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quinta-feira, 4 de abril de 2024

Estas São As Frases

 O Chega foi, como o PRD, instrumental a trazer muitos votos da abstenção e da esquerda. De quem já não acredita em bons governos. Conseguirá o PSD? Que governe bem, seja astuto, e será recompensado.    (Paulo Carmona, OBSR)

A tarefa que aguarda o governo que agora tomou posse não é mudar o que o anterior não mudou; é a de o fazer num país que apura há séculos a arte de cruzar os braços.     (Alexandre Borges, JNegócios)

O Chega, que se apressa a criticar o governo porque tem muita gente do PSD (o que é giro, porque sabem onde é que também há imensa gente do PSD? No Chega.), e os que nem lá põem os pés porque, como sempre, são superiores a isto tudo: a esquerda pura, de raça. Porque só ela representa, entende e defende o povo. E por isso só ela tem direito (esquerdo, porque não?) a desprezar as escolhas desse mesmo povo, virar-lhes as costas, desancar governos antes de eles sequer existirem. O Bloco, que já concluiu ser este “um dos governos mais à direita de que há memória” (com efeito, começa a não haver muitas pessoas com idade para se lembrarem de outros); e o PC que, naquele estilo raimundo-lapaliciano, logo foi anunciando estar “à espera de tudo o que é mau” e que há uma semana comunicara já o chumbo preventivo a um orçamento de Estado de que ainda não haverá sequer um Excel chamado “Notas” no computador de Miranda Sarmento.  (...)

E cá fora, é claro, a inefável CGTP, com a renovada subtileza de um martelo pneumático estragado e embora o programa de governo não seja apresentado senão na próxima semana, que já sentenciou que o que viu na campanha “traduz um forte ataque, nomeadamente aos trabalhadores e aos seus direitos, ao Serviço Nacional de Saúde, à escola pública, à Segurança Social, o favorecimento dos grupos económicos, o agravamento da exploração e a acentuação das injustiças e desigualdades”. É obra. E isto foi o que concluíram da campanha, a parte em que os partidos só anunciam coisas boas e fazem promessas. Imaginem quando eles começarem mesmo a governar. Não espero menos que o genocídio do proletariado. (...)

Às vezes, muito às vezes, são os que correm melhor. Sem expectativas, contra todas as apostas. Pode ser que sim. Oxalá que sim. Como disse António Costa, com um desportivismo que, lamentavelmente, só foi passeando depois de se demitir, a sorte de Montenegro será a sorte do país. (...)

Ontem, era notícia que o executivo PS partia sem que um único ministério tivesse chegado a mudar-se para o antigo edifício-sede da Caixa Geral de Depósitos e apesar de a mudança ter sido anunciada pelo próprio há cerca de dois anos. O epitáfio perfeito, tragicómico, a um governo verdadeiramente incapaz de mudar o que quer que fosse. A tarefa que aguarda o que agora tomou posse não é, portanto, apenas a de tentar mudar o que o anterior não mudou; é a de o fazer num país que apura há séculos a arte de cruzar os braços. 

Tu À Noite


Tu à noite havias de escutar
A trovoada e o ar ambulante.
Tu nessa margem hás-de virar
Para onde estão as intempéries dominantes.

Toda essa honrada esperança
Ruirá na ardósia,
E destroçará o inverno
Que vocifera a teus pés.

Se bem que ardam os altares apaixonantes,
E que o sol deliberado
Faça ladrar a águia,
Tu avançarás na corda bamba.

(Harold Pinter)

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (75)

O país precisa de mudar, precisa de um choque de concorrência, de abertura, de mercado, de mérito, de eficiência, de criação de valor. A tese da abundância — de onde virá ela? — só serve para impedir o apoio social necessário à mudança, sem a qual estaremos condenados à pobreza. E por paradoxo que possa parecer, é mesmo um Governo com tudo a perder que pode arriscar fazer tudo para ganhar.     (António Costa, ECO)

Desta vez, o discurso que marcou a tomada de posse do novo Governo não foi o de Marcelo Rebelo de Sousa — como o foi há dois anos quando pré-anunciou a dissolução do Parlamento se António Costa saísse. Desta vez o discurso que marcou, e que ficará como guia de avaliação da legislatura foi mesmo o do primeiro-ministro Luís Montenegro. E isso é o que deve ser, o regresso a uma normalidade política num quadro de tanta anormalidade — sim, por causa de um partido que se chama Chega. (ler texto completo)

PS: Se Pedro Nuno Santos quer ser levado como político de Estado — como demonstrou na eleição de José Pedro Aguiar Branco –, não pode fazer números como fez ao não aparecer na tomada de posse de Luís Montenegro. Se quer ser levado a sério, não pode ser um bloquista com mais deputados.

A Humanidade Está Numa Encruzilhada

Vivemos, decididamente, numa era caracterizada pela transitoriedade dos interesses, pela inconsistência das causas que nos movem e por uma atenção que oscila e vacila, sem encontrar um ponto de fixação duradouro. ( Patrícia Akester, DN))

A invasão da Ucrânia, por exemplo, suscitou uma efusão global de empatia, participação e solidariedade, ilustrando o papel dos referidos ingredientes na determinação do grau de atenção emergente.  (...)

Importa sublinhar que esta faceta humana é nutrida e acentuada pelos media, uma vez que existe uma correlação directa entre a visibilidade mediática de desastres humanitários e a mobilização de recursos a eles destinados, quer provindos do público, quer sob a forma de acções institucionais. (...)

O desafio que se impõe é contrariar a corrente de desumanização que parece emanar deste ciclo, em que a profundidade, a substância e a constância são frequentemente sacrificadas no altar do imediatismo, da superficialidade e da transitoriedade. Como podemos, então, reverter esta tendência? (...)

Comecemos por reconhecer que somos seres em constante evolução, cabendo a cada um de nós a responsabilidade de transcender o que nos afasta de valores essenciais à nossa “humanidade”.

O conceito de “humanidade” visto como um potencial a ser atingido (e não como uma condição determinada por um contexto histórico específico), implicando um ideal de “ser” que, por sua vez, nos obriga a um “fazer”. Lembremos, por fim, que esse imperativo de “fazer” se apresenta como uma missão contínua no sentido de construção “da humanidade” e “de humanidade” - visando a bondade sem paradoxo ou, como bem disse o filósofo Gerard Legrand, “agir com humanidade”. . (ler texto completo) 

Falar Com Franqueza


Estai sempre dispostos a falar com franqueza e evitareis a companhia dos homens ruins.

(William Blake)

terça-feira, 2 de abril de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (74)

Pedro Nuno criou um dia a expressão Chega-D, mas a primeira votação na AR foi mais uma "Chesquerda", uma ação comum do Chega e toda a esquerda para impedir uma escolha do partido mais votado. (Rui Pedro Antunes, OBSR)

O maior património de um político é a sua palavra. Um político pode recuar, corrigir, ocultar e explorar todos os recursos da retórica com mais ou menos habilidade. Conforme o tamanho do recuo, a dimensão do erro ou a gravidade da omissão, esse político pode ter clemência. Ser compreendido ou, até, virar o eleitorado a seu favor. Mas faltar à palavra, que se pressupõe ser um compromisso de honra, é a negação da política.

O presidente do Chega dava assim a sua palavra pública, três vezes, ao PSD: o Chega ia votar a favor de José Pedro Aguiar-Branco para a presidência da AR. A partir daí, a história é conhecida. 

Emoção


Quando a emoção transparece nas palavras que proferimos, a ênfase surge espontaneamente. 
Se as nossas mãos tiverem de expressar alguma coisa, elas próprias se encarregarão 
de o fazer sem a nossa intervenção. Se algo tiver de assomar aos nossos olhos, assomará. 
Não somos nós que temos de o trazer ao nosso olhar. Se assim for, será tudo uma hipocrisia.

(Osho)

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Notícias Ao Fim DaTarde