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terça-feira, 16 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (162)

Apesar de eu não considerar Biden um bom candidato (...) - dada a sua idade e aparente estado mental, ele é, apesar de tudo, aquele que melhor garante a defesa da democracia liberal no mundo. Algo que assume uma importância cada vez maior nestes tempos. Trump, com o seu fascínio por “homens fortes”, e a pouca cultura em geral que tem, é por isso muito mais perigoso para o mundo do que Biden.        (Ricardo Simões Ferreira, DN)

Ainda que a tentativa de assassinato a Donald Trump, e a sua capacidade de reação - reproduzida já ad nauseum em imagens icónicas, de punho fechado no ar - seguramente lhe valeram uma onda de popularidade acrescida (e de novos fundos para a campanha), o seu rival também acaba por beneficiar com a situação.  

O atentado permitiu que Joe Biden regressasse ao seu papel de presidente dos Estados Unidos da América. E fê-lo de forma exemplar - ainda que ao seu género. O primeiro discurso na Casa Branca apelando à união dos americanos e ao fim das “teorias da conspiração”, foi dos seus melhores momentos em muitos meses. (...) 

No Reflexo Das Horas


“No reflexo das horas
como uma imagem de vidro
onde só vejo
a luz do vento
eu sei que a cor do mundo
está perdida”

(Ernesto Sampaio)

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País E, Não Só

A Procuradora Geral da República tem a imagem oposta do líder do PS. A Procuradora tem uma versatilidade que é política, quando devia ter o rigor imparcial de uma magistrada. O líder do PS tem a rigidez sectária de um sacerdote, quando devia ter a flexibilidade de um político. Esta comparação diz muito sobre o estado do país. Uma Procuradora que assume a superioridade insondável da verdade, um líder do PS que se passeia numa aventura adolescente que designa por oposição.

Nada faz sentido nos comportamentos de cada personagem pública, mas tudo faz sentido se estas posturas públicas são representativas dos tempos que vamos vivendo sem saber. Os milagres acontecem de surpresa. As catástrofes acontecem de surpresa. O que não é surpresa é a contenção corporativa do país judicial e a exuberância radical do país político.

O centro político que suporta a ordem democrática que conhecemos está em recessão pressionado à esquerda e à direita. A crítica e o ataque ao centro político desviam-se para um eixo mais perigoso e vertical – as oligarquias liberais dominantes bloqueiam o sistema para poderem continuar a usufruir de todos os privilégios de um regime decadente e corrupto. A “nação de cima” enfrenta o “país de baixo” e esta é a corrente situação em França que é também o espelho da Europa. (...)

(Tópicos do texto de Carlos Marques de Almeida, ECO)

A Frase (161)

O ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz, ao aceitar as decisões dos governos anteriores de António Costa, de usar a bitola ibérica para o futuro da ferrovia portuguesa, compromete as exportações de Portugal para a Europa e coloca os portugueses a pagaram os investimentos que a União Europeia está a suportar em Espanha e nos países do Leste Europeu. (Henrique Neto, OBSR)

Ou seja, só por masoquismo se pode justificar uma tão estranha decisão, masoquismo ou uma fé irracional nos interesses há muito defendidos pela empresa pública IP, que sempre se recusou a um debate aberto sobre as razões da decisão. 

O que implica o primeiro-ministro e o seu governo, restando-lhes agora apenas a possibilidade de nomear uma comissão independente, a exemplo do que aceitaram fazer sobre a localização do novo aeroporto. O que implica igualmente o Presidente da República, sempre pronto a falar sobre tudo, mas que está há muito calado perante uma decisão tão estranha.

Hipocrisia

 
As nossas maiores dissimulações são desenvolvidas não para esconder o que há 
de ruim e feio em nós, mas o nosso vazio.
A coisa mais difícil de esconder é aquilo que não existe.

(Eric Hoffer)

domingo, 14 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (160)

O sistema parlamentar está a ser usado indevidamente. Direi mesmo: está a ser usado abusivamente. Formam-se coligações espúrias, contranatura, não para construir mas para bloquear. A Europa está a entrar num buraco negro.
E isto reforça aquilo que venho a dizer há algum tempo: o sistema eleitoral tem de mudar. Em toda a Europa, incluindo Portugal. Há que passar de um sistema proporcional para um sistema maioritário.  (José António Saraiva, SOL)

A Nostalgia Da Europa


 Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.

Mas, a quê e a quem? Qual é o domínio onde se realizaram valores supremos susceptíveis de unir a Europa? As conquistas técnicas? O mercado? A política com o ideal de democracia, com o princípio da tolerância? Mas, essa tolerância, que já não protege nenhuma criação rica nem nenhum pensamento forte, não se tornará oca e inútil? Ou então, será que podemos entender a demissão da cultura como uma espécie de libertação à qual nos devemos abandonar com euforia? Não sei. A única coisa que julgo saber é que a cultura já cedeu o seu lugar. 

Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.

(Milan Kundera, "A Arte do Romance")