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quinta-feira, 4 de abril de 2024

Tu À Noite


Tu à noite havias de escutar
A trovoada e o ar ambulante.
Tu nessa margem hás-de virar
Para onde estão as intempéries dominantes.

Toda essa honrada esperança
Ruirá na ardósia,
E destroçará o inverno
Que vocifera a teus pés.

Se bem que ardam os altares apaixonantes,
E que o sol deliberado
Faça ladrar a águia,
Tu avançarás na corda bamba.

(Harold Pinter)

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (75)

O país precisa de mudar, precisa de um choque de concorrência, de abertura, de mercado, de mérito, de eficiência, de criação de valor. A tese da abundância — de onde virá ela? — só serve para impedir o apoio social necessário à mudança, sem a qual estaremos condenados à pobreza. E por paradoxo que possa parecer, é mesmo um Governo com tudo a perder que pode arriscar fazer tudo para ganhar.     (António Costa, ECO)

Desta vez, o discurso que marcou a tomada de posse do novo Governo não foi o de Marcelo Rebelo de Sousa — como o foi há dois anos quando pré-anunciou a dissolução do Parlamento se António Costa saísse. Desta vez o discurso que marcou, e que ficará como guia de avaliação da legislatura foi mesmo o do primeiro-ministro Luís Montenegro. E isso é o que deve ser, o regresso a uma normalidade política num quadro de tanta anormalidade — sim, por causa de um partido que se chama Chega. (ler texto completo)

PS: Se Pedro Nuno Santos quer ser levado como político de Estado — como demonstrou na eleição de José Pedro Aguiar Branco –, não pode fazer números como fez ao não aparecer na tomada de posse de Luís Montenegro. Se quer ser levado a sério, não pode ser um bloquista com mais deputados.

A Humanidade Está Numa Encruzilhada

Vivemos, decididamente, numa era caracterizada pela transitoriedade dos interesses, pela inconsistência das causas que nos movem e por uma atenção que oscila e vacila, sem encontrar um ponto de fixação duradouro. ( Patrícia Akester, DN))

A invasão da Ucrânia, por exemplo, suscitou uma efusão global de empatia, participação e solidariedade, ilustrando o papel dos referidos ingredientes na determinação do grau de atenção emergente.  (...)

Importa sublinhar que esta faceta humana é nutrida e acentuada pelos media, uma vez que existe uma correlação directa entre a visibilidade mediática de desastres humanitários e a mobilização de recursos a eles destinados, quer provindos do público, quer sob a forma de acções institucionais. (...)

O desafio que se impõe é contrariar a corrente de desumanização que parece emanar deste ciclo, em que a profundidade, a substância e a constância são frequentemente sacrificadas no altar do imediatismo, da superficialidade e da transitoriedade. Como podemos, então, reverter esta tendência? (...)

Comecemos por reconhecer que somos seres em constante evolução, cabendo a cada um de nós a responsabilidade de transcender o que nos afasta de valores essenciais à nossa “humanidade”.

O conceito de “humanidade” visto como um potencial a ser atingido (e não como uma condição determinada por um contexto histórico específico), implicando um ideal de “ser” que, por sua vez, nos obriga a um “fazer”. Lembremos, por fim, que esse imperativo de “fazer” se apresenta como uma missão contínua no sentido de construção “da humanidade” e “de humanidade” - visando a bondade sem paradoxo ou, como bem disse o filósofo Gerard Legrand, “agir com humanidade”. . (ler texto completo) 

Falar Com Franqueza


Estai sempre dispostos a falar com franqueza e evitareis a companhia dos homens ruins.

(William Blake)

terça-feira, 2 de abril de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (74)

Pedro Nuno criou um dia a expressão Chega-D, mas a primeira votação na AR foi mais uma "Chesquerda", uma ação comum do Chega e toda a esquerda para impedir uma escolha do partido mais votado. (Rui Pedro Antunes, OBSR)

O maior património de um político é a sua palavra. Um político pode recuar, corrigir, ocultar e explorar todos os recursos da retórica com mais ou menos habilidade. Conforme o tamanho do recuo, a dimensão do erro ou a gravidade da omissão, esse político pode ter clemência. Ser compreendido ou, até, virar o eleitorado a seu favor. Mas faltar à palavra, que se pressupõe ser um compromisso de honra, é a negação da política.

O presidente do Chega dava assim a sua palavra pública, três vezes, ao PSD: o Chega ia votar a favor de José Pedro Aguiar-Branco para a presidência da AR. A partir daí, a história é conhecida. 

Emoção


Quando a emoção transparece nas palavras que proferimos, a ênfase surge espontaneamente. 
Se as nossas mãos tiverem de expressar alguma coisa, elas próprias se encarregarão 
de o fazer sem a nossa intervenção. Se algo tiver de assomar aos nossos olhos, assomará. 
Não somos nós que temos de o trazer ao nosso olhar. Se assim for, será tudo uma hipocrisia.

(Osho)

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Notícias Ao Fim DaTarde

Saiba Como Vai Este País

 Minoritário na frente parlamentar, o Governo depende de uma coordenação constante e permanente entre o PSD no Parlamento e o PSD no Governo. Convém sublinhar que o Governo enfrenta duas oposições simultâneas, antagónicas entre si, mas com objectivos estranhamente comuns – o PS pretende empurrar o Governo para a esfera do Chega; o Chega pretende pressionar o Governo para a influência do PS.

O PS será sempre institucional enquanto organiza o partido e as políticas para um novo estádio no poder. Mas a cada acção institucional o preço político será maior até ser verdadeiramente incomportável para o PS e para o PSD – a percepção de um Bloco Central informal só servirá para inflamar o Chega na sua marcha indisfarçável para o poder e para o caos. 

A democracia portuguesa está em pânico com a força do Chega suportada pelo voto de um milhão e duzentos mil portugueses de norte a sul. Entre um partido que faz a política do caos e os votos que o consentem há uma certa “cumplicidade vergonhosa”. Eis uma lição que a democracia portuguesa e os portugueses devem aprender.

Sem um núcleo ideológico, sem uma intenção construtiva, o Chega entende os seus cinquenta deputados como a definição de uma “fronteira” entre o “bem” e o “mal”, uma “fronteira” entre os “verdadeiros portugueses” e os “portugueses vendidos”. Daí querer “limpar” o país, daí o discurso da “corrupção”, daí a arrogância agressiva e demagógica que apenas pretende diminuir os inimigos políticos para governar sobre o vazio de um novo país imaginário. Para o Chega a democracia é um erro estatístico. O país do Chega é uma extensão da vontade de Ventura. E a vontade de Ventura nunca será uma vontade democrática.

Portugal é um sítio triste com as janelas mal lavadas. E o governo do mundo começa em nós mesmos. Uma frase que os portugueses vão gostar de ouvir quando o Presidente da República rasgar o seu silêncio

(excertos do texto de Carlos Marques de Almeida, ECO)