaginário da Europa. Sempre distante da história, o país é o paraíso com o sol sem manchas, uma estátua com traços de mau gosto. A realização política é sempre inferior e a obra feita é sempre a sombra escura da obra sonhada.      (Carlos Marques de Almeida, ECO)

No país político bloqueado surge a AD. Uma velha aliança para um novo país. A direita clássica coliga-se para fazer frente ao desconhecido. A solução parece óbvia e saída do compêndio político das soluções testadas. A AD encaixa no espírito do tempo. (...)

Mas que não haja ilusões relativamente às credenciais democráticas dos partidos progressistas. 

A democracia de Abril destruiu as pontes e construiu os muros. A democracia portuguesa está transformada numa realidade formal que ainda vai poupando o país às consequências de uma guerra civil que vive nos discursos.

E onde fica o país neste estado democrático? Não fica para além de um apêndice incómodo que resiste pelo voto às soluções políticas perfeitas à esquerda e à direita. O país estagnado que empobrece, que paga impostos, que é razão de ser de um estado permanece à deriva porque ninguém é responsável por nada. O apuramento das responsabilidades políticas não existe na democracia portuguesa. O governo é um passaporte para a impunidade. (...) 

A negação da responsabilidade política divide o país entre o estado e a sociedade e divide a sociedade entre poderosos e dependentes. Para a esquerda tudo são direitos. Para a direita tudo são deveres. A“dialéctica estéril” da responsabilidade política representa o impasse de um país com poucas tradições democráticas, com um estado forte, com uma sociedade civil fraca, um país sem apólice e sem seguro.

Ah, São Coisas Da Vida


Amizade não se compra, encontra-se. 
Felicidade não se encontra, sente-se. 
Amor não se sente, vive-se.

Expectativas geram decepções. 
Lembranças geram saudades. 
Pensamentos geram sentimentos e 
O amor gera o amor.

sábado, 23 de dezembro de 2023

Notícias Ao Fim Do Dia


A Frase (267)

   Como uma enorme serpente, a Humanidade está a mudar de pele e os sinais mais visíveis desse delicado fenómeno encontram-se na perigosa metamorfose institucional dos Estados.   (Viriato Soromenho Marques, DN)
O mundo contemporâneo transformou-se num pandemónio. Quem olhar para ele numa perspetiva moral, ou procurando encaixar a complexidade do que está a acontecer à nossa vista desarmada em grelhas dicotómicas, seguramente vai enganar-se. 

O caso português é uma metonímia do longo e crepuscular declínio do projeto europeu. A cobardia coletiva revelada na recusa em avançar para uma solução constitucional de partilha federal de soberania, desaguou no atual e iníquo modelo de intergovernamentalismo, onde a influência dos grandes interesses e a conspiração de bastidores no Conselho Europeu substituiu o debate aberto e estratégico sobre o futuro. 
(...)
O orçamento nacional e a política monetária residem hoje na vigilância de Bruxelas e no exclusivo discernimento dos banqueiros centrais (como antena europeia do sistema financeiro global) em Frankfurt. A política de defesa, incluindo a sacrossanta decisão sobre a guerra ou a paz, pertence à NATO, seguindo as orientações da Casa Branca e do Pentágono. 

Ficam os restos para as capitais. Mas, como se vê em Portugal, mesmo os restos aparecem como excessivos. A Educação, a Saúde, a habitação, os transportes transformaram-se num pesadelo para o cidadão-utente e num enigma sem solução para os regentes locais que nos vão cabendo em sorte. (...)

Neblina


Estranho é caminhar na densa névoa:
Solitária está cada planta ou pedra,
Nenhum arbusto enxerga o seu vizinho,
Cada um está só.

Cheio de amigos era, para mim, o mundo
Quando luminosa ‘inda era minha vida;
Agora, que a névoa caiu,
Ninguém mais é visível.

Não é deveras um sábio
Quem não conhece a escuridão
Que, suavemente, nos separa
De tudo inexorável.

Estranho é caminhar na densa névoa:
Viver é estar solitário
Entre gente que se ignora.
Todos estamos sós!

(Hermann Hesse
Tradução de Álvaro)