Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (105)

O berço da política eram a filosofia, o direito, a relação, o povo, a cultura... Hoje a política não tem berço, perdeu-se do seu nascimento, renega o passado, não nutre o presente e não pensa o futuro. (Leonor Gaião, OBSR)
 
Passadas duas semanas de debates, há muitas palavras que ficam no ouvido: “montenegrização”, “bandalheira”, “emigração”, “racismo”, “palacetes”, “crime”, “vergonha”, “mentira”, “fascismo”, “liberdade”, etc. Mas as palavras já não querem dizer nada, temos pressa de as colar aos lábios dos outros, temos pressa de catalogar as expressões mais caricatas, de encontrar os “chavões” da campanha.

A campanha faz-se na rede social. Desde o Chega ao Bloco de Esquerda, da AD ao PS, os partidos venderam-se às palavras baratas, às palavras sem conceitos. Nesta campanha eleitoral, nas redes sociais dos respectivos partidos, já vi música pimba, já vi influencers, já vi chocolate do Dubai, já vi violência gratuita, já vi programas da tarde, já vi demasiado.

Hoje tudo se faz para ver, mesmo as palavras fazem-se para comer com os olhos. Há um vazio de ideias, um vazio de conceitos, um vazio de raízes, um vazio do passado, um vazio na política. O berço da política eram a filosofia, o direito, a relação, o povo, a cultura… Hoje a política não tem berço, perdeu-se do seu nascimento, renega o passado, não nutre o presente e não pensa o futuro (...)
Os holofotes das televisões e dos telemóveis ofuscam o que está à volta e cada um quer um holofote maior, mais luz, mais atenção, mais, mais, mais. Vejam o que eu digo, aqui, na televisão, na rede, na caixa mágica, no retângulo luminoso. Vejam, comam, cheirem estas palavras cada vez maiores, mais barulhentas e mais vazias.

Soneto De Mim

Na quietude e silêncio do cerrado
dos pensamentos eu me desligo
e o sentimento se põe aí calado
esta é a emoção onde me abrigo

Num vazio do tempo desfolhado
da saudade, sair eu não consigo
sou o ressecado chão empoeirado
e d' alma em evasão sou mendigo

E é neste legado de um passado
que saudosar tornou-se castigo
e o castigo sacrossanto enfado

Assim, tudo o que trago comigo
é amor, apenas sou... um fado!
Que tentou ser primavero e amigo...

(Luciano Spagnol)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Eis A Questão

Se a RTP fosse uma empresa onde as produções fossem coordenadas e não existisse uma guerra de capelinhas, a pesquisa de António Faria e a visão de Gonçalo Madaíl seriam utilizadas para dar outra difusão à peça mais importante que a RTP tem para transmitir em mais este aniversário do 25 de Abril. Mas não, o documentário será estreado na RTP Memória, claro que ficará disponível na plataforma digital RTP Play e será transmitido, obviamente em data ainda não decidida, nessa aberração de programação que é a RTP3, que já é o menos visto de todos os canais informativos nacionais.

Sugiro que nos dias 25 e 26 de Abril vejam o novo documentário de António Barreto, “Rumo à Liberdade”, que está dividido em duas partes e que será emitido na RTP Memória nesses dias. O documentário mostra a visão de Barreto sobre o balanço do que aconteceu desde o 25 de Abril de 1974, uma ideia incómoda para muita gente que entende que “falta cumprir Abril”. 

António Barreto é claro sobre essa ideia: “É uma tolice absoluta. O que Abril tinha para dar está dado: democracia, liberdade, libertação dos presos políticos… tudo o resto é o processo social normal, são as nossas escolhas.” Esta ideia atrapalha muita gente, sobretudo à esquerda do PS, no Livre, no Bloco de Esquerda e no PCP. 

Dito isto convém elogiar o trabalho de dois quadros da RTP que permitiram, com o seu trabalho num caso, e a sua decisão noutro, que o documentário existisse: António Faria, um especialista na pesquisa dos arquivos da RTP desencantou as imagens que constituíram o alicerce do trabalho.

 Se a RTP fosse uma empresa onde as produções fossem coordenadas e não existisse uma guerra de capelinhas, a pesquisa de António Faria e a visão de Gonçalo Madaíl seriam utilizadas para dar outra difusão à peça mais importante que a RTP tem para transmitir em mais este aniversário do 25 de Abril. Mas não, o documentário será estreado na RTP Memória, claro que ficará disponível na plataforma digital RTP Play e será transmitido, obviamente em data ainda não decidida, nessa aberração de programação que é a RTP3, que já é o menos visto de todos os canais informativos nacionais. 

(Excertos do texto de falcão, A Esquina do Rio)

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (104)

Vivemos tempos de vertigem e imediatismo. Demitimo-nos das nossas responsabilidades e delegámos no outro a obrigação de fazer, de ser por nós. Perdemos as referências políticas, religiosas, sociais e familiares e, no meio do vazio, ficámos dependentes, cada vez mais dependentes. É uma carência de objectivos, uma paralisia de emoções, uma impossibilidade de se “ser” sem orientação.   (José Torres da Costa, OBSR)

O controlo que outrora se fazia por muros, grades e vigilância, está hoje disseminado nos nossos hábitos, “cliques” e rotinas. Não precisamos de ser vigiados, estamos voluntariamente expostos, e isso basta.Este é o mundje, um mundo pós-moderno e “narcisista”. É um mundo que alimentamos pelas redes sociais e pelos média. E num mundo ávido por informação e “notícias” sem qualidade. (...) Neste misto de voracidade e vertigem, esgotados que estão os temas da religião e virtude, é preciso uma nova “Fé”, a promessa de um novo “Éden”.
Temas como a saúde (a par de outros) tornaram-se combustível indispensável para a “fornalha” da comunicação. A sociedade torna-se hipermedicalizada e é-lhe difícil manter uma ponderação adequada entre o que faz sentido e um desnecessário tantas vezes contraproducente. Este novo mundo necessita de um equilíbrio que é difícil de obter, mas também é uma realidade à qual a Ordem dos Médicos anquilosada nunca se conseguiu adaptar.

NA perspetiva dos conteúdos, e apesar dos avanços e reconhecimentos internacionais, a comunicação social olha na saúde demasiadas vezes pela exceção, dando-lhe um destaque e notoriedade que suspeito assistir a agendas de inocência duvidosa.

Com ou sem intencionalidade, há uma certa perversão na forma como o nosso sistema de saúde é dado a conhecer. Um sistema que apesar dos defeitos e agressões a todos deveria orgulhar.

Se existem noticiários têm de existir notícias e nesta dependência o critério da escolha não é a notícia em si, mas o impacto que tem. Seria tranquilizador e sedativo um noticiário que um dia destes dissesse – “hoje não há notícias. Não há nada de novo!”. Pura e simplesmente não acontece!

Portugal tem uma ferência de investigação como a Champalimaud Foundation ou o Instituto de Medicina Molecular para além de importantes investimentos em tecnologia digital na área da medicina (telemedicina, inteligência artificial, registos eletrónicos de saúde) e a criação da recente licenciatura em Saúde Digital e Inovação Biomédica (SauD InoB) da FMUP. Por tudo isto, e por uma alta relação qualidade / preço, Portugal é classificado no top dos rankings da OMS e da Euro Health Consumer Index .

Em muitas áreas da saúde surgiram plataformas de recolha de dados que utilizam modelos de aprendizagem profunda que permitem um melhor conhecimento da saúde dos portugueses para além de serem ferramentas indispensáveis para a identificação precisa de ganhos em saúde. (...)
Com ou sem intencionalidade, há uma certa perversão na forma como o nosso sistema de saúde é dado a conhecer. Um sistema que apesar dos defeitos e agressões a todos deveria orgulhar.

A Música Das Almas ...

 
Na manhã infinita as nuvens surgiram como a loucura numa alma.
E o vento como o instinto desceu os braços das árvores que estrangulavam a terra...Depois 
veio a claridade, os grandes rios, céus, a paz dos campos...
Mas nos caminhos todos choravam com os rostos levados para o alto.
Porque a vida tinha misteriosamente passado na tormenta.

(Vinicius de Moraes)

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (103)

“Enquanto Donald Trump se preocupa em saber em que equipa jogam as pessoas transgénero, os chineses transformam as suas fábricas com a ajuda da IA”. Citando Thomas Friedman, o futuro está na China.  (João Abel de Freitas, JEconómico)
 
Entre as múltiplas obsessões de Trump não podiam faltar as Terras Raras. Em local que “cheire” a Terras Raras, lá aparece de dedo em riste porque, na sua opinião, os EUA correm riscos, se as Terras Raras escaparem da sua alçada. E, sendo assim, têm de ser nossas, diz, “a bem ou a mal”!  (...)

Desconhecia-se este pânico enorme, tão assanhado, de Trump pelas Terras Raras chinesas! Que descontrolo, ilusão e desconhecimento. A luta pela hegemonia global perturba-lhe o pensamento.(...)

A China há muitos anos fez as suas escolhas estratégicas e uma foi, sem dúvida, a aposta nas Terras Raras.
(...)
Se alguma conclusão não abusiva se poderá retirar, com riscos embora, é que o maior importador mundial (EUA) está em perda contra o maior exportador (China), nesta luta pela hegemonia global, porque Pequim deu um salto tecnologicamente gigante.

De facto, em curso, está a substituição do modelo ocidental de desenvolvimento por um novo, centrado na Ásia.

Contemplação

Visão dos mundo espirituais pintada por Bô Yin Râ (1876-1943
Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre idéias e espíritos pairando...

Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existências...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...

E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido

Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só presentido...

(Antero de Quental)