Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 12 de março de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (68)

Estamos a caminho de uma década perdida e vamos de novo para eleições, que ninguém quis, mas todos foram obrigados a aceitar.  (Helena Garrido, OBSR)

O poder está há demasiado tempo a ser um fim em si e não um meio para atingir um fim, a melhoria as condições de vida dos portugueses. Uma imprudência do primeiro-ministro não vai apenas condenar-nos a perder ainda mais tempo, depois de uma década já perdida. Pode igualmente significar uma elevação do patamar de exigência para quem quiser entrar na actividade política. Os advogados terão de se cuidar ou de desistir de entrarem na política.

Luís Montenegro cometeu depois o erro de não se ter disponibilizado a explicar tudo, o mais rapidamente possível, optando até por teorias da conspiração, e assim permitiu que o caso o fosse queimando. Até que começou a ficar sem saídas. Perante uma comissão parlamentar de inquérito do PS, que envolver a sua família e Entre Arrastar-se durante meses, contaminando as eleições autárquicas e presidenciais, ficou entre a espada e a parede. (...) O PS deixou-se enredar em dados sobre a vida do primeiro-ministro que ultrapassam o que se pode considerar como um escrutínio ao poder. (...)

E é essa cumplicidade do PS, com a divulgação de matéria que quebra a barreira do escrutínio para se aproximar da devassa da vida privada, que pode ter criado aqui o ponto de não retorno. Primeiro porque podemos agora passar a querer saber tudo sobre a família dos políticos, sobre as profissões do seu agregado familiar e sobre as suas atividades passadas. (...)

Em suma, a atenção deveria ter estado concentrada neste último ano de actividade da empresa para se perceber até que ponto o primeiro-ministro violou os seus deveres, designadamente de exclusividade e éticos. (...)

E foi com base na radicalização deste tema, nomeadamente da actividade de um ano de uma pequena empresa de serviços, que não se pode desvalorizar e merece escrutínio, que provocámos uma crise política quando o mundo está virado do avesso e tivemos eleições fez dia 10 de Março um ano.

Com as eleições congelamos mais uma vez o país. Há decisões sobre o Plano de Recuperação e Resiliência que não vão ser tomadas, há investimentos estruturantes como o novo aeroporto ou a ferrovia que se vão atrasar, há o estado da saúde que se vai degradar, há o problema da habitação que não vai beneficiar de medidas que aumentem a oferta de casas, há uma simplificação administrativa que seria tão positiva para o crescimento da economia que fica por fazer. (...)   (ler texto na íntegra)

Conformismo VS Individualismo


Alguns autores contrapõem esses dois conceitos, sugerindo que a solução para o conformismo 
seria o individualismo. No entanto, é importante destacar que ambos podem ser negativos, 
pois tendem a levar a extremos:

– Conformismo: Afasta a pessoa de sua individualidade, levando-a a aceitar tudo o que o grupo determina.

– Individualismo: Afasta a pessoa do grupo, ao enraizá-la em sua própria visão de mundo.

Em ambos os casos, a interação saudável com o grupo social é prejudicada. Uma pessoa com 
padrões sociais equilibrados precisa aprender a ceder ocasionalmente às necessidades coletivas 
do grupo quando julgar que a decisão é socialmente ou politicamente correta, mesmo que isso 
traga alguma insatisfação. Ao mesmo tempo, deve ter opiniões sólidas, com argumentos justos, 
para discordar quando acreditar que as decisões sociais ou coletivas não estão sendo eficazes.

Como seres sociais, é essencial encontrar um equilíbrio que permita interagir de forma saudável 
com os diferentes grupos em que estamos inseridos, sem que essa interação se torne 
uma reação de aversão.

( Gemma Alvarado)

terça-feira, 11 de março de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

  • A suspensão política nos próximos meses e a incerteza sobre o resultado eleitoral e a governação podem ter impactos económicos relevantes. Mas todos parecem esquecer o que está subjacente à crise.

Como diz o presidente da CIP em entrevista ao ECO, as eleições vão servir para mandar Montenegro para casa ou para lhe dar a autoridade perdida. “Creio que [o primeiro-ministro] foi temerário, mas creio que a sua integridade enquanto gestor da coisa pública não está em causa.  

Dito de outra maneira, se cometeu algum ato de corrupção, de peculato, objetivamente não temos dados neste momento que nos permitam dizer que cometeu… Então, se não cometeu, a alternativa não é um ‘nim’, é sim ou não. Cometeu algum ilícito ou não cometeu. Se cometeu, é uma conclusão, se não cometeu, [é] outra, mas pode vir a cometer. Bom, então já entramos dentro de uma esfera que é a política”. É isto.

No primeiro ano em funções, o Governo merecia um 65% (em 100%). Áreas a correrem particularmente bem, uma, especificamente, particularmente mal, e outras ainda à procura do seu caminho. Vinha aí uma remodelação por causa das autárquicas, por exemplo, o ministro Pedro Duarte a caminho das eleições para o Porto, e a oportunidade de um segundo fôlego a olhar para legislativas a seguir às presidências, lá para meados de 2026. Hoje, Montenegro merece um 35%.

Os portugueses, em eleições, vão dar-lhe quanto?   (excertos do texto de António Costa, ECO)
  • Todas as dúvidas e inquietações que surgem quando um primeiro-ministro fica sob suspeita deviam ter resposta célere, além do combate político que está sempre subjugado a um viés que é o calendário eleitoral. A resposta sobre se Luís Montenegro agiu dentro das regras ou não, se cometeu irregularidades ou ilegalidades, devia poder ser dada por uma entidade competente para o efeito, num prazo razoável que impedisse que todo um Governo e um projeto para o país, em que mais portugueses acreditaram há menos de um ano, fosse transformado num mero jogo político. Mas sabemos que, apesar de o combate à corrupção ter sido uma bandeira do Executivo, esse organismo não existe.
A Entidade para a Transparência é um mero depósito de registo de interesses dos titulares de cargos públicos; o Mecanismo Nacional Anticorrupção criado há dois anos é ainda um fantasma. Resta o Ministério Público, que pode investigar suspeitas de prática de crimes.      (Valentino Marcelino, DN)

A Frase (67)

 O PSD é todo pelo que for, o PS é todo pelo que será, mas PSD e PS fazem apenas o jogo político estafado de fugir da responsabilidade de uma crise política exótica. A Europa arde e Portugal entretém-se com as influências políticas rurais de um país eternamente provinciano. (Carlos Marques de Almeida, ECO)

Em Portugal o futuro é sempre um discurso de propaganda. Se o futuro falhar a responsabilidade é do novo Governo.Este país que é Portugal é viciado em crises políticas e dramas institucionais. 

É a política do gesto largo que não leva o país a lado nenhum, mas que afasta as elites políticas do português comum. 
Quando o Governo não sabe o que fazer, quando o Governo faz o que não sabe, quando o Primeiro-Ministro ocupa a centralidade pivot de um círculo de influências, inventa-se uma crise política que é a uma espécie de espectáculo com vários enredos. 

A crise traz as eleições e as eleições remetem o país para o atraso. É verdade que as eleições são a festa da democracia. Mas em Portugal as eleições são o risco da impotência e um drama de baixa extracção para excitação das clientelas políticas. 

O que está em causa é o controlo da máquina política, a distribuição de lugares nas listas, o sorteio de cadeiras na administração pública. O país não tem um Governo. O Governo é que tem um país.(excerto do texto de Carlos Marques de Almeida, ECO)

Balada De Sempre




Espero a tua vinda
a tua vinda,
em dia de lua cheia.

Debruço-me sobre a noite
a ver a lua a crescer, a crescer...

Espero o momento da chegada
com os cansaços e os ardores de todas as chegadas...

Rasgarás nuvens de ruas densas,
Alagarás vielas de bêbados transformadores.
Saltarás ribeiros, mares, relevos...
- A tua alma não morre
aos medos e às sombras!-

Mas...,
Enquanto deixo a janela aberta
para entrares,
o mar,
aí além,
sempre duvidoso,
desenha interrogações na areia molhada...

(Fernando Namora)

segunda-feira, 10 de março de 2025

O Exemplo

As eleições na Alemanha foram a 22 de fevereiro. Passadas três semanas, o líder do partido mais votado (CDU) anunciou que já tem acordo com o rival, o SPD, para novo governo. Mais: a CDU chegou a acordo com a oposição para alterar uma regra da Constituição que limita o aumento anual da dívida a 0,35% do PIB. (Camilo Louranço. JdeNegócios

Gerhard Schröder e Angela Merkel juntaram-se e negociaram um conjunto de medidas que permitiram melhorar a produtividade. Em cinco anos a Alemanha voltou para o topo.

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (66)

Um dos maiores desafios que se colocam à Europa dos nossos dias é comunicacional. As instituições europeias e os líderes eleitos nos países que as integram persistem há décadas em discursos tecnocráticos onde os processos se sobrepõem aos ideais. A construção europeia transformou-se numa sonolenta pilha burocrática.

Trump 2.0 lança um novo desafio comunicacional à Europa. O presidente norte-americano personifica um acidente no IC19: quanto mais chocante for, mais difícil se torna desviar o olhar.

O impacto provocado pelos ataques de J.D. Vance a Volodymyr Zelensky na sala Oval pode ser o rastilho que faltava para que parte da Europa democrática se volte a unir institucionalmente.


Mas fica a faltar uma revolução comunicacional, que prepare e mobilize os cidadãos europeus para os novos sacrifícios que se avizinham. (excertos do texto de Duarte Vilaça, ECO)